Documentos revelam fraude milionária do Consórcio Nordeste durante a pandemia

Trezentos respiradores foram comprados, mas nunca entregues
Governadores, durante o lançamento do Consórcio Nordeste, para afrontar o governo federal – 30/07/2019 | Foto: Camila Souza/GovBA
O Consórcio Nordeste pagou cerca de R$ 50 milhões por respiradores que nunca recebeu. Publicada nesta sexta-feira, 21, reportagem da revista Veja mostrou como funcionava o esquema chefiado por governadores petistas. A notícia obteve documentos de uma investigação sigilosa.
Ao analisar contratos do Consórcio Nordeste, a Polícia Federal (PF) descobriu que uma das empresas envolvidas, a Hempcare, comercializava produtos à base de canabidiol. Durante o debate na Band contra Lula, o presidente Jair Bolsonaro citou a companhia, indiretamente. “A CPI não quis investigar R$ 50 milhões torrados em uma casa de maconha”, disse Bolsonaro. “Não chegou nenhum respirador, e daí, sim, irmãos nordestinos morreram por falta de ar.”
Sem nenhuma experiência no ramo, a companhia fechou o contrato milionário com o Consórcio Nordeste para importar 300 respiradores oriundos da China. A proeza só foi possível porque o “laranja” aceitou pagar 25% do valor total para intermediadores, que se anunciavam como pessoas com amplo trânsito junto ao governador da Bahia, Rui Costa (PT), então presidente do consórcio.
Em abril do ano passado, a PF cumpriu 14 mandados de busca e apreensão em três Estados, mais o Distrito Federal. À época, a dona da Hempcare, Cristiana Taddeo, foi presa, além de seu sócio, Paulo de Tarso. Ambos conseguiram deixar a cadeia. A PF atua no âmbito de uma investigação do Superior Tribunal de Justiça que tenta punir os responsáveis e recuperar os milhões desviados.
Segundo Veja, liberado o dinheiro, Cristiana transferiu R$ 3 milhões para um intermediário amigo do governador da Bahia. À polícia, Cristiana afirmou que sabia que o pagamento não era devido a uma suposta consultoria, e disse que o “consultor” Cleber Isaac, o destinatário da bolada, tinha “influência política”.
Fonte: Revista Oeste


