No próximo dia 12.03, Olinda faz 486 anos e Recife 484.
No conjunto de minha obra, fiz um livro em homenagem ao Recife Louvação ao Recife, Crônicas, publicado em 2014. Lancei também Olinda, um Olhar, lançado em 2015. São crônicas poéticas com fotografias de Marcus Prado.
O maior presente que podemos dar a essas cidades é melhorar a qualidade de vida dos cidadãos nesse difícil momento de pandemia. Nesse aspecto, trago a questão da água para o debate e a agenda dessas cidades.
A água é o elemento essencial para a existência da vida. Desconhece-se, no universo inteiro, a existência da vida sem a presença da água.
Na cidade de Olinda, em Pernambuco, foi produzido, como fruto do seu desenvolvimento urbano, um impacto significativo na infraestrutura de recursos hídricos por conta do adensamento populacional e constantes agressões ao meio ambiente.
Os bairros que compreendem as bacias do Beberibe e do Bultrins/Fragoso, onde residem mais de 50% da população da cidade, sofrem com alagamentos e inundações constantes que anulam efeitos que poderiam ser positivos de obras de pavimentação como é o caso emblemático da Avenida Presidente Kennedy, maior corredor de transporte da cidade.
Inexiste, mesmo sendo exigência de Lei Federal, um Plano de Macrodrenagem em Olinda. A ausência de uma diretriz pública põe em dúvida sobre a real eficácia de intervenções – com investimentos vultosos e que se arrastam por mais de uma década – como é o caso do Canal do Fragoso.

Paradoxalmente, as áreas dos Altos (morros e colinas) sofrem histórica e constantemente com a falta d’água nas residências, problema que agravou a qualidade de vida da população diante da pandemia que vivenciamos.
Entendemos que é urgente a criação do Fórum das Águas de Olinda com atuação permanente para debater e propor soluções a partir da articulação de instituições e forças vivas da cidade que a Unesco intitulou como Patrimônio Natural e Cultural da Humanidade.
Quanto ao Recife, há, desde 2012, um projeto de navegabilidade para o Rio Capibaribe, o Rios da Gente. Foi anunciado como uma alternativa ao trânsito caótico do Recife, além do imenso potencial turístico. Imagine as sete estações fluviais com transporte hidroviário para passageiros funcionando ao longo de mais de 11 quilômetros de curso d’água, como foi divulgado à época.
Com paradas em pontos estratégicos, não apenas do ponto de vista da mobilidade, mas do encantamento da população por uma cidade que proporciona a convivência com árvores como as do Jardim do Baobá, no bairro das Graças, ou cenários como o pôr do sol no bairro do Derby, em um píer que poderia ser montado ali por trás do prédio da Fundação Joaquim Nabuco. Ou no cartão-postal que é a Rua da Aurora. Isso só citando alguns dos locais no Recife onde a natureza, as edificações históricas e a população poderiam estar em sintonia.
O projeto de navegabilidade e revitalização do Rio Capibaribe precisa ser retomado em caráter prioritário.
O Recife enquanto não integrar o Rio Capibaribe a sua paisagem, de forma sustentável e com mobilidade, será uma cidade incompleta.

Antônio Campos
Março de 2021

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