ARTIGO

Por Mendonça Filho (*)

Postado por Marcos Lima Mochila

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O bloqueio da conta do presidente Donald Trump, no Twitter, depois que seus apoiadores invadiram o Congresso dos EUA, além do debate global sobre a liberdade de expressão, jogou luz sobre uma questão ainda maior: o desafio de ser liberal num mundo marcado pela intolerância e pela revolução gerada pelas redes sociais. Ao mesmo tempo que a sociedade digital deu mais espaço para o indivíduo se expressar, ela abriu canais para o radicalismo, para fake news e para a viralização de teses autoritárias.

E agora, liberais? Como conviver com esse dilema?

Cada vez mais quem defende a liberdade como um valor maior fica emparedado em meio a essa radicalização, onde os valores são defendidos não pelos princípios em si, mas por interesses e conveniências de pessoas ou segmentos. E não é apenas no Brasil. A moderação, o equilíbrio, a pluralidade de ideias, o fortalecimento das instituições democráticas e as liberdades individuais são valores fundamentais que resistem a ataques permanentes.

Não há estado democrático sem instituições fortes como o parlamento, o judiciário, a imprensa livre. Vale destacar, que a verdade é um dos pilares da Democracia. E a fake news uma ameaça constante a ser combatida.

Punir fake news não significa dar licença para que as “Big Techs” sejam tutoras do que pode ou não ser publicado. Como disse a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, ao comentar o bloqueio das redes sociais do presidente Trump, “nenhuma companhia privada deveria ter um poder tão grande”. Na minha opinião, o poder de decisão dado às “Big Techs” (Twitter, Face e Instagram) neste episódio inverte papéis, fragiliza instituições de Estado e conspira contra a liberdade de expressão.

Condenei publicamente a invasão do Capitólio, pilar da Democracia americana, por ser uma ação absolutamente antidemocrática.  Discordo de Trump e da condução que está dando à sua despedida do cargo de presidente da maior potência do mundo. No entanto, continuo defendendo que o direito de se expressar é sagrado numa Democracia. 

(*) Mendonça Filho é ex-ministro da Educação

(Artigo publicado no JC de 17.01.2021)

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