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Na reunião do Comitê de Avaliação de Conjuntura, de agosto, coordenada pelo membro do Conselho Superior, da Associação Comercial de São Paulo – ACSP, Edy Luiz Kogut, o empresário chinês Phillip Xu, executivo da empresa COFCO, teceu interessantes comentários sobre o desenvolvimento recente da China e de suas perspectivas, manifestando certo pessimismo com a possível solução, no curto prazo, do conflito comercial com os Estados Unidos.

Xu, que foi convidado pelo Vice-presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo – Facesp, Farid Murad, considerou que a questão é mais complexa e envolve disputa com relação à tecnologia de ponta, na qual os chineses se encontram bastante avançados. Ele ressaltou, no entanto, de que essa é sua visão pessoal, não representando qualquer posicionamento oficial.

No tocante ao cenário doméstico, embora as estatísticas das finanças públicas e do setor externo tenham mostrado resultados menos favoráveis, diversos indicadores apontam para a melhora da economia nos próximos meses, mas em ritmo ainda bastante lento. Os dados relativos à inflação sinalizam que devemos fechar o ano abaixo da meta, e que existe espaço para que o COPOM possa continuar a reduzir as taxas de juros.

O desemprego vem se reduzindo mês a mês, embora com a criação de empregos informais, tempo parcial ou conta própria, indicando que o consumo deve melhorar nos próximos meses. A produção industrial ainda se acha no campo negativo, mas vários setores já mostram reação, enquanto o varejo continua a crescer de forma bastante lenta, assim como os serviços. Destacou-se que está aumentando a concentração no varejo, revelando as dificuldades de crescimento e mesmo de sobrevivência das empresas menores

O aumento das vendas de material de construção e a redução dos estoques de imóveis abrem perspectivas favoráveis para a indústria de construção civil, na qual o programa “Minha Casa, Minha Vida” representa cerca de metade do setor, mas observa-se expansão também de apartamentos pequenos, construídos para atender um público de renda entre 5 a 7 salários mínimos.

No setor eletroeletrônico, a chamada linha branca e de materiais elétricos de uso doméstico mostram crescimento, provavelmente ocasionados pelas novas construções e reformas de residências. A indústria de alimentos registrou expansão da produção e estabilidade dos preços, graças às excelentes safras agrícolas, especialmente de grãos (milho e soja). Na área de energia, a liberalização do mercado de gás e os leilões do Pré-Sal abrem perspectivas bastante favoráveis para o setor, beneficiando as indústrias e os consumidores.

Em resumo, apesar de ainda termos muitos problemas, podemos esperar que os próximos meses sejam melhores e as perspectivas para 2020 sejam de crescimento maior do PIB, embora ainda muito abaixo da capacidade e necessidade do Brasil.

ACSP – Associação Comercial de São Paulo.
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