O que mais se discute é se o fato foi BOM ou RUIM para a candidata do Podemos a prefeita do Recife

Por Marcos Lima Mochila

.

As declarações de apoio do presidente Jair Bolsonaro à Delegada Patrícia Domingos, neste sábado (7/11), ainda não foram bem digeridas pela população e não se sabe, ainda, se os efeitos foram positivos ou negativos.

Na realidade, a única afinidade, entre ambos, até o momento, é que os dois tiveram um alto crescimento do percentual de rejeição nos últimos dias e não se sabe se, no caso da Delegada, o apoio do presidente fará a rejeição reduzir, estancará ou continuar a a crescer.

Mesmo o presidente tendo ressaltado que o fato de ela ser simpática a um ex-ministro seu, pois também ele era simpático a ele, não a absolve – perante os apoiadores de Bolsonaro, não a absolve de críticas ao chefe do Executivo. Em abril deste ano, quando Sérgio Moro deixou o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a candidata do Podemos à Prefeitura do Recife fez uma defesa enfática do ex-juiz da Lava Jato. A afinidade com o ex-ministro era tão grande que a prefeiturável já chegou a ser classificada diversas vezes como “Moro de saias”.

À época, Patrícia lançou uma nota oficial: “Há tempos vivemos momentos de insegurança e impunidade em nossas instituições. Hoje, tivemos mais uma clara demonstração da forma rasteira, já enraizada no poder há tantos anos, que fere um dos princípios mais importantes de qualquer gestão: a transparência. Não é tarefa fácil combater os poderosos. É uma luta desigual”, declarou em um trecho.

“O que nós demonstramos hoje, é que há, sim, esperança neste país. Há, sim, pessoas de bem que prezam pela justiça e fazem dela um instrumento para o bem comum. Que brigam, sim, por cada centavo do dinheiro público. Que priorizam a liberdade de suas instituições. Começamos essa guerra lá atrás e hoje demos um passo histórico, que mudará para sempre nossa percepção sobre a administração pública.”, prosseguiu Patrícia.

“Não podemos esquecer que nosso Ministro Sérgio Moro sai, mas a nossa fiscalização se intensifica. Seguiremos firmes, atuando no combate à corrupção. Jamais, jamais inclinaremos nossas cabeças. Estaremos sempre de cabeça erguida cumprindo a lei, doa a quem doer”, concluiu.

Inclusive, no início de fevereiro deste ano, a delegada Patrícia Domingos não participou de evento realizado em Recife, que tinha como base recolher assinaturas dos apoiadores para criação do novo partido do presidente Jair Bolsonaro, chamado Aliança pelo Brasil.

Portanto, essa mudança de rumo, neste momento do andar da carruagem, poderá ser um tiro no pé da Delegada.

No final da tarde de hoje (domingo, 08/11), João Baltar Freire, secretário-geral do Cidadania em Pernambuco e filho do presidente nacional do Partido, Roberto Freire, também deu seu parecer a respeito do assunto:

“Escrevo pouco aqui e menos ainda sobre minha vida pessoal, hoje em dia totalmente conectada à atividade político partidária. Meu partido, Cidadania, propõe uma alternativa à polarização entre a velha esquerda liderada por Lula e a extrema direita Bolsonarista. Nesse sentido, nossa executiva estadual decidiu, democraticamente, apoiar Patrícia Domingos na disputa pela prefeitura do Recife.

Àquela altura, ela representava a única no campo oposicionista que não se declarava bolsonarista e essa posição de independência se coadunava com a nossa orientação partidária. Esse contexto se alterou com o anúncio do apoio do presidente à candidata do Podemos. Tento compreender a extrema pressão e as razões que a levaram a esta situação, mas não tenho como compactuar com o cenário.

Respeito meus colegas de partido e a nossa chapa de vereadores que manterão o engajamento mas me desliguei da campanha e da atuação partidária no pleito do Recife. Não votarei mais em Patrícia, que pessoalmente mereceu meu respeito, mas inviabilizou nossa conexão política. Não há conciliação com o bolsonarismo.

Sigo cada vez mais convicto na busca da moderação e do diálogo, da valorização da ciência e do conhecimento, indispensáveis à construção política democrática. Reitero também meu respeito e amizade ao nosso presidente Daniel Coelho. Depois da eleição municipal, voltarei à militância partidária na construção de um caminho viável em 2022”.

Agora, é esperar para ver os verdadeiros efeitos advindos desse fato novo!

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fechar