Arquivos do mês outubro 2018

Presidente Lula no Palácio Alvorada . Brasília, 07/09/2007 - Foto Orlando Brito

Por Andrei Meireles

A arrogância e o desespero costumam ser maus conselheiros políticos. Jair Bolsonaro fez sucesso ao bater na tecla que Lula, mesmo se achando o rei da cocada preta, não era o dono do Brasil. Foi assim que Bolsonaro se diferenciou dos tucanos e de outros adversários do PT que evitavam um confronto direto com Lula.

Foto Ricardo Stuckert/Divulgação PT
Foto Ricardo Stuckert/Divulgação PT

Mesmo preso por corrupção em Curitiba, Lula ainda aparecia como favorito nas pequisas eleitorais. Isso estimulou o PT a arriscada aposta de concorrer com um candidato, Fernando Haddad, como uma espécie de regra três. A campanha de Geraldo Alckmin, dona de um latifúndio de tempo na propaganda eleitoral no rádio e na TV, batia em Bolsonaro, criticava o PT, mas aliviava para Lula. Ciro Gomes e Marina Silva também criticavam o PT mas, na expectativa de herdarem votos lulistas, também pouparam Lula.

Deixaram para Bolsonaro a exclusividade de expor a narrativa, descrita em inquéritos e processos pelos investigadores da Lava Jato, de que Lula chefiou uma quadrilha no maior assalto aos cofres públicos no Brasil e no mundo inteiro. Lula sempre reagiu a essas acusações se apresentando como vítima de uma conspiração por ter melhorado a vida dos mais pobres. Lula continua insistindo nessa versão. Na carta que divulgou nessa semana, ele afirmou que, se não estivesse injustamente preso, venceria as eleições no primeiro turno. Para ele, pouco importa se essa tosca versão ajuda ou prejudica Haddad.

Mesmo antes de ir para a cadeia, Lula se apegou a fantasias como ser um novo Nelson Mandela — um herói de verdade — a ser resgatado pelo povo. Com toda essa megalomania, ele encolheu durante a campanha eleitoral. A conta sobrou para Haddad, que perdeu tempo buscando  sem sucesso apoios que Lula afastou.

Nesse jogo que parecia jogado, Haddad acabou recebendo uma ajuda inesperada de Jair Bolsonaro. Evidente que as bobagens e bazófias dos filhos causaram um desgaste, reduzidos pelos corretivos do pai. Mas o  que pesou mesmo foi o discurso do próprio Bolsonaro, transmitido ao vivo para sua militância na Avenida Paulista, em que com arrogância fez ameaças a adversários, à imprensa e ao escambau e se apresentou como o novo dono do país.

Como assim? Quem fez campanha dizendo que o Brasil não tinha dono de repente se apresenta como candidato ao posto? Trombou com um dos carros-chefes de sua campanha eleitoral.

As pesquisas eleitorais dessa semana constataram isso. A do Ibope ligou o alerta e a da Datafolha mostrou o cartão amarelo. Advertiram Bolsonaro de que o verdadeiro recado das urnas é de que o Brasil não aceita dono. Não importa o lado.

DONO DO BRASIL

Bolsonaro ainda mantém ampla diferença de votos. Ele tem dado sinais de que pisou no freio das bobagens que vinha propagando. A dificuldade para Haddad é que essa insatisfação com Bolsonaro  não se traduz em sua aprovação, com rejeição ainda bem alta, alavancada pelos que não querem a volta de Lula para dar ordens no terreiro.

A conferir.

CIRO VOLTOU

Otto Dantas – Articulista e Repórter

O sonho de ser presidente da República de Ciro Gomes não acabou. Muito pelo contrário, ele saiu do pleito com a sensação de que a vitória lhe escapou das mãos.

E atribui a isso exclusivamente pela traição que sofreu de Lula e do PT.

Por outro lado, quanto a Fernando Haddad, nutre um sentimento de absoluto desprezo.

Ciro o considera uma pessoa medíocre, inescrupulosa, um pau-mandado, sem personalidade e mau-caráter.

O ex-presidenciável visualiza que com a derrota do PT, será guindado a líder da oposição.

Lula continuará preso e a tendência será o PT esfarelar.

Nesse sentido, dará seu voto a Jair Bolsonaro.

Cid Gomes, o irmão, demonstrou claramente o que eles pensam do PT.

otto@jornaldacidadeonline.com.br
Cerimônia de sorteio das urnas que serão auditadas acontece nesta sábado, véspera da Eleição e todos são convidados
Tribunal Regional Eleitoral faz demonstrações da urna biométrica no fim de semana no Distrito Federal, para familiarizar o eleitor com a urna eletrônica (José Cruz/Agência Brasil)
Tribunal Regional Eleitoral realiza auditoria das urnas (José Cruz/Agência Brasil)

ascom@tre-pe.jus.br

 

O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), realiza, neste sábado (27/10), véspera do 2º turno da Eleição,  uma operação que demonstra claramente, para todos os interessados, a segurança das urnas eletrônicas: o processo de auditoria das urnas.

O presidente do TRE, desembargador Luiz Carlos Figueirêdo, que convidou várias instituições para comparecer ao evento, fará a abertura da cerimônia, às 8h. Às 8h15, o secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do TRE-PE, George Maciel, explicará todo o processo de segurança que blinda as urnas contra fraudes.

Às 9h, o juiz Eduardo Guilliod,  presidente da Comissão de Auditoria da Votação Eletrônica, dará início ao sorteio das urnas que serão auditadas. O Ministério Público Federal participará de toda cerimônia.

A cerimônia de sorteio das urnas que serão auditadas acontecerá na Sala de Sessões do TRE, situado na Av. Agamenon Magalhães, nº 1160, Térreo, Graças, Recife.

Sorteadas as urnas, a auditoria de funcionamento  acontecerá no domingo de eleição (28), conforme determina a legislação eleitoral, e vai das 7h às 17h, no prédio anexo do TRE, situado na Av. Rui Barbosa, 320, 1º andar, Graças, Recife. Todos são convidados a participar do evento tanto no sábado quanto no domingo.

A ideia é dar transparência ao processo e mostrar que não há risco de fraude nas urnas eletrônicas. Foram convidados para o evento partidos políticos, universidades, auditorias, Assembleia Legislativa do Estado e outras instituições.

Todo o procedimento, tanto do sorteio no sábado quanto da auditoria no domingo, é aberto ao público.

Para entender o passo a passo de como funciona a auditoria abra este link:

https://mail.google.com/mail/u/0/#inbox/FMfcgxvzLNZkppWSRmKdJBhtJBlNNqrP?compose=DmwnWrRttgLTjftRfPVqnPmMXXlWNhtbFtWJQkQGKtrMLCVGJHCGkBqZstjVZwMBMQXQZLDnldcB
Crédito: Reprodução/Facebook
                                                                                                   Crédito: Reprodução/Facebook
Estadão Conteúdo

 

Tão logo postou uma foto ao lado do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL), a atriz Regina Duarte viu sua página no Instagram ganhar 300 mil seguidores em apenas quatro dias. Nas ruas, é festejada e cumprimentada, tornando-se um dos raros nomes da classe artística a abraçar a candidatura bolsonarista. “Ele tem uma alma democrática”, garante Regina, que interpreta as declarações consideradas homofóbicas e racistas do candidato como frutos de um homem com um “humor brincalhão típico dos anos 1950, que faz brincadeiras homofóbicas, mas que são da boca pra fora, coisas de uma cultura envelhecida, ultrapassada”.

A situação é diferente da vivida por ela em 2002, quando foi muito criticada ao revelar seu temor pela primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência. “Eu estava completamente alienada, pois o Lula já havia ganhado”, afirma. “Não me arrependo, mas, se pudesse voltar no tempo, teria me informado melhor sobre o que estava acontecendo naquele momento. O País queria o Lula e fui dar a cara a tapa à toa.”

Veja os principais trechos da entrevista, concedida no apartamento da atriz, na região dos Jardins, em São Paulo.

Quando você se sentiu à vontade para falar de Bolsonaro?

Foi há uns dois ou três meses. Eu estava “no armário”, e meu filho mais novo começou a me contestar: já que sempre fui uma pessoa democrática, aberta, justa, como eu podia me fechar no conceito de que Bolsonaro é bruto, tosco, ignorante, violento. “Você já chegou perto dele?” Respondi: “Não preciso me aproximar, sinto que é o candidato da raiva, da impotência, do ódio, contra a corrupção e não quero votar no emissário da raiva”. Mas, quando conheci o Bolsonaro pessoalmente, encontrei um cara doce, um homem dos anos 1950, como meu pai, e que faz brincadeiras homofóbicas, mas é da boca pra fora, um jeito masculino que vem desde Monteiro Lobato, que chamava o brasileiro de preguiçoso e que dizia que lugar de negro é na cozinha. Eu tinha algumas opções de voto, como o (Geraldo) Alckmin e o (João) Amoêdo, mas, nesse momento, me caíram fichas inacreditáveis, como as omissões do PSDB. Foi tudo ficando muito feio. Quantos equívocos, quantos enganos! Foi quando notei o tamanho da adesão desse país ao Bolsonaro e pensei: eu sou esse país, eu sou a namoradinha desse país.

Bolsonaro passa a imagem de ser truculento quando o assunto é homossexualidade, feminismo, quando fala sobre índios e nega efeitos negativos da ditadura.

São imagens montadas, pois mostram a reação dele, mas não a de quem provocou a reação. É unilateral. Quando souberam que ele ia se candidatar, começaram a editar todas as gravações e também a provocá-lo para que reagisse a seu estilo, que é brincalhão, machão. Daí fica a imagem de um homem tosco, bruto. Acredito que 80% dessas reações eram brincadeiras dele: você manda uma porrada e ele devolve outra. O homem com quem conversei durante 65 minutos quer chegar lá democraticamente, seguindo todas as regras das nossas instituições. Ele não estudou filosofia, mas o importante é seu preparo para nos proteger da roubalheira descarada. Bolsonaro é fruto do País, é resultado dos erros monstruosos do PT e da falta de mea-culpa.

Você abriu uma porta para outros artistas ao defender abertamente o Bolsonaro?

Alguém me falou que eu estou fazendo muito artista sair do armário, o voto envergonhado. Hoje, se tivesse de dizer alguma coisa para a juventude, usaria minha experiência do depoimento de 2002, quando disse ter medo do Lula. Eu estava completamente alienada, pois o Lula já havia ganhado a eleição. Aí fui botar a cara na TV, feito uma tonta, para falar de um sentimento, de uma intuição tão particular. Não me arrependo, mas, se pudesse voltar no tempo, teria me informado melhor sobre o que estava acontecendo naquele momento. O País queria o Lula e fui dar a cara a tapa à toa.

Qual deveria ser o primeiro passo do novo governante?

Resolver a impunidade, que é inadmissível, pois não se acaba com a violência em um país de impunidade. Meu filho perguntou por que eu estava novamente me envolvendo com política. Respondi que era por ele, pelos filhos dele e por todos nós. Não quero angariar votos para o Bolsonaro, até porque ele não precisa. Mas porque quero ficar com a consciência em paz, ao gritar em nome dos sem voz, dos milhões de brasileiros humilhados por não poderem dar um berro de dor e indignação. É como assinar um cheque em branco. Mas prefiro um cheque em branco da esperança.

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Na manhã desta sexta-feira (26), o deputado federal eleito Fernando Monteiro esteve em Petrolina em entrevista à Rádio Grande Rio FM, onde agradeceu pelos votos de confiança depositados em seu trabalho pelos sertanejos. Na região, o parlamentar contou com votação expressiva em cidades como Afrânio (4.125 votos) e Ipubi (5.663). Em Petrolina, foram mais de 2.800 votos.

Eleito com mais de 82 mil votos em todo Estado, Fernando Monteiro tem dividido sua agenda entre encontros com prefeitos pernambucanos em Brasília para dar andamento a projetos de liberação de recursos pela União, e ida às cidades para conversas com apoiadores.

Na rádio, o deputado federal citou alguns pontos de seus projetos para a região baseados em conversas presenciais pelas cidades sertanejas. Entre eles, a necessidade de um estudo aprofundado para a execução da mudança na forma de se fazer irrigação. Segundo ele, é preciso que se saia do modelo antigo, de aspersão, para o de gotejamento, que usa a água de forma mais eficiente. Outro ponto sempre destacado por Fernando Monteiro é a criação de um preço mínimo de venda da produção dos agricultores familiares, garantindo, assim, a renda dos pequenos produtores nos períodos de entressafra.

Conhecido como porta-voz dos sertanejos, o deputado federal se comprometeu em continuar se empenhando para a resolução dos problemas de abastecimento em Petrolina junto ao governador Paulo Câmara e para a criação de projetos para a geração de empregos na região. “Cada cidade tem uma vocação. Focando nelas podemos encontrar soluções para o amadurecimento e aperfeiçoamento de sua economia e consequente diminuição do desemprego”, pontua Fernando Monteiro.

Fotos: Divulgação

Diferença entre candidatos do PSL e do PT caiu de dezesseis para doze pontos; Rejeição de Haddad oscila negativamente para 52%, mas ainda é a mais alta
Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) (Miguel Schincariol/Daniel Ramalho/AFP)
Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) (Miguel Schincariol/Daniel Ramalho/AFP)
Por Guilherme Venaglia 

 

Nova pesquisa do instituto Datafolha, divulgada na noite desta quinta-feira 25, mostra a redução da diferença entre os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Em relação à semana passada, Bolsonaro caiu três pontos, de 59% para 56% e Haddad subiu, de 41% para 44%. A distância entre os dois agora é de doze pontos.

Nos votos totais, Bolsonaro oscilou negativamente de 50% para 48%, enquanto Haddad cresceu, de 35% para 38%. Brancos e nulos são 8% e indecisos são 6%. Segundo o Datafolha, 22% dos eleitores cogitam mudar de ideia até o dia da eleição.

A rejeição ao candidato do PT também oscilou negativamente dentro da margem de erro, de 54% para 52%, mas ainda é a mais alta. A de Bolsonaro subiu para além da margem, passando de 41% para 44%.

 

BOLSONARO E RODRIGO MAIA

Estadão Conteúdo

O presidente do PSL, Gustavo Bebianno, disse nesta terça-feira, 23, que, se for eleito presidente no domingo, Jair Bolsonaro vai anunciar uma equipe de transição composta por 52 pessoas e seguirá para Brasília em algum dia da próxima semana. “O dia exato ainda não está definido”, afirmou.

Segundo Bebianno, não existe acordo entre o candidato do partido à Presidência e o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para adiantar a votação de projetos defendidos GUSTAVO BEBIANNOpor Bolsonaro ou apoiar a reeleição de Maia à presidência da Casa.

“Zero conversa. Acredito que o presidente da Câmara não esteja preocupado com aquilo que seja do interesse do candidato Jair Bolsonaro, e sim com o que seja do interesse do Brasil. Vamos esperar o resultado da eleição”, afirmou Bebianno, antes de acompanhar o candidato do PSL na gravação dos últimos programas para o horário eleitoral, no Rio.

Maia se encontrou nesta terça-feira com representantes da “bancada da bala” no Rio. Segundo o líder da Frente Parlamentar da Segurança Pública, deputado Alberto Fraga (DEM-DF), ele prometeu levar ainda este ano à votação na Casa a modificação do Estatuto do Desarmamento. Maia não deu entrevista após o encontro. Horas depois, os parlamentares visitaram Bolsonaro, defensor da proposta.

A intenção de levar o projeto à votação da Câmara ainda este ano foi revelada pela Coluna do Estadão, do jornal O Estado de S. Paulo.

Para o petista, as instituições estão sendo ameaçadas pela “família Bolsonaro”
Brasília(DF), 11/10/2018 - Eleições 2018 - segundo turno - Entrevista do Metrópoles com Fernando Haddad. Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles
Brasília(DF), 11/10/2018 – Eleições 2018 – segundo turno – Entrevista do Metrópoles com Fernando Haddad (Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles)
Luciana Lima – Isto É

 

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, voltou a criticar seu adversário, Jair Bolsonaro (PSL), pelo não comparecimento aos debates na televisão. Em entrevista na noite desta quarta-feira (24/10), em São Paulo, Haddad disse que Bolsonaro teme um debate.

“E ele não vai a debate porque é frouxo. Não tem hombridade de debater comigo os destinos do país”, disparou o petista.

Para Haddad, a queda 12 pontos de Bolsonaro entre os eleitores evangélicos – movimento captado na pesquisa Ibope divulgada na terça-feira (23) – deve-se, principalmente, às mentiras que o candidato tem falado.

“O evangélico sabe o significado que a palavra verdade tem na Bíblia e sabe também o que significa a palavra mentira. Quando o meu adversário começou a mentir, os evangélicos se sentiram traídos. É isso que está impulsionando o voto evangélico. Eles estão perdendo a confiança no Bolsonaro”, analisou o presidenciável.

Conexão

Foto: Wilton Junior / Estadão Conteúdo
Foto: Wilton Junior / Estadão Conteúdo

Ao chegar ao Largo da Batata, na região central da capital paulista, Haddad voltou a comentar o discurso feito pelo happer Mano Brown, em comício na Lapa, no Rio de Janeiro. “As pessoas não entenderam o Mano Brown. Ele foi lá me dar apoio e disse uma coisa importante, que é necessário conectar com a periferia e reconectar com a dor das pessoas que estão sofrendo”, disse Haddad, que se mostrou otimista em relação ao resultado das eleições.

“Aqui em São Paulo, nós já passamos o Bolsonaro, porque essa reconexão já foi feita de forma mais fácil”. Ele (Mano Brown) tem toda razão e já está gravando um vídeo para gente. Estou aqui com o Emicida. Todo hip hop está conosco. Nós vamos virar esta eleição”.

Haddad também agradeceu o apoio recebido do tucano Alberto Goldmann, ex-governador de São Paulo. “O Goldmann é um democrata e sabe dos riscos que Bolsonaro representa. As instituições estão se sentindo ameaçadas pela família Bolsonaro e por tudo que ele representa”, disse Haddad.

 

CÂMARA FEDERAL VAZIA 2

Orlando Brito – Os Divergentes

 

O Brasil inteiro está voltado para a eleição do próximo domingo, com o eleitor voltando às urnas para decidir no segundo turno quem vai escolher para governar os estados e o País. Se Jair Bolsonaro ou Fernando Haddad. O clima de campanha está em todo lugar, menos na sede da política, o Congresso Nacional.

Sessões da Câmara para valer mesmo, só depois da eleição do dia 28. Ou seja, talvez a partir da terça-feira da semana que vem. É quando deverá ser retomada a pauta de votação de temas cuja tramitação foi ficando durante o ano “para depois”. Por exemplo, o projeto do desarmamento. E, bom lembrar, do Congresso para aprovar o Orçamento de 2019.

É quando também os senhores deputados que não retornarão para o próximo mandato começam a esvaziar as gavetas. E os novos – grande número em sua primeira experiência como parlamentar federal – chegam para conhecer a Casa, batalhar por gabinetes bem localizados, formar equipe de assessores etc.

Na próxima semana, com o novo presidente da República enfim eleito, as conjecturas para escolher o deputado que vai presidir a Câmara mudam de fase. Vão para a etapa das possibilidades, conversas, discussões e acertos para decidir se Rodrigo Maia prossegue à frente do CÂMARA FEDERAL VAZIAcomando da Casa ou se haverá um nome novo para seu lugar.

Por enquanto, Câmara vazia. Vivalma para ocupar as cadeiras do plenário. O famoso Salão Verde, normalmente tão movimentado e repleto de parlamentares, assessores, lobistas, visitantes e jornalistas agora é somente ponto de encontro para turistas que vão conhecer o Parlamento brasileiro. A observá-los, “O Anjo”, a bela e simbólica escultura de Alfredo Ceschiatti.

Fernando Haddad leu carta de Lula. Gleisi Hoffmann com o registro da candidatura. Manuela D'Ávlia e Eduardo Suplicy também estavam na Marcha Lula Livre Para Ser Candidato a Presidente.
Fernando Haddad leu carta de Lula. Gleisi Hoffmann com o registro da candidatura. Manuela D’Ávlia e Eduardo Suplicy também estavam na Marcha Lula Livre Para Ser Candidato a Presidente.

 

Por Andrei Meireles – Os Divergentes

 

Fernando Haddad chega à reta final da eleição como candidato ainda em crise com a própria identidade. Ele decolou no primeiro turno escondido por uma máscara de Lula, exibida à exaustão, em meio a uma disputa interna com Gleisi Hoffmann sobre quem era o preferido do ex-presidente da República, preso por corrupção e lavagem de dinheiro em Curitiba.

Por mais méritos que tenha, no mundinho petista, Haddad sempre foi tratado como um mero peão no jogo. Era visto como um coxinha que por acaso jogava no time do PT. Como o titular Lula foi barrado, ele entrou em campo, mesmo a contragosto dos chefes da torcida,  e aí não tinha como não apoiá-lo.

A candidatura Haddad é um paradoxo em si. Nunca encantou a burocracia que manda no partido e ficou no hora a ver no tradicional eleitoral petista, já decepcionado com o mergulho do partido no pântano da corrupção.

HADDAD CHEQUE EM BRANCO 1Mesmo com tantas contradições, o PT apostou num suposto bilhete premiado que era enfrentar a “besta-fera” Jair Bolsonaro no segundo turno, sparring ideal de todos que largaram na corrida presidencial.

Erro grosseiro de avaliação. Lula acostumou o PT a achar que seus pecados, por mais graves que sejam, sempre seriam perdoados pela desculpa de que foram cometidos junto com sua defesa dos mais pobres. Por essa ótica, pouco importa se foram praticados em parceria com os mais ricos para afanar os cofres públicos. Puro ouro de tolo.

Aí entra Haddad em cena. Quer dizer, nem entra. Foi escalado como figurante em uma campanha que tinha como objetivo defender Lula, condenado em duas instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro. Por ordem de Lula, que só enxergava o próprio umbigo, o PT simplesmente ignorou as alternativas para derrotar a crescente raiva popular que não queria a volta do partido ao poder. Uma avenida, na falta de juízo, aberta para Bolsonaro.

HADDAD CHEQUE EM BRANCO 2Mesmo alertado sobre isso, em momento algum, Lula abriu espaço para alguma alternativa. Como sempre, desde seus tempos de sindicalista, sua preocupação foi fechar toda e qualquer possibilidade de alguma sombra. Lula sempre quis reinar sozinho. Faz isso com tanta competência que cegou até gente bem informada que não consegue enxergar seus defeitos.

Seus devotos, ainda que preguem uma virada, atribuem a provável derrota eleitoral ao candidato Haddad e à manipulação dos eleitores por intermédio das redes sociais.

Zero de autocrítica.

O desempenho de Haddad e o chumbo trocado nas redes sociais repetem o jogo de sempre atribuir seus próprios fracassos a outros.

Pior do que perder é perder fingindo não saber porque.

A conferir.

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