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A advogada Gisele Martorelli, muito conhecida no Recife, pediu a prisão do jornalista Ricardo Antunes. O blog do jornalista – conhecido pelos seus “furos” no chamado jornalismo investigativo – revelou o escândalo do Restaurante Leite, onde duas das três filhas, Daniele e Silvana, junto com o genro do Sr. Armênio Dias, Theo da Fonte, neto do empresário Raymundo da Fonte, estão em briga judicial pelo controle do restaurante.

O escritório da advogada Gisele Martorelli é investigado no Ministério Público Federal por um procedimento criminal.

Segundo o MPF ela teria atuado em processo de guarda judicial de menor, para que a perita Carolina Xavier Luna, que é coordenadora do Núcleo de Terapia Familiar da UFPE, manipulasse um laudo judicial requisitado pelo Juiz de Direito da 1ª Vara de Infância e Juventude da Capital.
O pedido de prisão do jornalista não tem qualquer amparo legal, embora em sua ação a advogada diga que o jornalista – censurado por uma liminar dada pelo desembargador Jovaldo Nunes – não cumpriu a decisão do TJ de retirar as matérias sobre o assunto do seu blog. O advogado do jornalista Romulo Lins já comunicou ao desembargador que isso foi feito dentro do prazo legal.
Além disso, a advogada também entrou com um pedido de multa de R$ 42 mil para o jornalista com base no mesmo “fake news”. O de que ele não teria retirado as matérias do ar. Ricardo Antunes obteve vitória na primeira instância, onde o mesmo juiz considerou que as matérias tinham interesse público e foram baseadas no próprio processo judicial, que não está em segredo de justiça.
Entidades como a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Associação Pernambucana de Imprensa (AIP), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Associação Brasileira de Jornalismo investigativo (Abraji), e entidade de defesa da liberdade de expressão como a Article 19, já manifestaram seu repúdio a mais essa tentativa de intimidar a imprensa através de pedidos diversos a justiça, apenas com o objetivo de causar transtornos financeiros aos profissionais de imprensa.
Na próxima semana representantes das entidades irão pessoalmente à sede do Tribunal de Justiça de Pernambuco deixar uma moção de repúdio para que o desembargador Jovaldo Nunes – conhecido pela sua seriedade – revogue sua decisão, assim como foi feito no caso da censura à Revista CrusoÉ e ao site Antagonista.

Na oportunidade, o próprio ministro Alexandre de Moraes reconheceu o excesso e acabou com a mordaça que havia sido imposta aos dois veículos.

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