DINHEIRO PÚBLICO BANCA SHOWS


Enquanto faltam remédios nos postos de saúde, merenda nas escolas e infraestrutura nas ruas, prefeitos de vários municípios pernambucanos decidiram priorizar outra pauta: shows milionários para o São João. Um levantamento divulgado pelo Ministério Público de Pernambuco escancarou uma realidade que revolta: das 10 cidades que mais gastaram com artistas neste período junino, 8 estão entre os piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado.
O contraste entre o brilho dos palcos e a precariedade do dia a dia da população é tão evidente quanto escandaloso. São Joaquim do Monte, por exemplo, lidera essa lista vergonhosa. O município, com IDH de 0,537, um dos mais baixos de Pernambuco, destinou R$ 600 mil para o cachê de um único artista. Um valor que, sozinho, poderia cobrir parte significativa de investimentos urgentes em saúde preventiva, abastecimento de água ou reforço escolar.
A situação se repete em Itapetim, que gastou R$ 1,71 milhão com shows, e cujo IDH é de apenas 0,592. O montante inclui R$ 600 mil pagos a um único cantor, em uma cidade marcada por limitações orçamentárias severas. Tacaimbó, com IDH de 0,568, também entra na lista com valores elevados em meio à carência generalizada.
Outros municípios como Jaqueira (IDH 0,567), Camocim de São Félix (0,572), Saloá (0,573), Ibimirim (0,575) e Flores (0,577) seguem o mesmo padrão: estão entre os piores indicadores de qualidade de vida do estado, mas aparecem entre os que mais torraram recursos públicos com atrações musicais.
Fecham a lista duas exceções: Caruaru e Vitória de Santo Antão, cidades que têm maior arrecadação, melhor IDH e tradição consolidada nos festejos juninos. Nessas, embora os gastos também sejam altos, há um contexto mais equilibrado de gestão e infraestrutura.
O show pode até começar pontualmente, com luzes, fogos e multidão. Mas, quando a última sanfona silencia, quem vive nesses municípios volta para casa com as mesmas dificuldades de sempre e agora, com a conta ainda mais alta.


