A crescente ambição do prefeito de Vitória de Santo Antão, Paulo Roberto (MDB), tem provocado turbulências dentro e fora de sua base aliada. Seu comportamento cada vez mais centralizador e a clara intenção de construir uma dinastia familiar no poder vêm minando apoios e acirrando disputas que podem comprometer a estabilidade política não só no município, mas também no tabuleiro estadual.

Desde que alavancou a eleição da filha, Iza Arruda, à Câmara Federal, Paulo Roberto passou a enxergar seu grupo como protagonista estadual. Sua disposição em se lançar como nome para uma chapa majoritária — seja ao Senado, seja como vice-governador — surpreendeu até membros do MDB, partido pelo qual já travou embates internos, especialmente com o ex-deputado Raul Henry. A tentativa de hegemonia no partido e na política local revela um projeto de poder que não aceita contrapontos.

A mais nova cartada dessa estratégia é a pré-candidatura do filho caçula, Túlio Arruda, a deputado estadual. Atual secretário da Prefeitura do Recife, Túlio mira justamente a cidade de Vitória como reduto eleitoral. O movimento, no entanto, não caiu bem entre aliados históricos, como o deputado estadual Joaquim Lira, que se viu ameaçado em sua própria base. Em resposta, articula o retorno do pai, Elias Lira — figura tradicional da política local — como candidato a deputado federal. A ação é clara: dividir votos e testar forças.

Essa escalada de tensionamentos expõe uma gestão que prioriza interesses familiares em detrimento da coesão política. O custo pode ser alto: desgaste com antigos aliados, fragmentação de votos e enfraquecimento das candidaturas do próprio grupo. A imagem de Paulo Roberto, antes vista como a de um gestor habilidoso, começa a ser associada à de um político obcecado por controle e expansão de influência.

Em política, o excesso de apetite costuma gerar indigestão. Se Paulo Roberto seguir ignorando os sinais de alerta e insistir em atropelar acordos e aliados, pode ver seu projeto ruir antes mesmo de sair de Vitória. Afinal, quem tenta abarcar tudo sem medir consequências, corre o risco de perder até o que já conquistou.

Fonte: Blog do Edmar Lyra

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