A aprovação da retirada do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) do arcabouço fiscal ainda está incerta na Câmara dos Deputados, após ter sido aprovada na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, declarou em uma entrevista que o governo pode apoiar a inclusão do FCDF no novo teto de gastos da União, caso haja uma mudança de posição na Câmara. Embora Ceron defenda a inclusão do fundo, a Secretaria de Planejamento do DF estima perdas de R$ 87 bilhões nos próximos 10 anos se isso acontecer.
Os parlamentares do DF estão defendendo a não inclusão do fundo no teto, enquanto o governo federal continuará pleiteando sua inclusão na Câmara.
O mercado financeiro está mais otimista em relação à economia do país, com aumento na expectativa de crescimento do PIB. As projeções indicam um crescimento de 2,18% para este ano, em comparação com 1,26% previsto há quatro semanas. As expectativas também são positivas para os anos seguintes, com previsões de altas de 1,22%, 1,83% e 1,92% para os anos de 2024, 2025 e 2026, respectivamente.
Em relação à inflação, o mercado também se mostra otimista, com queda nas projeções para 2023 e 2024. O IPCA, índice oficial de inflação, teve a projeção reduzida de 5,12% para 5,06% para este ano. No entanto, as projeções ainda estão acima do limite superior da meta estabelecida pelo BC.
As expectativas para a taxa básica de juros (Selic) permanecem estáveis, com previsões de 12,25% para 2023, 9,5% para 2024 e 9% e 8,75% para 2025 e 2026, respectivamente. Quanto à cotação do dólar, a previsão se mantém estável em R$ 5 para o final de 2023 e em R$ 5,10 para 2024.
De acordo com o Município, os interessados em fazer parte da empresa devem se cadastrar no site sou.aec.com.br e comparecer à Casa Integrada do Trabalho/SINE, que fica localizada na Rua São Francisco, no bairro Ouro Preto. Os atendimentos vão acontecer das 8 h às 14 horas, de 28 a 30 de junho.
O Município informa que dentre as ações realizadas durante os três dias, estão o recrutamento dos candidatos cadastrados no site da empresa e a triagem do setor de Recursos Humanos Itinerante para contratação imediata.
Atualmente, a agência gera mais de 4 mil empregos em Arapiraca.
“Seja para um jovem buscando o primeiro emprego ou alguém procurando desenvolvimento profissional, essa é uma oportunidade valiosa para todo arapiraquense que deseja entrar no mercado trabalho”, destaca o Município.
Mutirão de recrutamento será realizado nos dias 28, 29 e 30 de junho; interessados devem se cadastrar em site; saiba como
Segundo o Município, agência gera atualmente mais de 4 mil empregos em Arapiraca (foto: Ascom Arapiraca)
Parceria entre a Prefeitura de Arapiraca, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo; e a empresa de call center AeC, vai disponibilizar 400 vagas de emprego. Um mutirão de recrutamento será realizado nos dias 28, 29 e 30 de junho.
De acordo com o Município, os interessados em fazer parte da empresa devem se cadastrar no site sou.aec.com.br e comparecer à Casa Integrada do Trabalho/SINE, que fica localizada na Rua São Francisco, no bairro Ouro Preto. Os atendimentos vão acontecer das 8 h às 14 horas, de 28 a 30 de junho.
O Município informa que dentre as ações realizadas durante os três dias, estão o recrutamento dos candidatos cadastrados no site da empresa e a triagem do setor de Recursos Humanos Itinerante para contratação imediata.
Atualmente, a agência gera mais de 4 mil empregos em Arapiraca.
“Seja para um jovem buscando o primeiro emprego ou alguém procurando desenvolvimento profissional, essa é uma oportunidade valiosa para todo arapiraquense que deseja entrar no mercado trabalho”, destaca o Município.
Realizada pelo MPPE, reunião tratou das medidas que podem ser realizadas pelo município sobre o combate às drogas
A secretária de Assistência Social e Direitos Humanos, Eliane Madeira participou nessa quinta-feira (22) da audiência do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) sobre a Política Municipal sobre Drogas. Na ocasião, a secretária, que representou o Prefeito Sivaldo Albino, fez a explanação sobre a política e a preocupação do município quanto a esta pauta, além do que pode ser feito a médio e longo prazo para amenizar os efeitos e consequências devastadoras do uso de drogas.
Além da secretária, participaram da reunião representantes da Secretaria de Saúde, Educação, Mulher, Creas; Polícias Civil e Militar, entre outros órgãos que atuam, direta ou indiretamente, com a temática abordada. O secretário executivo da Secretaria de Políticas sobre Drogas do Estado, Iuri Francisco Ribeiro, também participou do momento.
Nesta quarta-feira (21), o presidente do Instituto de Terras e Reforma Agrária do Estado de Pernambuco (Iterpe), Henrique Queiroz, concedeu entrevista ao programa Cidade em Foco, da Rede Pernambuco de Rádios. O gestor falou sobre sua pré-candidatura a prefeito de Buenos Aires e disse que a aprovação do atual prefeito Fabinho Queiroz (PSD) tem ajudado a alavancar seu nome para a disputa de 2024.
“Se Fabinho fosse uma pessoa que não tivesse essa aprovação e esse trabalho todo, automaticamente, ele puxaria seu candidato para baixo, mas ele está levando minha aprovação nas alturas. Eu fui o escolhido como pré-candidato a prefeito, fui escolhido para o município de Buenos Aires”, disse.
Henrique enfatizou o fato dele ser uma figura que se faz presente na cidade. “Já sou radicado com eleitor e morador do município há bastante tempo, voto em Buenos Aires, estou por dentro de todas as normas e não fiz minha transferência eleitoral em cima da hora”, destacou o gestor.
O presidente do Iterpe destacou ainda que desde 1982 que ele se faz presente no município, que foi criado e conhece toda a região. Henrique enfatizou que isso lhe deixa muito a vontade para concorrer porque é um município em que ele é filho e não um aventureiro.
Empresas e produtores rurais assinaram R$ 12 milhões em contratos com o Banco do Nordeste na 56ª edição da Feira do Caminhão, realizada de 9 a 12 de junho no município de Itabaiana, no agreste de Sergipe. Os itens financiados foram um caminhão, um trator e recursos para investimento rural. O momento também proporcionou a captação de novas propostas de crédito. Para o gerente da agência Itabaiana, Milton Flávio, a Feira promove integração. “Itabaiana é um dos maiores centros comerciais do estado, com atividades que vão de produção de alimentos a indústria têxtil e materiais para construção civil. Os caminhoneiros representam uma parte importante para expandir o comércio a outras regiões do país. E mais uma vez, a Feira reforçou a parceria entre o BNB e diversos segmentos ligados ao comércio e aos serviços, sendo uma catalisadora para a realização de negócios”, disse o gestor. O superintendente estadual do Banco do Nordeste, César Santana, avaliou a participação no evento. “A presença do BNB em um evento tão importante quanto a Feira do Caminhão mostrou o compromisso com o desenvolvimento do setor e da Região. O apoio ao evento, o atendimento das equipes do Banco e assinatura dos contratos revelam que trabalhamos sempre para além do acesso ao crédito”, afirma. Os quatro dias da Feira foram diversos: além dos estandes de marcas e parceiros, a programação incluiu exposições em murais, gincanas, sorteios, palestras e concurso para eleger a “rainha dos caminhoneiros”. Ao mesmo tempo, atrações musicais locais e nacionais se apresentaram na Festa do Caminhoneiro, realizada simultaneamente. O BNB financia a compra de veículos por meio de diversas linhas de crédito utilizando recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). Uma das linhas mais utilizadas é FNE Comércio e Serviços, que apoia a aquisição isolada de ônibus, micro-ônibus e caminhão com prazos de até 10 anos, com até 12 meses de carência.
Capital do caminhão
Desde 2014, Itabaiana é reconhecida pelo governo federal como a Capital Nacional do Caminhão. A primeira edição da Feira aconteceu em 1965 e desde então se tornou um dos eventos mais tradicionais no calendário da cidade. Apenas no município, mais de 8 mil caminhões estão registrados, segundo dados da prefeitura. Somados às cidades vizinhas, a frota ultrapassa 10 mil veículos.
Novo texto foi apresentado nesta quinta-feira para ser negociado antes de ir a votação no Plenário, em julho
O relator da reforma tributária (PEC 45/19), deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), disse que um dos principais pontos que travaram as tentativas de reforma anteriores foi solucionado agora. Ele apresentou um substitutivo com a criação de dois fundos, com aportes da União, para compensar perdas estaduais com as mudanças no sistema. “No passado, este foi o grande impeditivo da reforma tributária andar. Então, queremos consignar como um fato muito relevante nós termos a demonstração concreta de incluir na emenda o aporte de recursos da União para o FDR”, disse.
Ribeiro disse que o Fundo de Desenvolvimento Regional vai compensar o fim da guerra fiscal. Com a criação do novo imposto sobre valor agregado, que vai substituir IPI, PIS, Cofins, ICMS e ISS, os estados perdem a possibilidade de reduzir alíquotas de ICMS para atrair investimentos. Isso porque o tributo será cobrado no local de consumo e não no de origem dos produtos e serviços. O Fundo terá então aportes de R$ 8 bilhões em 2029 e R$ 40 bilhões a partir de 2033 para projetos de desenvolvimento locais. Mas os critérios de distribuição do FDR ainda estão em discussão.
Também será criado outro fundo para garantir os benefícios tributários já negociados pelos estados e que devem acabar em 2032. Serão R$ 8 bilhões em 2025, chegando a R$ 32 bilhões em 2028.
Aguinaldo Ribeiro explicou que o novo tributo será dividido em um Imposto sobre Bens e Serviços gerido pelos estados e municípios e uma Contribuição sobre Bens e Serviços, federal. Os dois terão, no máximo, três alíquotas: a padrão, uma reduzida em 50% para alguns bens e serviços (transportes, serviços de saúde, serviços de educação, produtos agropecuários, cesta básica, atividades artísticas e culturais) e uma alíquota zero (medicamentos, Prouni, produtor rural pessoa física). Mas os percentuais serão discutidos na lei complementar.
Os novos tributos serão não cumulativos; ou seja, o imposto pago em uma fase da produção será descontado na fase posterior. O texto também prevê a devolução de imposto por cashback, mas também com regulamentação posterior.
Segundo o relator, serão duas transições para o novo sistema tributário. A transição para o fim dos cinco tributos será de oito anos, de 2026 a 2033. Já a transição da distribuição da arrecadação, para evitar perdas para alguns estados, seria de 50 anos, de 2029 a 2078. Isso porque a mudança da cobrança da origem para o local de consumo poderia gerar perdas para estados “produtores”.
“Havia um debate de vários estados querendo antecipar. Outros, querendo mais longo que esse período. Chegamos a receber proposta de 60 anos de transição federativa. Então achamos por bem manter no substitutivo os 50 anos enquanto não há um consenso. Acho que avançamos bastante”, afirmou.
A reforma mantém a criação de um Imposto Seletivo para sobretaxar produtos e serviços que sejam nocivos à saúde e ao meio ambiente. E serão mantidos nas regras atuais o Simples Nacional e a Zona Franca de Manaus. Caso as modificações na tributação do consumo aumentem a arrecadação geral, um dispositivo no texto prevê a redução das alíquotas do IBS e da CBS.
O substitutivo confirma mudanças nos impostos sobre patrimônio (IPTU, IPVA e ITCMD) e determina um prazo de 180 dias após a promulgação da emenda constitucional para que seja enviada a segunda fase da reforma. Nesta fase, seria discutida a tributação da renda. O resultado das mudanças poderá ser utilizado para reduzir a tributação sobre folha de salários e até mesmo sobre o consumo.
Tanto Aguinaldo Ribeiro quanto o coordenador do Grupo de Trabalho da Reforma, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), disseram que o substitutivo é preliminar e ainda será ajustado até o momento da votação em julho.
Reportagem – Silvia Mugnatto Edição – Wilson Silveira
Previsto para ser lançado na próxima quarta-feira (28), o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) esteve a um passo de ser comprometido. A falta de apoio para acesso dos recenseadores a áreas remotas ou carentes e resistência de alguns cidadãos abastecidos por notícias falsas por pouco fizeram o equivalente a quase um estado do Rio de Janeiro deixar de ser contado.
Ao longo dos últimos três meses, sucessivos mutirões do IBGE e do Ministério do Planejamento conseguiram reverter a situação. Uma série de forças-tarefas incluiu, de última hora, 15,9 milhões de brasileiros no censo. Ao todo, foram três operações especiais. A primeira buscou alcançar brasileiros na Terra Indígena Yanomami, que nunca tinham sido recenseados. As outras procuraram reduzir a taxa de não resposta em dois ambientes opostos, mas com resistência a recenseadores: favelas e condomínios de luxo.
“Nesta semana, vamos deixar para trás informações de 13 anos atrás, do Censo de 2010. Para formular políticas públicas, conhecer as demandas da população e atuar em emergências, precisamos de informações atualizadas. O recenseamento é essencial para conhecer quem somos, quantos somos e como somos hoje. Não como éramos”, diz o assessor especial do Ministério do Planejamento, João Villaverde.
Indígenas
Realizado em março, o recenseamento na Terra Indígena Yanomami incluiu 26.854 indígenas no censo, dos quais 16.560 em Roraima e 10.294 no Amazonas. O mutirão foi essencial para atualizar a população indígena no Brasil, estimada em 1,65 milhão de pessoas segundo balanço parcial apresentado em abril. O número completo só será divulgado em julho, quando o IBGE apresentará um balanço específico do Censo 2022 para a população indígena.
A operação na Terra Yanomami foi complexa, mas conseguiu, pela primeira vez na história, recensear 100% da etnia no território. Por envolver dificuldades de acesso a aldeias aonde só se chega de helicóptero, o mutirão foi coordenado por cinco ministérios e reuniu 110 servidores federais dos seguintes órgãos: Polícia Rodoviária Federal, que forneceu os helicópteros; Ministério da Defesa, que forneceu o combustível; guias do Ministério dos Povos Indígenas; servidores da Secretaria de Saúde Indígena da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai); além dos próprios recenseadores do IBGE.
Nas favelas, o censo esbarrava em outras dificuldades. Além da falta de segurança em alguns locais, muitos moradores não queriam abrir a porta para o recenseador porque tinham recebido falsas notícias de que teriam benefícios sociais cancelados. Outro problema, principalmente em áreas mais densas, era a falta de endereços nas comunidades. Muitas vezes, os recenseadores não tinham informação sobre novas moradias surgidas nos últimos anos, como puxadinhos e lajes num mesmo terreno.
“O que impedia a entrada dos recenseadores na favela era a falta de conexão dos recenseadores e do Poder Público com as pessoas que moram lá. Além disso, havia a falta de conscientização das pessoas por falta de uma explicação que alcançasse os moradores das favelas da importância do censo e de respostas sinceras e objetivas”, analisa o Marcus Vinicius Athayde, diretor do Data Favela e da Central Única adas Favelas (Cufa), que auxiliou o IBGE no mutirão.
O mutirão começou no fim de março, com o lançamento de uma campanha na Favela de Heliópolis, em São Paulo, do qual participou a ministra do Planejamento, Simone Tebet. A operação ocorreu em 20 estados e registrou aglomerados subnormais (nomenclatura oficial do IBGE para favelas) em 666 municípios. O número de habitantes só será conhecido em agosto, quando o IBGE divulgará um recorte do Censo 2022 para as favelas.
Segundo Athayde, a Cufa ajudou primeiramente por meio de uma campanha chamada Favela no Mapa, que usou as lideranças estaduais da entidade para conscientizar os moradores de favelas da importância de responder ao censo. Em seguida, a Cufa recrutou moradores de favelas e lideranças locais para atuarem como recenseadores e colherem os dados das comunidades onde moram. Também houve mutirões de respostas em eventos comunitários.
“Responder ao censo traz benefícios de volta para o morador da favela, para seus vizinhos, para sua família, na medida em que o governo e as políticas públicas atuarão de forma mais adequada para essa população”, destaca Athayde.
Condomínios
Por fim, o último flanco de resistência a recenseadores concentrava-se em condomínios de luxo, principalmente em três capitais: São Paulo, Rio de Janeiro e Cuiabá. “Historicamente, a taxa de não resposta, que é o morador que não atende ao recenseador, fica em torno de 5%. Isso em todos os países que fazem censo. Nessas três cidades, a taxa estava em 20% em condomínios de alto padrão”, conta Villaverde, do Ministério do Planejamento.
No Censo 2022, a média nacional de não respostas estava em 2,6% segundo balanço parcial divulgado em janeiro. No estado de São Paulo, alcançava 4,8%, principalmente por causa da recusa de moradores de condomínios de renda elevada.
Para contornar os problemas, o Ministério do Planejamento e o IBGE promoveram uma campanha maciça em redes sociais. Parte das inserções foi direcionada a sensibilizar porteiros, que obedecem a regras restritas para entrada de estranhos. Outra parte esclareceu que síndicos não têm o poder de proibir o morador de receber o IBGE. “Muitas pessoas queriam atender ao censo, mas não sabiam que o recenseador não tinha vindo porque o síndico vetava”, recordou Villaverde. Também houve reportagens de quase 10 minutos em televisões locais sobre o tema.
Segundo o assessor especial do Planejamento, a mobilização foi um sucesso. “Em uma dessas três capitais, conseguimos reduzir a taxa de não resposta para menos de 5% em condomínios de alta renda”, diz. A operação para os condomínios começou em 14 de abril e estendeu-se até 28 de maio, último dia de coleta de dados para o Censo 2022.
Entraves
A realização do Censo 2022 enfrentou diversos entraves. Inicialmente previsto para 2020, o recenseamento foi adiado por causa da pandemia de covid-19. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) obrigou o governo anterior a realizar o censo em 2022.
Na época, o Ministério da Economia autorizou R$ 2,3 bilhões para o censo, mesmo orçamento de 2019 que desconsiderava a inflação acumulada em dois anos. Com a coleta de dados iniciada em 1º de agosto, o Censo 2022 inicialmente estava previsto para encerrar-se em outubro do ano passado. Com dificuldades para a contratação, o pagamento e a manutenção de recenseadores, o fim do censo foi primeiramente adiado para fevereiro deste ano.
Com falta de verba e alta proporção de não recenseados, o governo atual decidiu fazer uma suplementação orçamentária de R$ 259 milhões ao IBGE. O Ministério do Planejamento também decidiu seguir a recomendação do Conselho Consultivo do IBGE, formado por ex-presidentes do órgão, demógrafos e acadêmicos, e estender a coleta de dados até o fim de maio. Em abril, uma série de remanejamentos internos no órgão evitou um novo pedido de verbas pelo IBGE.
Desde 29 de maio, o IBGE está rodando os dados, para a divulgação na próxima quarta-feira. “No início do ano, o ministério tomou a difícil decisão de seguir 100% das recomendações do Conselho Consultivo porque os dados colhidos até então não garantiam a qualidade do censo. Agora, com as operações especiais e o tempo extra de coleta, temos a certeza de que o recenseamento está robusto e em linha com os parâmetros internacionais de qualidade”, diz Villaverde. Da Agência Brasil
Enquanto um Castor de Mattos ensaiava a defesa, o outro acusava as vítimas da Lava Jato. Entenda o caso no Jornal GGN
Os conflitos de interesses envolvendo a indústria da delação premiada na Lava Jato já é de conhecimento público. A novidade é que um dos réus da operação decidiu denunciar o advogado Rodrigo Castor de Mattos, irmão do procurador de Curitiba Diogo Castor de Mattos, por ter assumido sua defesa ao mesmo tempo em que o familiar trabalhava do outro lado do balcão, na acusação.
O GGN teve acesso à denúncia feita réu da Lava Jato à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Paraná, colocando a credencial do advogado Rodrigo Castor de Mattos em xeque. Seu irmão, Diogo Castor, recebeu pena de demissão do Conselho Nacional do Ministério Público em outro caso.
Declarando-se vítima de uma prisão ilegal e desnecessária na Lava Jato, o empresário Eduardo Aparecido de Meira – usado pela força-tarefa para tentar atingir José Dirceu – alegou que só percebeu que “não teve defesa” depois de mais de 288 dias de prisão a mando de Sergio Moro.
Meira foi preso na 30ª fase da Lava Jato, denominada Vício. Um dos alvos era a sua empresa, a Construtora Credencial, que prestava consultoria a fornecedoras de tubos à Petrobras. Segundo as investigações, a organização servia de fachada e intermediava pagamento de propina em dois contratos com a estatal, beneficiando José Dirceu.
Quando foi preso e levado para Curitiba, Meira dispunha de advogados em São Paulo, local onde residia. Segundo o relato exclusivo de Meira ao GGN, estes defensores trouxeram para a defesa o advogado Rodrigo Castor de Mattos e sua irmã, Analice Castor de Mattos, sob a justificava que “eram especialistas em Sergio Moro“, ou seja, em acordos de delação.
Meira afirmou que só descobriu que Rodrigo Castor de Mattos era irmão do procurador Diogo Castor de Mattos, da Lava Jato, quando saiu da cadeia e teve acesso a reportagens e documentos revelados na série de reportagens batizadas de Vaza Jato. Ali, Meira sentiu que, na prática, “não teve defesa“.
O contato com Castor de Mattos
Em entrevista ao GGN, Meira contou como foi o primeiro encontro com Rodrigo Castor de Mattos, ainda na prisão em Curitiba, e como sentiu-se pressionado a fazer um acordo de delação premiada.
“Em 2016, um advogado chegou acompanhado do sócio no parlatório da Polícia Federal. O nome desse advogado é Rodrigo Castor de Mattos. O sócio dele, Juliano Campelo Prestes. Eles vieram me propor delação, se não, eu não sairia de lá. Essa era a pressão, total psicológica, uma tortura configurada(…) porque preso preventivamente não sabe quando vai sair“, relatou Meira.
Mesmo sem concordar com a delação, Meira continuou sendo representado por Rodrigo Castor de Mattos e outros advogados paulistas, em recursos levados aos tribunais superiores, segundo apurou o GGN.
Só após sair da prisão, Meira recolheu evidências de que o procurador Diogo Castor de Mattos fora destacado pelo então chefe da força-tarefa, Deltan Dallagnol, para cuidar da denúncia envolvendo a sua empresa, a Credencial.
“Quando eu saí da cadeia, fiquei lendo tudo o que aconteceu na Lava Jato. Em uma noite, encontrei um texto. Deltan Dallagnol estava designando as funções para os procuradores. No final deste parágrafo, lá embaixo, escrito em meia linha que foi cortada, está: Diogo assumiu Credencial – que era minha empresa. Tinham dois irmãos: um me defendendo, e outro me atacando“, apontou.
Representação na OAB-PR
Em abril de 2022, Meira, por meio do advogado Túlio Denig Bandeira, apresentou uma representação à Comissão de Fiscalização do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB do Paraná contra Rodrigo Castor de Mattos, “em razão do exercício ilegal da profissão”.
No documento, Meira argumenta que “além da infração ética, poderia, em regra, o Dr. Rodrigo, incorrer também em crime de patrocínio infiel”, uma vez que, de acordo com o artigo 133 da Carta Magna, “o advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei”.
Um ano depois, em abril de 2023, a defesa de Meira fez uma emenda à representação. O GGN apurou que a ação na OAB-PR tramitam em sigilo. Procurada, a instituição não ofereceu informações sobre o andamento processual.
O futuro de Castor de Mattos
Pelas regras, as turmas de Ética da OAB ficam encarregadas pelo processo, julgamentos e sanções impostas. Cabem recursos até o limite do Conselho Federal.
Segundo o jurista Arnobio Rocha, que foi vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB de São Paulo, “o tempo médio de tramitação destes processo é de três anos, podendo variar para mais ou para menos”.
Rocha explicou à reportagem que, em geral, a suspensão da inscrição de advogado só acontece após três condenações pelo Tribunal de Ética. Contudo, a depender da gravidade do caso, a credencial pode ser suspensa já na primeira condenação.
Outro lado
Rodrigo Castor de Mattos foi procurado pela reportagem para se manifestar sobre o caso, mas não respondeu as solicitações.
Os advogados paulistas que compartilharam a defesa de Eduardo Meira com o advogado curitibano Rodrigo Castor de Mattos, irmão de um procurador da Lava Jato, não quiseram comentar o assunto. Fonte: Jornalggn.com