Na corrida final para as eleições, um ex-ministro do Supremo Tribunal Federal manifesta apoio e voto ao Partido dos Trabalhadores (PT). Qual a influência desta manifestação no desfecho das eleições que acontecerão no próximo dia 02/10/2022?

Inicialmente, é necessário nos lembramos do secular pensamento: recordar é viver. Com isso, faço menção ao mensalão, escândalo que estourou em 6 de junho de 2005, quando o deputado brasileiro Roberto Jefferson disse ao jornal Folha de São Paulo que o PT pagou a vários deputados cerca de 30 mil reais por mês para votar de acordo com os interesses do Partido na Câmara dos Deputados do Brasil. Os fundos supostamente vieram dos orçamentos de publicidade das empresas estatais, canalizados através de uma agência de publicidade, de propriedade de Marcos Valério.

Joaquim Barbosa, relator do processo envolvendo o mensalão, julgou e condenou diversos envolvidos vinculados ao Partido dos Trabalhadores por inúmeras práticas de corrupção. Durante o desempenho das suas funções à frente da Corte Suprema, sempre se mostrou contrário às práticas de corrupção e fez inúmeras críticas ao PT, partido que hoje defende.

Não me restam dúvidas de que há contradição nas posturas do ex-ministro. Ao tempo de outrora se mostrava defensor de uma política limpa, de um País sem corrupção, ao passo que hoje declara apoio e voto a um Partido que ele próprio condenou diversos filiados e políticos por práticas espúrias, em relação às quais que pensávamos ser um ferrenho opositor.

E é nesse sentido que se instaura uma grande celeuma. Qual a influência da sua manifestação nesta reta final das eleições 2022? Respeitosamente, penso que nenhuma, além do já aludido. Basta retroagirmos às eleições de 2018, quando houve manifestação semelhante ao candidato Haddad, também do Partido dos Trabalhadores, sem que surtisse eficácia no desfecho eleitoral daquele ano.

Na sua última manifestação, o ex-ministro profere palavras agressivas, de baixo-calão e que destoam do cargo que outrora ocupou, demonstrando sua falta de respeito com o Presidente da República. Qual autoridade gera e quais efeitos práticos teria um discurso com aversão, arraigado por questões pessoais, tal qual fez Joaquim Barbosa, com a tentativa de influenciar no rumo das eleições?

Na verdade, o ex-membro do judiciário apenas nos relembrou a sua postura de quando ocupava a cadeira da Suprema Corte: arrogância e autoritarismo. Basta lembrar o episódio do advogado que tentou fazer uso da tribuna no plenário do STF e foi por ele determinada a retirada do causídico mediante o uso da força, durante o julgamento do mensalão. Reflito que ao contrário do que tentou direcionar o ex-ministro, favorecimento ao partido que manifestou apoio, sua manifestação favorece sobremaneira o candidato que concorre à reeleição. Seu discurso não tem poder de convencimento.

Devemos esperar que as eleições tenham a lisura necessária, que os cidadãos votem de maneira consciente e, a partir disso, que tenhamos o melhor Chefe do Executivo diante da atual conjuntura política. O melhor para representar à nação brasileira.

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