ARTIGO

JOSÉ MUCIO: SINÔNIMO DE POLÍTICO SÉRIO
Por Marcelo Mesquita (*)
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sua posse como Presidente do TCU, em 11/12;2018
Foto: Marcos Lima Mochila
Num momento conturbado politicamente que o país atravessa, a população brasileira tem sido mais consciente e buscado cometer menos erros na hora de votar. Para tanto, tem ficado mais atenta aos nomes que são divulgados ou comentados como futuros candidatos a cargos políticos.
Em Pernambuco, já vimos sentindo esse desejo de acertar mais e errar menos desde 2018.
E num ano em que o mundo vem enfrentando uma pandemia devastadora, que já dura desde o início do ano passado, mesmo quem não é muito ligado a política sentiu e perda de dois grandes políticos do nosso Estado, num curto período de menos de 2 meses, de Marco Maciel (12/06) e Joaquim Francisco (03/08).
Nosso país, principalmente nosso Pernambuco, ficou mais pobre com essas perdas irreparáveis.
Mas, antes que agosto findasse, esta semana tivemos uma notícia alentadora, noticiada pelo Blog da Revista Total, que deixou muitos pernambucanos esperançosos: a de que ‘José Mucio será candidato ao governo do Estado pela Frente Popular’.
A notícia é alentadora porque se trata de um nome que agrada a um grande contingente de pernambucanos, sobretudo aqueles quase 40% de eleitores que, em 1986, lhe deram mais de um milhão de votos, embora tenha perdido para Miguel Arraes, que obteve um pouco mais de 1,5 milhão. Ressalte-se que foi uma das poucas eleições dos últimos 50 anos em que o nível da disputa, apesar de acirrado, foi de um nível altíssimo, com os candidatos apresentando seus projetos e suas proposições, sem que houvesse a necessidade de utilização de quaisquer desacatos por um ou outro adversário.
A prova inconteste desse nível daquelas eleições foi o fato de o próprio Eduardo Campos, neto de Arraes, ter sondado José Mucio para disputar a sua sucessão em 2014, e quatro anos antes quis tê-lo em sua chapa para o Senado, na vaga que posteriormente foi destinada a Armando Monteiro, seu primo.
E, além de alentadora, também vem suprir essa lacuna, dos dois grandes políticos pernambucanos, com um político da mesma estirpe desses que se foram.
José Mucio é, sem dúvida, um nome que não carrega o peso de nenhuma mácula, em toda sua história política, que começou lá atrás, em 1976, quando assumiu a vice-prefeitura de Rio Formoso, em Pernambuco, tendo posteriormente, sido eleito prefeito, porém não assumiu o mandato para assumir a presidência da CELPE e depois a Secretaria de Transporte, entre 1982 e 1985, candidatando-se a governador, em 1986.
Em 2009, foi indicado pelo presidente Lula para compor o Tribunal de Contas da União (TCU), na vaga aberta pela aposentadoria do também pernambucano Marcos Vilaça, quando teve que renunciado ao 5º mandato consecutivo de deputado federal, tendo sido eleito como presidente do TCU e tomou posse no dia 11 de dezembro de 2018.
No dia 07 de outubro de 2020, o ministro José Múcio Monteiro confirmou a sua aposentadoria, que ocorreu no dia 31 de dezembro do mesmo ano, embora ainda tivesse mais 3 anos de mandato, até a aposentadoria compulsória.
Na despedida, na sessão presidida em 09 de dezembro, que seria a última, num discurso emocionante, o ministro falou: “Cheguei há 11 anos no TCU. Ao assumir o cargo de ministro, em outubro de 2009, encerrei meu discurso de posse reafirmando minha fidelidade e compromisso com a missão que ali se iniciava. Fidelidade aos princípios que moldaram minha vida. Compromisso com a exemplar história deste Tribunal, fundada no zelo, na responsabilidade e no trabalho”.
A despedida é dupla, já que Mucio encerra sua atuação no Tribunal ao mesmo tempo em que conclui seus mais de 40 anos dedicados à vida pública.
Ao mesmo tempo, Mucio evidenciou as mesmas marcas que o fizeram se destacar como um dos mais respeitados políticos brasileiros: o olhar atento para o outro, a habilidade para ouvir e a fé inabalável na força do diálogo como caminho para se obter convergências e atingir resultados.
“Em algum momento me dei conta de que tenho mais passado que futuro. Deixo esta Casa com o coração leve e grato, para viver com intensidade o amor da família e dos amigos e usufruir um pouco da sombra das árvores que plantei ao longo de minha vida”, finalizou José Mucio Monteiro Filho.
Pelo visto, José Mucio irá usufruir um pouco da sombra das árvores que plantou ao longo de sua vida até o dia 20 de julho – daqui a exatos 11 meses -, quando os partidos começarão a realizar as convenções partidárias, que devem ocorrer a partir dessa ata até o dia 5 de agosto do ano eleitoral, conforme disposto na Lei das Eleições.
Até lá, estaremos acompanhando e, como é nossa obrigação enquanto veículo de Comunicação, informando aos nossos leitores.
Um abraço.
(*) Marcelo Mesquita é diretor-presidente do Grupo TOTAL
(Leia o discurso de despedida na íntegra, no link: https://portal.tcu.gov.br/data/files/8C/B2/89/D6/CDD4671023455957E18818A8/GABPRES%20-%20Ultima%20sessao%20Ministro%20Jose%20Mucio.pdf



