Em meio às discussões e polêmicas da possível substituição do atual sistema proporcional para o chamado “distritão”, em debate no Congresso Nacional já para as eleições de 2022, um time já sai perdendo: o dos grandes puxadores de votos. Por muito tempo prevaleceu entre os partidos a estratégia de montar uma chapa encabeçada por um nome bem votado, que sozinho teria capacidade de puxar os correligionários que sequer atingiriam o coeficiente eleitoral.
Na história das eleições brasileiras não faltam exemplos, sejam beneficiados pelo chamado “voto de protesto”, quando o palhaço Tiririca, o verborrágico Dr Enéas e o estilista Clodovil elegeram a si mesmo e até a três outros partidários apenas com suas votações, sejam lideranças consolidadas que tem grandes votações consistentemente e usam disso como poder de barganha na montagem de suas chapas.
Em Pernambuco, casos icônicos, foram do ex-governador Miguel Arraes, quando foi candidato à Câmara dos Deputados, em 1990, e os estreantes em 2018, delegada Gleide Ângelo e o atual prefeito do Recife, João Campos, que se sagraram os mais votados da história para a Alepe e Câmara.
Ainda em Pernambuco, outros nomes, tanto na Assembleia Legislativa quanto na bancada federal em Brasília, perdem poder de barganha e impacto na montagem das chapas visando 2022, se a mudança para o novo sistema se confirmar. Na Alepe, além da delegada Gleide Angêlo, o pastor Cleiton Collins, ligado ao segmento evangélico estão de orelha em pé. Na Câmara dos Deputados, a lista cresce com a deputada federal Marília Arraes (PT) e os deputados André Ferreira (PSC), Sebastião Oliveira (PR), Pastor Eurico (Patriota), entre outros nomes também acompanham com cuidado esse debate. Como ainda é uma incógnita se um novo nome conseguirá aglutinar os mais de 460 mil votos obtidos pelo atual prefeito do Recife, João Campos, em sua eleição de estreia, ele passa ao largo desse debate.
Os defensores do distritão argumentam que ele é um sistema mais claro e “honesto” com o eleitor brasileiro, que garante que o voto vá, de fato, para o candidato escolhido e confirmado na urna. Já os críticos acreditam que ele enfraquece os partidos políticos. Esse é um debate que ainda está em andamento no Congresso, mas que já deixa o alerta ligado nas equipes dos puxadores de votos, que começam a refazer suas contas de olho em 2022.

Fonte FalaPE

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fechar