Regis Machado, 40 anos, nasceu em Uberlândia-MG, mas sempre morou em Brasília. É
que seu pai e sua mãe, ambos mineiros (ele de Patrocínio, ela de Monte Alegre), adotaram a capital
federal como lar antes mesmo de pensarem em ter filhos.
Engenheiro de Redes de Comunicação formado pela Universidade de Brasília (UnB, 2003),
possui MBA em Governança de Tecnologia da Informação pela Universidade Católica de Brasília (2007).
Já cursou, também, Ciência da Computação (UniCEUB) e Direito (UDF).
Depois de morar dois anos no exterior logo após se formar, retornou ao Brasil e iniciou
sua carreira pública como Analista na Controladoria-Geral da União (CGU), em 2006. Um ano depois,
ingressou no Tribunal de Contas da União (TCU) como Auditor, cargo que ocupa até hoje, já tendo,
inclusive, presidido a associação que representa os servidores daquele órgão (ASTCU).
Ao longo de 2018, junto com o Observatório Social de Brasília e o Instituto de Fiscalização
e Controle (IFC), associações sem fins lucrativos que atuam no acompanhamento da gestão pública,
Regis Machado foi um dos apoiadores que ajudaram a coletar mais de 22 mil assinaturas para
protocolar, na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), o projeto de lei popular “Câmara+Barata”
(https://camaramaisbarata.launchrock.com). Em síntese, o PL 2.151/2018 propõe acabar com as
verbas indenizatórias, reduzir significativamente as verbas de gabinete e de publicidade, bem como
criar mecanismos para aumentar o controle e a transparência sobre os gastos da CLDF, economizando
R$ 75 milhões por ano, que poderão, então, ser destinados a áreas mais prioritárias. Em maio de 2019,
os apoiadores recolheram mais 2.500 assinaturas. O relator foi designado em fevereiro de 2020, mas,
ao que parece, o PL precisará de pressão adicional para tramitar (https://t.co/x6sBYlMyyD).
Em outubro de 2018, o Auditor concorreu a uma das 24 vagas de Deputado Distrital na
CLDF, tendo recebido 2.756 votos, número considerado alto para um estreante na política. Sua
plataforma de campanha (registrada em cartório!) incluía, se eleito, adotar por conta própria os cortes
de verbas do projeto “Câmara+Barata”, não gastar diárias nem passagens, não aceitar nem indicar
cargos no governo local, brigar por reduções de impostos e destinar suas emendas, exclusivamente,
para saúde, segurança pública e educação. “A experiência foi desafiadora e o resultado,
surpreendente, ainda mais considerando que, em 2017, o Congresso havia alterado a lei para
aumentar as chances de reeleição dos políticostradicionais: cortou pela metade o tempo de campanha
e criou o ‘fundão eleitoral’, do qual nós, candidatos novatos, não recebemos um centavo”, disse Regis.
Em 2019, Machado encampou uma iniciativa nacional de reforma política, denominada
“Mude a Política” (https://www.mudeapolitica.com.br), contendo 10 propostas para aperfeiçoar o
sistema político, retirar dos políticos poderes e regalias que não contribuem com a qualidade dos
mandatos e, paralelamente, aumentar a autonomia e as possibilidades de atuação da população. Essas
medidas, que jamais serão propostas pelos próprios políticos, atuam para reduzir o custo das
campanhas, reforçar o compromisso ideológico dos partidos, vincular os candidatos eleitos às suas
propostas e aumentar a transparência e a responsabilidade (accountability) dos mandatos, ajudando
a atrair cidadãos bem-intencionados para a vida pública, em benefício da sociedade.
Como se vê, mais do que de novos nomes e sobrenomes, a política nacional carece mesmo
é de candidatos com novas posturas, dispostos a usarem os próprios mandatos para provarem que é
possível, a um custo menor, entregar ainda mais resultados à população.


Por que você decidiu se candidatar a Deputado Distrital em 2018?
Como todos os brasileiros, eu me cansei de ver, diariamente, notícias de corrupção e de
descaso dos políticos com a população. Em 2016, durante o processo de impeachment da ex-
presidente Dilma, eu comecei a acompanhar o cenário mais de perto e a participar mais ativamente,
indo a manifestações, estudando, discutindo com amigos e desconhecidos nas redes sociais. Até que,
a certa altura, após ser incentivado por pessoas próximas, eu parei para pensar e percebi que,
realmente, não havia outra saída! Para que os cargos políticos não sejam ocupados por indivíduos
corruptos ou cuja intenção não é servir à população, mas servir-se desses cargos em proveito próprio
ou de terceiros, é preciso que cada vez mais pessoas de bem coloquem seus nomes e currículos à
disposição da população. Isso porque não existe vácuo de poder: o cargo está lá e, certamente, será
ocupado por alguém. É complicado reclamar que as pessoas votam mal quando, na verdade, as
eleições, em sua maioria, viraram um exercício de escolha do candidato “menos pior”.

Você pretende se candidatar novamente em 2022? A qual cargo?
É difícil prever com tanta antecedência. Pior que, assim como me incentivavam lá atrás,
muitas pessoas, atualmente, repetem essa pergunta e sugerem que eu concorra novamente, sim.
Dizem que eu devo “insistir até entrar”. O problema é que “furar essa barreira”, como se diz, não é
algo que depende só da vontade do próprio candidato. Se fosse, eu já teria conseguido em 2018, pois,
realmente, esforcei-me o quanto pude. Visitei cada cidade do DF, uma por dia. Acordava bem cedo e
finalizava toda noite panfletando na rodoviária, até de madrugada. Foram 45 dias de privação, parava
para comer a hora que dava, dormia pouco e não tinha o convívio sequer da minha esposa, pois
chegava em casa com ela dormindo e saía antes de ela acordar, isso quase todos os dias. Enfim, não é
reclamação. Essa rotina eu repito tranquilamente, sem problemas. O que eu quero dizer é que tudo
isso, todo esse esforço, simplesmente não é suficiente. A renovação que todos desejam só acontecerá quando, ainda mais do que dos candidatos, houver engajamento e proatividade por parte DOS PRÓPRIOS ELEITORES. Qualquer candidato novo, para se eleger, vai depender, necessariamente, de muito boca-a-boca e da divulgação ativa dos seus apoiadores nas redes, além de ajuda para financiara campanha.
Sem isso, é simplesmente inviável. E isso não é pessimismo. É apenas a constatação da
realidade, por parte de alguém que experimentou na pele esse processo. Eu certamente terei mais
maturidade no próximo pleito, mas, sem esse apoiamento “orgânico”, é impossível vencer as
campanhas milionárias dos políticos tradicionais. Então, respondendo à pergunta: tudo vai depender
do quanto eu perceber que poderei contar com o apoio daqueles que têm me incentivado.
Que recado você daria para os eleitores?
Há dois recados muito importantes, na verdade. O primeiro é que as pessoas DEVEM
VOTAR, e votar conscientes. Apesar de as pessoas, de modo geral, estarem descrentes e desiludidas
com a política, deixar de votar no dia da eleição ou mesmo votar nulo ou em branco, à medida que
diminui o quociente eleitoral, somente facilita a eleição dos velhos políticos. Então, deve-se analisar
bem os candidatos, selecionar o melhor (ou “menos pior”) e VOTAR. Não caia na mentira de que “voto
nulo anula a eleição”, pois não anula! E o segundo recado é que, por mais difícil que pareça, as pessoas
devem se esforçar para superar os radicalismos, as posições extremadas. Os algoritmos das redes
sociais isolam as pessoas em “bolhas” e cada grupo, com o tempo, vai deixando de ter contato com os
argumentos contrários às suas próprias posições. Essa ausência de dialética, além de separar amigos
e mesmo familiares, acaba impedindo que, em termos práticos, sejam obtidas as melhores soluções.

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