Por Antonio Magalhães*

“Eu não estou interessado em nenhuma teoria/ Em nenhuma fantasia, nem no algo mais (…)/ Minha alucinação é suportar o dia-a-dia/ Meu delírio é a experiência com coisas reais”.
A alucinação de Belchior, o mais consistente poeta da música brasileira, cabe bem no momento do recifense. Ele não se interessa por uma teoria ou ideologia socialista para uma gestão de governo porque sabe que ela fracassou na sua origem europeia e também na cidade e no Estado.
Por que, então, como apontam os ibopes e datafolhas da vida, os pesquisados da capital favorecem um candidato socialista que não tem currículo de gestor mas um pedigree familiar, cujo o pai foi, sim, um grande político, como também o avô.
Desprezem as pesquisas eleitorais, porque o que vai se travar no Recife é uma batalha de quem sabe contra quem não sabe. Disputa para ver quem pode governar e quem não pode. Nesse embate, o eleitor da cidade tem que agir com bom senso e pragmatismo. Dos três mais fortes oposicionistas postulando à Prefeitura do Recife, só um se destaca pela experiência de vida, profissional e política: Mendonça Filho.
Teve tempo de vida e um mentor como pai, a exemplo que Arraes fez com Eduardo, para fazê-lo seguir uma trajetória iniciada como deputado estadual, deputado federal, vice-governador durante sete anos, governador de Pernambuco por um ano e ministro da Educação. Se você, eleitor, não achar suficiente o seu currículo para administrar uma cidade como a nossa, hoje emporcalhada e abandonada por conta de gestão socialista, é uma caso de repensar suas escolhas porque elas têm consequências.
A mais grave é manter mais do mesmo, vindo de um prefeito socialista mais rejeitado da história da cidade. E com a equipe investigada pela Polícia Federal por irregularidades no uso da verba federal para combater a Covid. Acha pouco. Os adversários políticos dizem coisas muitos piores.
Por que o menino metido a homem, com 26 anos, com a maior votação do Estado para deputado federal, um presente da máquina política do PSB como homenagem ao falecido Eduardo, tem que ser prefeito da capital? Porque a mãe quer, o atual prefeito quer, o governador quer, os dirigentes partidários querem, os comissionados e vereadores desejam. Esses não querem mais do que permanecer na administração pública prestando um serviço ineficaz comprovadamente.
Dizem que Mendonça é pouco simpático, tem cara feia. Mas grandes prefeitos tiveram cara fechada como Joaquim Francisco, Roberto Magalhães e até o avô Miguel Arraes. A diferença do bonitinho para os sérios é que eles, como Mendonça, tinham condições de governar, sabiam o que estava fazendo.
Já o menino/homem, desaparecido durante a pandemia, sequer pode mostrar publicamente seu sorriso chamex, encoberto com a máscara de proteção pessoal. Ela, contudo, não o impede de prometer fundos e mundos para o futuro do Recife, como se a história dos socialistas estivesse começando agora.
Diz que vai fazer hospital, creche, estimular a cultura – quando seu mentor foi o maior caloteiro dos artistas da terra –, demarcar ciclofaixas inseguras, construir habitacionais para os pobres e também obras de saneamento por toda cidade, quando ele mesmo renegou o novo marco saneamento na votação do Congresso.
É uma pessoa dessa que o recifense espera para governar sua cidade? Os pesquisados dizem que sim. Mas e o povo da cidade? Aquele mais carente, a classe média abandonada, como ficam?
São questões para ser respondidas em 15 de novembro e em 5 de dezembro. E a reação democrática é possível, basta você pensar que não quer um piloto de avião que não saiba pilotar, um motorista que não saiba dirigir e muito menos um prefeito que não saiba governar. É isso.

*Integrante da Cooperativa de Jornalistas de Pernambuco

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