Prefeito do Rio de Janeiro também sugeriu investigação contra Fundação Marinho

Por Folha da Política

Postado por Marcos Lima Mochila

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Cidade das Artes

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, criticou uma matéria do jornal O Globo, que apontava suposto “risco” que os museus do Rio e a Cidade das Artes estariam correndo.

Fundação Roberto Mainho

“Em risco está a cidade do Rio de Janeiro se não denunciar o absurdo que foi a contratação da Fundação Roberto Marinho para fazer obras milionárias nesses museus sem processo de concorrência”, criticou o prefeito.

Crivella afirmou que “não há risco nenhum” para os pontos culturais da cidade, denunciando o relacionamento que a família Marinho teve com os últimos prefeitos da cidade.

“Na administração anterior [Eduardo Paes], a Cidade das Artes ficou fechada durante anos por causa de uma briga entre ele [Paes] e o prefeito que fez a Cidade das Artes [César Maia].  

De tal maneira que eles [Globo] não têm nenhum direito de cobrar nada da Cidade das Artes, que agora na nossa administração tem recorde de público, com 400 mil visitantes”, declarou.

O jornal “O Globo” promove uma campanha feroz contra o prefeito do Rio, Marcelo Crivella. Seria louvável se o objetivo fosse apenas a busca insaciável pela verdade dos fatos, a fiscalização impiedosa do poder, afinal, como dizia Millôr Fernandes, “jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”. Esse é o problema. Não se trata de rigor jornalístico e, sim, do “armazém de secos e molhados”.

Vamos prestar atenção em alguns números: em 2009, quando assumiu a Prefeitura do Rio, Eduardo Paes aumentou a verba publicitária de R$ 650 mil para R$ 29 milhões, ou seja, inacreditáveis 4.432% a mais. Antes do fim do mandato, essa verba já era de R$ 150 milhões. O maior beneficiado por essa generosidade com o dinheiro do contribuinte carioca era, naturalmente, o grupo Globo. Em 2015, os veículos da família Marinho enchiam os cofres com R$ 23 milhões de verba publicitária, mas o dinheiro parrudo – R$ 132 milhões – vinha dos acordos firmados entre a Prefeitura e a Fundação Roberto Marinho e o Infoglobo.

Quando sucedeu Eduardo Paes, Crivella acabou com a farra. E começou a dar ao grupo Globo o mesmo tratamento dispensado aos outros veículos de comunicação. Com isso, o conglomerado de comunicação perdeu quase R$ 50 milhões de receita no ano passado. É desnecessário ressaltar que o prefeito fez apenas o que se espera de um gestor, mas os Marinhos não pensam assim. Não estão acostumados à concorrência. Está na gênese da empresa.

É importante lembrar aqui que antes do golpe de 1964, o jornal “O Globo” era insignificante no cenário nacional. Importantes mesmo eram o “Estado de S. Paulo” e o “Correio da Manhã”. Fundada em 26 de abril de 1965, a Globo só se tornou a Globo de hoje graças a um acordo com a Time-Life americana (que gerou uma CPI no Congresso) e, principalmente, pelo apoio dos governos militares. O que Roberto Marinho deu em troca qualquer manifestante que ocupa as ruas desde os anos de chumbo sabe de cor e salteado.

Ao cortar as regalias do grupo Globo, Crivella ganhou um inimigo perverso. O mesmo inimigo que tentou derrubar Leonel Brizola, mesmo antes de ele assumir em 1982, ao divulgar os números fraudados da Proconsult. No poder, Brizola enfrentou bravamente a Globo, mas até hoje paga por isso ao ter seu nome associado, por exemplo, aos “arrastões”, prática de crime comum nas praias cariocas desde que o Rio é Rio, mas que os veículos dos Marinhos garantiam que era culpa dele.

A bem da verdade, é preciso reconhecer que o grupo Globo ama e odeia com o mesmo furor. Assim como é cruel com os adversários políticos, é até servil com aqueles de quem precisa. Foi assim com Sérgio Cabral e está sendo assim com Eduardo Paes. Em 2011, por exemplo, o então secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, recebeu do jornal “O Globo” o Prêmio Faz Diferença de Personalidade do Ano.

A tal Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) já era vista por todos os especialistas sérios como um engodo, mas isso não interessava. O que importava era bajular o governador. Durante todo o período em que esteve à frente da maior quadrilha que o Estado do Rio de Janeiro conheceu, Sérgio Cabral teve o tapete vermelho estendido nos corredores globais. Sua administração apodrecia sob todos os aspectos, mas a amizade com os Marinhos causava uma cegueira seletiva nas redações.

Hoje, o protegido da vez é Eduardo Paes. O ex-prefeito, como os números revelaram lá em cima, é credor de tamanho apreço. Recebeu e recebe tratamento diferenciado. Nada de reportagens sobre as denúncias de propina pela construção da Transcarioca e da recuperação das bacias de Jacarepaguá e da Barra da Tijuca. A gigantesca e mal gasta dinheirama aplicada no Parque Olímpico também merece igual silêncio. Qualquer estagiário de O Globo sabe que só pelo fato de ser unha e carne de Cabral, deveria ter seu passado esquadrinhado, sobretudo agora que quer governar o Estado do Rio de Janeiro.

Por que os desmandos de Eduardo Paes não são investigados? Por que o grupo Globo não moveu contra Cabral toda a fúria dos seus intrépidos repórteres? Por que a sanha persecutória só vale contra Crivella, Brizola e outros que foram derrotados pelo caminho, como os ex-ministros Abi-Ackel e Alceni Guerra?

As respostas, talvez, estejam no armazém de secos e molhados.

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