Só com a união de todas as forças dessa turma do outro lado (Oposição), vai ser possível enfrentar a situação com chances concretas de vitória. E esta união leva ao nome de Mendonça Filho

Por Marcos Lima Mochila

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Faltam apenas 13 dias para a data-limite de realização das convenções, com vistas às eleições municipais de 15 de novembro. Menos de 2 semanas, portanto.

Como se está falando de eleições, este pode ser um tempo grandioso para se promoverem muitas discussões, acertos, posicionamentos e, até, mudanças de estratégias.

Mas, ao mesmo tempo, pode não dar tempo para nada.

O que se prognosticava, após 20 anos de gestão dos atuais mandatários da capital pernambucana, era mais do que óbvio que a oposição este ano viria fortificada e consciente de que, só com a união de todas as forças dessa turma do outro lado, vai ser possível enfrentá-los com chances concretas de vitória.

E era isso que se esperava, até começarem a se formar chapas diferenciadas, estratificando e enfraquecendo a oposição, simplesmente por uma razão: o interesse de cada um em si mesmo, em seu próprio poder. E esta ânsia de poder é tão grande que ninguém está refletindo que podem apenas ser meros participantes de um processo eleitoral, em que a situação já larga robustecida – pelas composições que tem feito e pela decomposição da oposição -, com amplas chances de vitória.

E, o que é mais importante, principalmente para alguns que estão pensando em seguir seus próprios caminhos agora e se prepararem para uma outra composição no 2º turno, que pode até nem vir a existir e a situação sai vencedora do pleito já no próximo dia 15 de novembro.

Quando se cogitou de um encontro das forças oposicionistas no final de semana passado, tudo indicava que dali sairia um oposição fortificada, engrandecida em gestos e em força, para o enfrentamento com reais possibilidades de vencer.

Mas, o que se viu, repetimos, foi a formação dos blocos dos “cada um por si e Deus por todos”.

A verdade é que os quadros da ala da oposição são muito fortes. Quadros que contam com fortes expressões políticas do Estado, atualmente – mas, se correrem sozinhos não vão chegar a lugar nenhum:

  • A força nova na política do Estado, a delegada carioca Patrícia Domingos (Podemos), que chegou aqui em 2008 e, consequentemente, com pouco conhecimento do que aconteceu no Recife nesses últimos 20 anos;
  • Um deputado forte, Alberto Feitosa – que já está no seu 4º mandato, com chances de renová-lo  em 2022 sem muita dificuldade – da bancada de oposição da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) em algumas pautas, que acredita ter chances de entrar na disputa em virtude de suas experiências nas áreas de Turismo, Habitação e Saneamento, que inclusive após as eleições de outubro de 2014, (eleito pela 3ª vez consecutiva), logo em seguida foi convidado pelo prefeito Geraldo Júlio para fazer parte da equipe da Prefeitura do Recife, assumindo a Secretaria de Saneamento da Cidade, além de ter sido também superintendente da Infraero no Recife, responsável pela construção do novo Aeroporto. Essas prerrogativas não lhe garantem vitória na disputa municipal;
  • Um outro candidato do bloco de opositores é o advogado Carlos de Andrade Lima, que vai concorrer pela 1ª vez e tem como indício de força apenas o nome do partido, o PSL, mas que também não assegura sua vitória;

  • Um nome de peso, um candidato em potencial, é o deputado federal Daniel Coelho. No entanto, ele se mostra desestimulado e tem caminhado para uma composição com a delegada Patrícia Domingos, embora não tenha se decidido ainda. No entanto, essa demora na decisão pode ser porque ele está medindo até que ponto valeria a pena entrar numa canoa que pode afundar, quando ele pode sair fortalecido e com amplas chances de uma reeleição tranquila em 2022, permanecendo como deputado federal que tem se saído muito bem no Congresso. E com chances, ainda, de poder negociar uma vice, para algum nome do seu entorno político;
  •  Outro que poderia causar alguma contrariedade às pretensões da oposição, seria o jovem graduado de Direito e deputado federal de 1º mandato, Tulio Gadêlha (PDT), que tem como diferencial o fato de ser namorado da global Fátima Bernardes, relacionamento este que o tornou conhecido em todo o país, mas que não recebeu a indicação de seu partido, que prefere – e deve confirmar isto até o final desta semana -, nadar em águas mais tranquilas e apoiar o candidato do PSB, João Campos, permanecendo no grupo, fadado a obter alguns benefícios em caso de vitória de João;
  •  Charbel Maroun do Partido Novo, procurador da capital, que em 2018 disputou as eleições para deputado federal, recebendo 22 mil votos que trás, como principal bandeira, a promessa de melhorar a gestão pública com eficiência, reduzindo a máquina pública e o seu custo, com a prestação de serviços públicos rápidos, duradouros e com parcerias com a iniciativa privada para melhorar muito a qualidade desses ditos serviços. Essa redução prescinde de maior elucidação pois, se for para contar com parcerias da iniciativa privada, esses parceiros não irão fazer nada de graça, o que significa que, ganhando, pode descobrir um santo para cobrir outro. Embora, pelo que se configura até então, não tem muitas chances;
  • Finalmente, temos Marco Aurélio (PRTB), que conta com os apoios do vice-presidente General Mourão e do presidente Jair Bolsonaro (sem nenhuma garantia de que os terá), mas que está indo por uma via que não convence, ao mirar sua artilharia em direção a Mendonça Filho; Cláudia Ribeiro (PSTU), professora da rede pública municipal e sindicalista vinculada ao Sindicato dos Profissionais de Educação do Recife (Simpere), que disputará pela primeira vez um cargo Executivo, sem muitas pretensões; e Thiago Santos (UP), que disputará as eleições também pela primeira vez. Novato, e praticamente desconhecido, fica difícil e saber até onde ele conseguirá chegar.

A estes, se junta a candidatura de Marília Arraes (PT), que tem, como grande entrave de sua candidatura, os inúmeros cargos que o partido detém no governo, tanto estadual como municipal. E, quando se tata de cargos, de ‘money’, fica difícil haver uma debandada dos donos desses cargos, para apoiar uma candidata que hoje conta como seu grande trunfo uma força que não existe mais: a do ex-presidente Lula. A tendência é que essa candidatura fique pelo meio do caminho, além de que, mesmo sendo oposição ao Palácio e à Prefeitura do Recife, é do PT. Consequentemente não é de fora do bloco e, ainda por cima, é da família. Aí, quando se trata de família, tudo é possível. Como afirmou René Sanferr (O Pensador), “Mexa comigo, me xingue, me bata e ainda sim consigo me controlar. Agora mexa com minha família ou com as pessoas que eu amo, que você conhecerá o próprio diabo, cruel, frio, sem piedade. Por minha família eu mato e morro!”. Então, trata-se de uma oposição de 1º turno mas que, no 2º, pode juntar tudo, até porque, o PT faz parte das gestões do Estado e da capital, atualmente.

Na expectativa pela decisão do Cidadania acerca da manutenção ou não da pré-candidatura a prefeito do Recife do deputado federal Daniel Coelho – prevista para se realizar até o fina desta semana -, o ex-senador Armando Monteiro Neto (PTB) disse, nesta quarta-feira (2), que vai “respeitar e entender” qualquer que seja a decisão do partido aliado, mas que acredita que uma fragmentação ainda maior da oposição não os beneficiará de forma alguma.

“Porém, qualquer que seja o caminho que Daniel venha a adotar eu vou respeitar e entender, mas é evidente que uma maior fragmentação de candidaturas no nosso campo é ruim.O ideal é que a gente possa se aglutinar em um número menor de candidaturas – o que nos fortalecerá -, só que é evidente que ele tem total autonomia de se colocar como candidato ou apoiar outras candidaturas que também já estão colocadas no campo da oposição”.

Armando disse, ainda, ter certeza de que Daniel marchará com o coletivo no pleito deste ano, seja no 1º ou no 2º turno. “Esta semana houve a definição pela candidatura do Mendonça, pois quatro partidos já estão alinhados com ele. Já se pode dizer que Mendonça é candidato.”

Diferentemente de Daniel, que não conseguiu a adesão de nenhum partido à sua postulação, o democrata conta, além do PL e do DEM, com PSDB e PTB no pleito deste ano.

Luciano Bivar, presidente do PSL, durante entrevista em Recife. (Foto: Diego Nigro/JC Imagem/Folhapress)

Além dessa demonstração de apoio irrestrito de Armando Neto, sente-se, nas ‘coxias’, que a tendência normal é a inclinação do Cidadania de Daniel Coelho para o lado de Mendonça, assim como, num outro momento, também a do PSL, de Luciano Bivar.

Durante esta semana, conforme a Revista Total se antecipou, o prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira, presidente do PL, também confirmou a entrada no bloco de Mendonça, o que fortificou ainda mais as pretensões do ex-governador, adicionando também mais tempo de TV.

Mendonça Filho (DEM), foi eleito deputado estadual em 1986, com apenas 20 anos; e federal em 1995. Como político, sempre mostrou coerência, tendo sido desde o início de sua vida política filiado ao DEM. Foi vice-governador na gestão Jarbas Vasconcelos (1999-2006), assumindo o cargo de governador pelos últimos nove meses. Em 2010, foi eleito deputado federal e reeleito em 2014. Após o golpe que derrubou Dilma Rousseff (PT), assumiu o cargo de ministro da Educação do governo Temer, onde realizou uma gestão reconhecida e elogiada até pela oposição.

Em 2018, Mendonça candidatou-se a senador, ficando em 3º lugar com 19,6% mas, na capital pernambucana, foi o mais votado.

E, tendo a melhor indicação da preferência do governo federal, conforme vem sendo demonstrado na receptividade que vem recebendo nos ministérios, nas últimas semanas, tudo indica que Mendonça terá ainda, a lhe catapultar, o crescente aumento da popularidade do presidente Bolsonaro, sobretudo no Nordeste. Isto é coisa que não se pressente em nenhuma outra candidatura e o povo, que de besta não tem nada – embora queiram, de vez em quando, fazê-lo de, está muito atento a essa preferência do PR.

Considerando-se que os dois candidatos do PSB/PT não têm nenhuma interlocução com Brasília, com o governo federal, além de críticas sucessivas e infundadas, que têm sido notadas pela população, eles já começam a batalha com uma grande perda.

Nas esferas da população, conforme as equipes da Revista Total, que vêm realizando estudos técnicos por todo o Estado, também há uma grande inclinação da população não apenas da capital, mas de todo o Estado, pelo nome de Mendonça Filho para assumir a Prefeitura do Recife e mudar os rumos da outrora bela Veneza brasileira, que hoje de beleza não tem nada mais, perdida em questões de Segurança, Saúde, Organização, Desenvolvimento, entre outras reclamações de quem vem aqui e não concorda mais com os versos da Banda de Pau e Corda, no frevo ‘Recife é linda demais’: Quem chega em Recife / Logo fica apaixonado Beleza por todo o lado Recife é linda demais … Conheça o Recife/ E leve o Recife / Pra sempre no seu coração.

Vale lembrar, ainda, que todos estes anos de PSB, PT e PCdoB, as gestões consecutivas no Estado, na capital pernambucana e, até, em Olinda, se deram mais pela força que detinha o nome de Lula, o que hoje já não existe mais.

Mas, como dissemos a respeito dos 13 dias que faltam para as tomadas de decisão final pelos partidos, “amanhã pode acontecer tudo inclusive nada”, como cantou Flávio José. E esse nada pode desembocar em mais uma derrota do bloco da oposição.

E aí só lhes restará uma saída: passarem mais 4 anos pedindo #Impeachment Já e reclamando da atual gestão que, ainda por cima, sairá do embate mais fortificada ainda para 2022.

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