Ou a oposição se une e sai forte para o embate contra os que já detêm o poder ou perde novamente

Arte de Caio Lucas – PH Comunicação

Por Marcos Lima Mochila

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Independentemente de partidos, os atuais pré-candidatos à Prefeitura do Recife, da oposição ao atual prefeito, Geraldo Júlio (PSB) e ao seu indicado para a sucessão, João Campos, estão em comum acordo num ponto e usam da mesma retórica: ‘é preciso acabar com essa hegemonia de 20 anos do PT/PSB’.

Falar é fácil, conseguir é que são elas.

Se é verdade que “a união faz a força”, o oposto também é verdadeiro: “a desunião é o caminho da derrota”.

Se os opositores do governo atual estão pensando que, marchando por flancos diferentes, alcançarão facilmente a vitória e conseguirão mudar o que está aí, estão redondamente enganados.

Ou a oposição se une – e isto literalmente -, e sai forte para o embate ou a tendência é perderem novmente e ficarem mais 4 anos reclamando da continuidade.

Hoje, o que já se tem como certo, em termos de pré-candidaturas, é o seguinte:

João Campos (PSB), que já parte com a fama de ter conquistado 460 mil votos, em 2018, em sua primeira experiência numa eleição, um recorde no Estado. Aliado a esta demonstração de força, ele vai continuar evocando o DNA do pai e do avô, além de contar com o apoio da maioria dos vereadores atuais – uns 25, aproximadamente, pois só 18 são do PSB -, uma grande rede de lideranças comunitárias ligadas à gestão municipal e o apoio, já firmado, do PCdoB, MDB, PRB, PROS e PTC, além do PP e PSD que ainda estão discutindo mas devem se decidir pelo apoio. Contra ele, apenas o fato de que o seu partido é opositor ferrenho do governo federal, cujo presidente, Jair Bolsonaro, vem numa crescente que deverá atingir picos maiores quando se aproximar a data das eleições (15 de novembro).

Marília Arraes (PT) tem como grande entrave de sua candidatura os inúmeros cargos que o partido detém no governo, tanto estadual como municipal. E, quando se tata de cargos, de ‘money’, fica difícil haver uma debandada dos donos desses cargos, para apoiar uma candidata que hoje conta como seu grande trunfo uma força que não existe mais: a do ex-presidente Lula. A tendência é que essa candidatura fique pelo meio do caminho. Ela deve entrar na disputa com o apoio do PSOL, o que é muito pouco para enfrentar o rolo compressor do PSB. E, ainda por cima, vai ter os outros adversários taxando-a como o mesmo do que está aí, porque faz parte da família, e vem por um partido que é – há muitos anos – parceiro do PSB.

Patrícia Domingos (Podemos) poderia ser o novo e contar com o apoio feminino, mas sua caminhada já começa com um entrave: ela é natural do Rio de Janeiro, tendo chegado a Pernambuco há pouco mais de 10 anos, para atuar na Polícia Civil, não conhecendo profundamente o Recife. Se quem conhece não deu conta de resolver os problemas da cidade, imagine sem conhecer.

Túlio Gadelha (PDT) atualmente é deputado federal e, no último dia 30 de julho, em uma coletiva de imprensa, lançou a sua pré-candidatura, um dia antes de a ex-vereadora Isabella de Roldão também se lançar pré-candidata pelo partido que é comandado, no Estado, pelo deputado federal Wolney Queiroz, que emitiu uma nota informando que Isabella tinha colocado o seu nome para representar o partido no pleito deste ano e uma votação interna é que deverá definir quem realmente será candidato. Os dirigentes nacionais da sigla não veem com bons olhos uma candidatura própria, preferindo colocar o partido numa composição com o PSB; mas, no município, o grupo liderado por Túlio e composto pela maioria dos pré-candidatos a vereadores, avaliam como preferencial, caso o partido retire a candidatura de Túlio – ou de Isabella? -, uma aliança com o PT. Em suma, a situação por aqui está mais para ‘samba do crioulo doido’. Nacionalmente, ele conta com o apoio de Ciro Gomes o que, no presente momento, não soma nada.

– Cláudia Ribeiro (PSTU), professora da rede pública municipal e sindicalista vinculada ao Sindicato dos Profissionais de Educação do Recife (Simpere), disputará pela primeira vez um cargo Executivo e não deve causar muito furor nos adversários, pois em 2016, a também professora Simone Fontana, do mesmo partido, foi candidata e obteve pouco mais de mil votos.

– Thiago Santos (UP), disputará as eleições pelo partido Unidade Popular (UP), que obteve seu registro junto ao TSE no fim de 2019. Thiago é militante junto a movimentos populares no Recife e disputará uma eleição pela primeira vez. Por ser novato, e praticamente desconhecido, pouco se tem a prognosticar sobre sua performance.

Marco Aurélio (PRTB), eleito vereador em 2012 pelo PTC e reeleito em 2016 já pelo PRTB, elegeu-

se deputado estadual em 2018. No último dia 10 de agosto, o presidente nacional do PRTB, Levy Fidelix, confirmou a sua pré-candidatura a prefeito do Recife, esperando obter os apoios do vice-presidente General Mourão e do presidente Jair Bolsonaro. Apesar de liderar a bancada da Alepe que faz oposição ao governo Paulo Câmara (PSB), Marco Aurélio direcionou sua artilharia para outro pré-candidato, no caso, Mendonça Filho, chamando-o de ‘desagregador e elitista’.

Charbel (Novo) é outro pré-candidato natural de outra cidade. Nascido em Belo Horizonte (MG), o bacharel em direito Charbel Maroun é procurador do Recife. Em 2018, foi candidato a deputado federal, obtendo 22 mil votos. É filiado ao Partido Novo, mesmo grupo do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Nas redes sociais, Charbel, como vários outros pré-candidatos, diz ser “o mais alinhado com o Governo Federal em todas as pautas”.

Alberto Feitosa (PSC), deputado estadual, tem afirmado em várias ocasiões que está aberto a conversar com outras pré-candidaturas no campo da oposição, sobre uma possível chapa única para o pleito municipal de 2020, o que pode ser um indício de não se sentir muito seguro quanto à sua própria força. Isso, mesmo sendo de um partido forte, que tem um dos membros da família Ferreira, André, como presidente, e contando com o apoio de outro irmão da mesma família, Anderson, prefeito de Jaboatão dos Guararapes e presidente do PL.

“Eu sou um homem da política. Quando encontrei com o Pastor Jairinho (que se colocava como pré-candidato à Prefeitura do Recife), disse a ele que estava aberto ao diálogo, o que já tínhamos conversado anteriormente. Com Marco Aurélio (deputado estadual e pré-candidato do PRTB à Prefeitura do Recife), também. Ele foi a primeira pessoa que eu procurei no meu processo de expulsão do Solidariedade, porque ele era o líder da oposição e eu teria que me abrigar lá”, disse Feitosa.

– Daniel Coelho (CD) foi eleito vereador pelo PV em 2004 e reeleito em 2008. Em 2010, foi eleito deputado estadual pelo PSDB, partido pelo qual foi candidato a Prefeito do Recife pela 1ª vez, em 2012, obtendo 245 mil votos (27,6%), perdendo para Geraldo Julio, que venceu no 1º turno, com 51,15%.

Em 2014 se lançou para a Câmara Federal, sendo eleito com 138 mil votos e reeleito, em 2018, já pelo PPS, atual CD, com 97,7 mil votos, configurando uma votação em sentido decrescente.

Em 2016, voltou a disputar a Prefeitura, conquistando 162.356 votos, no 1º turno, perdendo o 2º lugar para João Paulo, à época ainda no PT, que teve 207.529 votos e, consequentemente, ficando fora do 2º turno que, mais uma vez, foi vencido por Geraldo Júlio (PSB).

Daniel apoiou a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018. Sua candidatura já tem apoio do PSL de Bivar e agaurda os apoios do PSC e do PL, ambos liderados pela família Ferreira, representantes do fundamentalismo religioso. No entanto, isto só acontecerá se o deputado Alberto Feitosa desistir no meio do caminho.

– Mendonça Filho (DEM), foi eleito deputado estadual em 1986, com apenas 20 anos; e federal em 1995. Como político, sempre mostrou coerência, tendo sido desde o início de sua vida poítica filiado ao DEM.

Foi vice-governador na gestão Jarbas Vasconcelos (1999-2006), assumindo o cargo de governador pelos últimos nove meses.

Mendonça foi eleito deputado federal em 2010 e reeleito em 2014. Após o golpe que derrubou Dilma Rousseff (PT), assumiu o cargo de ministro da Educação do governo Temer, onde realizou uma gestão elogiada até pela opoição.

Em 2018, candidatou-se a senador, ficando em 3º lugar com 19,6% mas, na capital pernambucana, foi o mais votado.

Até o momento, sua pré-candidatura a prefeito é apoiada pelo PSDB e pelo PTB, mas, a partir deste sábado (29), ela poderá ganhar maior volume, após reunião entre as lideranças do grupo que reúne DEM, PSDB, PSC, PL, PTBe Cidadania. As negociações estão em andamento, mas alguns dos líderes partidários já externaram o sentimento de que uma oposição fragmentada pode favorecer João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT) que, num segundo turno podem, sim, virem a se unir. Não pela condição de família, mas por imposição do ex-presidente Lula. Afinal, o senador Humberto Campos (PT), que já disse que apoiará Marília, faz parte do grupo do Palácio do Campo das Princesas.

“Estamos todos vivendo a expectativa e, a partir deste final de semana, poderemos ter uma decisão definitiva de uma composição mais ampla. O mais importante, agora, é firmar essa decisão entre Mendonça e Daniel, que é a grande novidade nessa reta final, pois os dois estão com disposição de formar um palanque único”, disse o líder do governo Bolsonaro no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB), ao JC.

Na quarta-feira (26), o ex-senadorArmando Monteiro Neto (PTB) também já havia pontuado acreditar que a definição de um nome deve sair nos próximos dias.

Pesquisa encomendada pelo DEM, no Recife, mostrou que o pré-candidato mais associado a Bolsonaro é Mendonça Filho. Como a popularidade do presidente da República aumentou, segundo pesquisa do Datafolha – e tende a amentar ainda mais, até a data das eleições -, isso pode vir a ser um forte e decisivo trunfo para o ex-ministro.

“Essa associação é natural, Mendonça tem militância no campo conservador há muito tempo. Ele participou da campanha de Bolsonaro no 2º turno, mesmo sem ter obtido sucesso na eleição para senador, embora tenha sido o mais votado no Recife. Essa associação vai ajudá-lo, se for confirmado como o candidato do nosso grupo, visto que a popularidade do presidente tende a ser o catalisador de aumento das intenções de votos para Mendonça”, concluiu FernandoBezerra Coelho.

Esta associação, a que se refere FBC, é demonstrada, inclusive, pela facilidade que o pré-candidato do DEM tem tido em ser recebido nos ministérios e ter, dos ministros, sinalizações concretas de ajuda à cidade, caso ele seja eleito.

O que poderá fortificar a oposição em caso de união

Como se vê, a tendência real – e mais correta e propícia -, é de todos se unirem em torno do nome de Mendonça Filho, se quiserem realmente mudar o rumo das eleições e efetivar a troca de comando da Prefeitura do Recife.

Sob todos os pontos de vista, Mendonça é o que mais agrega e mais pode se consolidar como o candidato da oposição, não só pelo seu histórico de político sério, coerente e mais capacitado para o cargo mas, sobretudo, porque é também o que mais poderá arrebanhar apoios num provável 2º turno.

Some-se a isto, o desejo de Anderson Ferreira, que deverá ser reeleito prefeito de Jaboatão dos Guararapes, pela grande aprovação por sua ótima gestão e por contar com a força de vários partidos, de ser o próximo ocupante da cadeira de governador de Pernambuco. Como ele irá precisar, em 2022, de um aliado na Prefeitura do Recife, para concretizar este sonho, então a tenência, agora, é que num segundo turno, ele e seu irmão André ( presidentes estaduais do PSC e PL, respectivamente), venham a apoiar Mendonça, para contar com o seu apoio mais à frente.

Portanto, é esperar para e ver o quadro que vai começar a se desenhar já a partir da próxima semana.

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