Investigadores apuram se documentos que permitiram as operações na barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, foram, de alguma maneira, fraudados

Brumadinho: dois alvos são de São Paulo e outros três de Belo Horizonte (Adriano Machado/Reuters)
Brumadinho: dois alvos são de São Paulo e outros três de Belo Horizonte (Adriano Machado/Reuters)

Da redação, com agências

Postado por Marcos Lima Mochila

Brumadinho: dois alvos são de São Paulo e outros três de Belo Horizonte (Adriano Machado/Reuters)

Três funcionários da Vale diretamente envolvidos e responsáveis pelo licenciamento da barragem que se rompeu em Brumadinho e dois engenheiros terceirizados que atestaram a estabilidade do empreendimento foram presos nesta terça-feira (29).

Após o rompimento da barragem, na sexta-feira (25), a PF levantou hipóteses sobre a validade dos laudos que atestaram a sua segurança.

Desde 2015, a barragem da Mina Córrego do Feijão não recebia novos rejeitos de minério e estava em processo de ser desativada. Em dezembro do ano passado, a Vale obteve licença para o reaproveitar os rejeitos e encerrar as atividades.​

Na operação, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) cumprem sete mandados de busca e apreensão e cinco de prisão temporária.

O objetivo da investigação é apurar se houve fraude ou irresponsabilidade criminal pelo rompimento da barragem da mineradora no município mineiro.

Dos cinco alvos da operação, dois tinham domicílio em São Paulo e os demais residem na região metropolitana de Belo Horizonte.

A prisão foi decretada pelo prazo de 30 dias e todos os presos serão ouvidos pelo MPMG. Os documentos e provas apreendidas também serão encaminhados ao Ministério Público para análise.

O MPF, por meio da Procuradoria da República em Minas Gerais, e a PF, por meio da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico, cumpriram simultaneamente os cinco mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em Belo Horizonte.

As ordens foram cumpridas na sede da Vale, em Nova Lima (MG), e em uma empresa sediada em São Paulo que prestou serviços de projetos e consultoria na área das barragens. Também foram alvo das medidas pessoas ligadas a essa empresa.

Nas diligências, houve a participação de procuradores da República lotados em Minas Gerais e São Paulo, de policiais federais e de peritos das áreas de informática, mineração e geologia.

“Os órgãos de investigação têm trabalhado de forma concatenada para apuração dos graves crimes relacionados com o rompimento da barragem, sendo que as investigações se encontram em andamento”, informou o MPMG.

As buscas por vítimas e sobreviventes do acidente chegaram ao seu quinto dia nesta terça. O número de mortos, segundo último relatório da Defesa Civil de Minas Gerais, divulgado ontem, subiu para 65.

A Vale em Brumadinho: de emprego dos sonhos a descaso e mortes
A Vale em Brumadinho: de emprego dos sonhos a descaso e mortes

Vale

A companhia enviou na manhã desta terça-feira nota à imprensa dizendo que está contribuindo com as investigações, sem citar nominalmente a operação policial que ocorre em São Paulo atendendo a pedido da Justiça de Minas Gerais.

“Referente aos mandados cumpridos nesta manhã, a Vale informa que está colaborando plenamente com as autoridades. A Vale permanecerá contribuindo com as investigações para a apuração dos fatos, juntamente com o apoio incondicional às famílias atingidas”, diz, em nota a companhia.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fechar