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Papo de juízes

O governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC)  (Fernando Frazão/Agência Brasil
O governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC)  (Fernando Frazão/Agência Brasil

Por Mauricio Lima

 

Numa conversa a sós com Sergio Moro, Wilson Witzel disse ao ex-colega de toga que vai criar no Rio um grupo de 120 policiais especializados no combate e investigação de lavagem de dinheiro. Moro aprovou a ideia.

Segundo o MP, há quatro anos empresas de ônibus da cidade pagam propina para a gestão de Neves. Ex-secretário de obras de Niterói e dois empresários do ramo do transporte público estão presos
Rodrigo Neves foi presto na manhã desta segunda 10, em ação desdobramento da Lava Jato (Prefeitura de Niterói/Divulgação)
Rodrigo Neves foi preso na manhã desta segunda 10, em ação desdobramento da Lava Jato (Prefeitura de Niterói/Divulgação)
Por Rafael Nascimento

 

 

NITERÓI (RJ) – O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), foi preso, na manhã desta segunda-feira, na Operação Alameda, do Ministério Público do Estado do Rio e da Polícia Civil, um desdobramento da Lava Jato no Rio. Agentes chegaram ao prédio em que ele mora, em Santa Rosa, por volta das 6h, e realizam buscas no local. Ao todo, a operação busca cumprir 5 mandados de prisão e 19 de busca e apreensão.

Prefeito de Niterói, Rodrigo Neves anunciou antecipação de pagamento - Agência Brasil
Prefeito de Niterói, Rodrigo Neves anunciou antecipação de pagamento – Agência Brasil

Além de Rodrigo Neves, estão presos o ex-secretário de obras de Niterói e ex-conselheiro de administração da Nittrans, Domício Mascarenhas de Andrade, o presidente do consórcio transoceânico e sócio da viação Pendotiba, João Carlos Félix Teixeira e o administrador do consórcio Transnit e sócio da auto lotação Ingá,João dos Anjos Silva Soares. Mais um empresário do ramo do transporte público rodoviário, que ainda não teve sua identidade revelada, também é alvo da operação.

O Ministério Público e a Polícia Civil fecharam os acessos da Prefeitura e proibiram a entrada a de funcionários. Quem chegava no local era orientado a voltar para casa. Enquanto isso, os promotores vasculhavam a sede municipal para tentar encontrar possíveis provas.

Segundo o MPRJ, empresas de ônibus pagaram propina para a gestão de Rodrigo neves, entre 2014 e 2018, que somam aproximadamente R$ 10,9 milhões, que foram desviados dos cofres públicos, segundo a denúncia.

Além da casa do prefeito e do seu gabinete, buscam também são realizadas nas residências dos outros acusados e nas sedes de oito empresas de ônibus que prestam serviço no município, além de escritórios dos consórcios Transoceânico e Transnit, e do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (SETRERJ).

A expectativa é de que Rodrigo Neves seja levado para a Cidade da Polícia, no Jacarezinho, em uma viatura da Polícia Civil. Quem assumirá a prefeitura de Niterói será o presidente da Câmara dos Vereadores de Niterói, Paulo Bagueira (Solidariedade), que desde agosto é suspeito de estar envolvido em um esquema de compra de votos na eleição de 2016, quando foi eleito.

Intercepções telefônicas que resultaram em uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público flagraram Bagueira negociando a compra de votos no Cavalão com Monique Pereira de Almeida, mulher de Reinaldo Medeiros Ignácio, o Kadá, chefe do tráfico local e que está preso fora do estado. As investigações apontam que o político teria pago para formar um curral eleitoral na comunidade. As interceptações ocorreram uma semana antes das eleições, em outubro de 2016.

A Operação, que foi batizada de Alameda, foi executada pela da Polícia Civil, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ) e pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ).

Repercussão

Muitas pessoas que passavam pela Rua Vereador Duque Estrada, local onde mora o prefeito, comemoraram a prisão de Neves. Outras ficaram surpresas. Foi o caso da industriária Ana Maria Coelho, de 55 anos. “Estou muito surpresa com a prisão dele. O Rodrigo já havia sido citado na Lava Jato, mas nada chegou até ele. Estou muito impressionada com sua prisão”, disse a mulher incrédula na porta de Neves.

Já a auxiliar administrativa Gleice Almeida, de 53 anos, comemorou a prisão do prefeito. “Ontem ele estava comemorando com a família lá no Campo de São Bento. Hoje ele vai comemorar na cadeia”, diz a mulher . “Ele construiu o BRT da Região Oceânica e nunca colocou ônibus para circular. Há cinco anos não passa nada naquele local, é um absurdo. Demorou muito para ele ser preso”, conta Gleice que fazia fotos na polícia na porta de Rodrigo Neves.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou não haver ilegalidade na prisão do ex-governador do Rio de Janeiro
Brasília(DF), 22/03/2017 - Alexandre de Moraes toma posse e assume vaga de Teori no Supremo Tribunal Federal - Foto: Daniel Ferreira/Metrópoles
Brasília(DF), 22/03/2017 – Alexandre de Moraes toma posse e assume vaga de Teori no Supremo Tribunal Federal ( Foto: Daniel Ferreira/Metrópoles)
Agência Estado

 

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes negou habeas corpus ao governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão. Preso desde o dia 29 de novembro, na operação Boca de Lobo, Pezão é acusado de comandar a organização criminosa e de manter o esquema de recebimento de propina que vigorou no governo de seu antecessor, Sérgio Cabral, preso há dois anos.

Para Moraes, não houve ilegalidade na prisão de Pezão, já que há indícios de que o esquema continuou em funcionamento mesmo após o início das investigações, o que constitui ameaça à ordem pública. Além disso, os prejuízos potenciais às contas públicas do esquema de pagamento de propina agravam o caso.

“Para se chegar a esses entendimentos, seria indispensável aprofundada análise das provas constantes dos autos, providência ainda não adotada nem mesmo pela instância de origem e, de todo modo, incompatível com esta via processual”, afirma o ministro em sua decisão.

PF cumpriu mandado no Palácio Laranjeiras, residência oficial do Executivo do estado, na manhã desta quinta
Luiz Fernando Pezão, governador do Rio de Janeiro no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, RJ - (Tânia Rigo/Agência Brasil)
Luiz Fernando Pezão, governador do Rio de Janeiro no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, RJ – (Tânia Rigo/Agência Brasil)
Da Redação da Veja

 

O governador do Rio de Janeiro Luiz Fernando Pezão (MDB) foi preso preventivamente pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira, dentro do Palácio Laranjeiras, residência oficial do chefe do executivo, em um desdobramento da operação Lava Jato. A ordem de prisão foi expedida pelo ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça.

PEZÃO 1Na ação, a Procuradoria-Geral da República disse que o governador integra o núcleo político de uma organização criminosa que cometeu vários crimes contra a administração pública, com destaque para corrupção e lavagem de dinheiro. O político do MDB foi alvo de delação premiada de Carlos Miranda, suspeito de ser operador financeiro de esquemas de seu antecessor, Sergio Cabral, de quem foi vice-governador.

O delator acusou Pezão de receber mesadas de 150 mil reais entre 2007 a 2014, na época em que Pezão, então vice, era secretário de obras do governo estadual. De acordo com a PGR, os valores somariam mais de 25 milhões de reais no período,  enquanto durou o mandato do ex-governador, preso desde novembro de 2016 — atualizado, o montante chega a 39 milhões. Os repasses, segundo a delação, continuaram quando Cabral passou o comando do estado a Pezão.

No pedido de prisão preventiva ao STJ, a procuradora-geral Raquel Dodge argumentou que Pezão poderia dificultar a recuperação dos valores, além de ocultar o patrimônio adquirido em decorrência da prática criminosa. Ela vai conceder uma entrevista coletiva, prevista para as 9h, com mais informações sobre a operação.

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