Com passagens por vários veículos nacionais, se tornou uma celebridade por conta de uma cena na cerimônia de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 1º de janeiro deste ano

Por: Marcos Lima

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Ricardo Henrique Stuckert, fotógrafo oficial do Presidente Lula desde 2003, nasceu em Brasília, em 5 de março de 1970.

Filho do casal Roberto e Adolfina Stuckert, ele se tornou novamente o fotógrafo oficial do mandato atual, mas ele já havia voltado a acompanhar Lula desde novembro de 2019, registrando a rotina do presidente ao redor do país, além de ser conhecido também por seu trabalho fotografando os índios ianomânis em 1997, tendo ainda trabalhado em cinema.

Descendente de suíços e ameríndios, Ricardo foi influenciado desde cedo pelo pai Roberto Stuckert, que foi fotógrafo oficial do general João Figueiredo (15 de março de 1979 a 15 de março de 1985) quando ele ainda tinha 12 anos.

Muito cedo Stuckert aprendeu o processo de revelação do filme fotográfico com seu pai, que abriu uma agência e montou um laboratório de fotografia dentro de casa.

Mas Ricardo só resolveu seguir a carreira do pai e fazer um curso na Escola Brasiliense de Fotografia, coordenado pelo fotógrafo e jornalista Fernando Bizerra da Silva, quando completou 17 anos.

Ele cursou também Ciência da Computação, o que o ajudou na transição da máquina fotográfica analógica para a digital e a lidar com os recursos do computador.

Aos 18 anos, já era fotógrafo do jornal O Globo, ocasião em que acompanhou o então presidente José Sarney em viagens na América do Sul e, em seguida, o então presidente Fernando Collor em viagem à Espanha.

Em 1997, cobriu os índios Yanomanis em uma reportagem para edição especial da revista Veja, quando realizou uma de suas fotografias mais importantes, o retrato de uma índia chamada Penha Goés, em Nazaré, no interior do Amazonas.

Após 17 anos o fotojornalista tentou localizá-la para repetir o retrato, mas só teve sucesso após um ano de busca, registrando-a então com 39 anos de idade. Sua foto foi comparada à imagem de grande repercussão da afegã Sharbat Gula, de Steve McCurry, para a revista National Geographic.

Ricardo também fotografou para a Veja as Olimpíadas de Sydney em 2000, onde pela primeira vez entrou em contato com um evento esportivo de grande magnitude.

Durante a eleição presidencial de 2002, Ricardo era fotógrafo da revista IstoÉ em Brasília. Antes do 1º turno, foi encarregado de registrar uma semana de cada um dos quatro principais candidatos à presidência – Anthony Garotinho, Ciro Gomes, José Serra e Lula, exatamente nessa ordem. A série de fotografias foi finalista do Prêmio Esso.

Após a publicação da matéria cobrindo a semana dos presidenciáveis, durante o último debate antes do primeiro turno Ricardo Kotscho, então assessor de imprensa de Lula, convidou Ricardo Stuckert para ser fotógrafo oficial do candidato caso ele fosse eleito.

Lula eleito, ele então passou a ser o fotógrafo oficial do presidente durante seus dois mandatos, sendo ele e o chefe de segurança os únicos que permaneceram na equipe que acompanhava o ex-presidente em suas viagens durante os 8 anos.

Em 2005, Ricardo foi condecorado pelo presidente com a Ordem de Rio Branco no grau de Oficial suplementar. Com a sucessão da presidência para Dilma Rousseff, seu irmão Roberto Stuckert Filho se tornou o fotógrafo oficial da então presidenta.

Em 2008, Stuckinha se casou com a jornalista Cristina Lino, em Brasília, com quem tem dois filhos.

Após deixar de ser o fotógrafo oficial da presidência, Ricardo Stuckert continuou registrando momentos importantes da política brasileira, como a posse e o processo de impeachment de Dilma Rousseff, materiais que seriam futuramente utilizados na produção do documentário Democracia em Vertigem, produção original da Netflix, dirigido por Petra Costa e indicado ao Oscar 2020 na categoria de Melhor Documentário. Ricardo foi diretor de fotografia e de imagens exclusivas do filme.

Em 2015, após reencontrar com a índia Penha Goés, decidiu iniciar seu projeto de registrar diferentes etnias indígenas do Brasil, que resultou na mostra Índios Brasileiros, exibida na Aliança Francesa em Brasília.

Em 2016, foi contratado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para cobrir a seleção feminina brasileira nas Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Em 2017, começou a percorrer o país para registrar os povos originários, registrando um total de 12 etnias diferentes – 13, se contar o caso dos isolados – dentre as cerca de 300 existentes no Brasil.

Celebridade

Ricardo Stuckert é chamado de o ‘John Wick’ da cerimônia de posse. John Wick é uma franquia de mídia de suspense e ação neo-noir americana criada pelo roteirista Derek Kolstad e estrelada por Keanu Reeves como John Wick, um ex-assassino que é forçado a voltar ao submundo do crime que havia abandonado.

Uma cena na cerimônia de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 1º de janeiro deste ano, chamou a atenção. Durante o desfile em carro aberto a caminho do Congresso Nacional, uma figura foi vista correndo de um lado para o outro do Rolls-Royce presidencial enquanto equilibrava câmeras, lentes e um controlador de drone. A cena inusitada transformou o nome de Ricardo Stuckertem um dos assuntos mais comentados do dia nas redes sociais.

Foram justamente esses vídeos que lhe renderam comparações com John Wick, uma franquia de mídia de suspense e ação neo-noir americana criada pelo roteirista Derek Kolstad e estrelada por Keanu Reeves como John Wick, um ex-assassino que é forçado a voltar ao submundo do crime que havia abandonado.

Na tarde do dia seguinte, 2, o fotógrafo brincou com a comparação e publicou uma imagem ao lado do ator no Twitter. “Com o John Wick”, escreveu.

Ricardo Stuckert é autor de 3 livros: Lula, 500 dias em fotos. Brasil: Takano. 207 páginas. 2004; Caravana da esperança: Lula pelo Nordeste. Rio de Janeiro: LPP/UERJ. 227 páginas. (2018); Povos originários: Guerreiros do tempo. Brasil: Tordesilhas. 280 páginas. (2022)

Prêmios

Além da Ordem de Rio Branco, Oficial suplementar, em 2005, Ricardo fez jus ao prêmio Oman 1st International Photography Circuit, em 2016 e, antes, em 1997, já havia ganho o prêmio de Fotojornalismo, da Editora Abril (1997)

Ricardo Henrique Stuckert é um dos nomes indicados a ser homenageado pela Revista Total com o Troféu Leão do Norte – Brasil 2023. O diretor-presidente da revista,Marcelo Mesquita deverá realizar a entrega no decorrente mês de julho.

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