AGORA GOVERNADORA, RAQUEL LYRA TERÁ QUE “ARREGAÇAR AS MANGAS” E SE PREPARAR PARA DAQUI A DOIS MESES MOER A MÁQUINA QUE IRÁ TRANSFORMAR PERNAMBUCO E LIVRÁ-LO DO ATRASO DE DÉCADAS

O Estado estagnou no Ranking de Competitividade dos Estados e, em muitos itens, perde até para Estados menores como Alagoas e Rio Grande do Norte, sem falar na Bahia e no Ceará
Por Redação
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O Ranking em questão avalia o desempenho de 27 Estados, em dez temas considerados estratégicos para promover a competitividade e melhorar a gestão pública.
Os temas avaliados pelo Ranking de Competitividade dos Estados são infraestrutura, sustentabilidade social, segurança pública, educação, solidez fiscal, eficiência da máquina pública e capital humano, sustentabilidade ambiental, potencial de mercado e inovação. Dentro dos dez temas são avaliados 86 indicadores.
O Ranking é realizado há 11 anos pelo CLP (Centro de Liderança Pública), com parceria técnica da Tendências Consultoria.
Pernambuco ficou estagnado em 2022, perdendo para outros Estados do Nordeste. Depois de subir duas posições no ano anterior, o Estado, depois de subir duas posições no ano anterior, manteve a 15ª posição no Ranking de Competitividade dos Estados e também repetiu a 4ª colocação no Nordeste, atrás da Paraíba, do Ceará e de Alagoas.
A estagnação de Pernambuco na 15ª posição pode ser explicada pela evolução em alguns pilares (temas) e queda em outros.
O Ranking mostra um desenho conhecido do Estado, que o governo Paulo Câmara (PSB) se empenhou em pagar dívidas, organizar a gestão fiscal e buscar a eficiência da máquina, mas piorou em temas como sustentabilidade social, infraestrutura, educação e sustentabilidade ambiental.
O avanço da pobreza e da fome acima da média nacional explica como a área de sustentabilidade social desandou. Já a educação vive um complexo processo de retomada, após a pandemia; e o déficit na infraestrutura é resultado da baixa taxa de investimento na economia. Nos últimos anos, o Estado tem sido um dos piores do Nordeste na aplicação de recursos públicos.
É fato concreto que, desde 2015, Pernambuco tem um comportamento de sobe e desce no Ranking de Competitividade dos Estados. Ao longo desses quase oito anos, o seu melhor desempenho estadual foi em 2015 e 2016, quando se manteve na 13ª colocação no País. Nos anos seguintes piorou, chegando à 18ª posição em 2017 e despencando para a 20ª em 2018.
Nos três anos que se seguiram, o Estado foi conquistando uma recuperação. Em 2019 e 2020 subiu para a 17ª colocação e foi para a 15ª no ano passado.
Em 2022, que poderia significar um novo ano de retomada, graças ao arrefecimento da pandemia da covid-19, Pernambuco apenas repete o desempenho de 2021, o que significa que não obteve nenhum crescimento nos seus piores índices.
O coordenador de Competitividade do CLP, Lucas Cepeda, compara a situação com um copo meio cheio.
“Depende da maneira como observarmos o copo. Pernambuco tem muitas coisas a serem melhoradas, mas nós observamos o copo meio cheio. Isso porque se olharmos para a trajetória do Estado, é de recuperação”, pontua.
Cepeda lembra que em 2018 Pernambuco alcançou sua pior posição no Ranking de Competitividade dos Estados, ficando em 20º lugar no Brasil, entre os sete lanternas. “Naquele ano, a segurança pública do Estado ficou em 27º lugar, sendo a pior do Brasil. Esse pilar foi melhorando e, em 2022, ficou entre os positivos, subindo um ponto”, explica.
Nos aspectos positivos de Pernambuco no Ranking, o executivo também aponta a liderança estadual na avaliação da educação e o 2º colocado em bolsa de mestrado e doutorado, além de pesquisa científica.
“Por outro lado, é inegável a prioridade do governo para solucionar o problema de caixa, enquanto a taxa de investimento é a mais baixa do Nordeste. A média de Pernambuco é de um percentual de investimento de 3,5% da Receita Corrente Líquida. Estados como Alagoas e Piauí aplicam 14% e 10,5%, respectivamente”, compara Cepeda.
O resultado do Ranking de Competitividade dos Estados confirma o que outros estudos mostram. Pernambuco é um Estado rico, mas com alto nível de desigualdade social.
Levantamento do IBGE, realizado este ano com dados do PIB de 2019, colocou Pernambuco em 10º lugar entre as unidades da federação mais ricas do Brasil.
A má distribuição da riqueza empurra Pernambuco para um outro ranking: o do Estado em que a pobreza e a extrema pobreza mais cresceram no Brasil. Há muito o que avançar para alcançar um equilíbrio.
E para se chegar a isto, é preciso muito trabalho. E, neste quesito, temos a convicção de que Raquel desempenha muito bem essa questão de avanço, o que nos dá uma esperança de melhoria do nosso Estado, fazendo-o voltar à condição de líder e protagonista do Nordeste, como já o foi, durante muitos e muitos anos.
Pior Estado brasileiro para se fazer negócios
“Se o futuro governo não executar ações efetivas para melhorar o ambiente de negócios e elevar a competitividade, Pernambuco vai continuar convivendo com altos índices de pobreza, maior ou menor a depender da dinâmica da economia nacional”, segundo o economista Sérgio C. Buarque.
“E vai continuar dependendo de ações emergenciais e assistencialistas para proteger os pobres. Para superar o assistencialismo e combater a pobreza, o governo deve concentrar a atuação sobre as causas estruturais desta praga social, incluindo a criação de condições para ampliação dos investimentos produtivos que dinamiza a economia, e dando total prioridade à educação de qualidade, à qualificação profissional, ao saneamento e à inovação. Assim, com o tempo, a pobreza tende a declinar”, completa Sérgio.
Os Estados têm, contudo, uma grande responsabilidade no estímulo e atração de investimentos privados, com a criação de um ambiente de negócios favorável e a elevação da competitividade sistêmica do Estado. Em ambos, Pernambuco está mal na foto: é o pior Estado brasileiro para fazer negócios (Banco Mundial) e aparece em 15º lugar na classificação da competitividade dos Estados brasileiros e no 4º lugar do Nordeste, atrás do Ceará, de Alagoas e da Paraíba (Centro de Liderança Pública).
Um raio X do ambiente de negócios no Brasil, divulgado pelo Banco Mundial, mostra que é mais fácil abrir uma empresa no Pará, obter alvarás de construção em Roraima, registrar uma transferência imobiliária em São Paulo, pagar impostos no Espírito Santo e resolver uma disputa comercial em Sergipe, do que fazer todos esses serviços em Pernambuco. De acordo com o ranking do relatório Doing Business Subnacional Brasil 2021, Pernambuco é o pior Estado do País para se fazer negócios. O levantamento põe num ranking os estados, a partir da avaliação feita nas capitais.
Fonte: Site do Banco Mundial
Área central do Recife (Fotos: Felipe Ribeiro/JC Imagem)




