Arquivos do mês setembro 2019

Presidente diz que atenderá o seu ”centrão”, composto pelos ministros Sérgio Moro, Paulo Guedes e Tarcísio Freitas, na decisão sobre derrubada de trechos do projeto que pune excessos cometidos por autoridades

Bolsonaro atende apoiadora na frente do Alvorada: a expectativa é de que ele sancione o projeto de abuso de autoridade na quinta-feira, data-limite(Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)
Bolsonaro atende apoiadora na frente do Alvorada: a expectativa é de que ele sancione o projeto de abuso de autoridade na quinta-feira, data-limite(Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

Por Rodolfo Costa/Luiz Calcagno

Postado por Marcos Lima Mochila

 

 

O Projeto de Lei 7.596/2017, sobre abuso de autoridade, promete testar o relacionamento entre Jair Bolsonaro e o Congresso. O presidente da República tem dado sinais de que está mais à vontade para vetar trechos do texto para além do já acordado artigo que pune o agente da segurança pública pelo uso irregular da algema. Nesta sexta-feira (30/8), ao deixar o Palácio da Alvorada, ele disse que atenderia o seu “centrão”, fazendo referência aos ministros da Justiça, Sérgio Moro; da Economia, Paulo Guedes; e da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas. O termo é usado no Congresso para definir os partidos mais influentes.

Deputados favoráveis ao PL mediram palavras, mas não esconderam certa insatisfação. “Os vetos são prerrogativa do governo. Agora, ele veta, e a gente tem uma conversa no que achar que ele deve derrubar”, afirmou o líder do PL, Wellington Roberto (PB).

A expectativa é de que o presidente sancione o projeto na próxima quinta-feira, data-limite. Ele admitiu que os vetos não se restringirão ao uso “irregular” de algemas em suspeitos sem risco de fuga. “Vai ter veto ali. Questão de algema, lógico que vai ter. Outros vetos terão também, mas não quero me antecipar aqui”, afirmou. “Não vai ser um veto populista, mas baseado (tecnicamente), necessário, que faça justiça. Nós reconhecemos que existe, em alguns casos, o abuso de autoridade, mas não queremos é interferir no trabalho de combate à corrupção, que é importantíssimo para o Brasil”, justificou.

Os vetos serão pautados por sugestões apresentadas por entidades representativas das carreiras dos Ministérios Públicos estaduais e Federal (MPF); das polícias estaduais, Federal (PF) e Rodoviária Federal (PRF); de auditores-fiscais da Receita Federal; e da magistratura. Mas, sobretudo, por indicações de Moro.

Wellington Roberto disse ser difícil mudar a opinião dos deputados que aprovaram o texto rapidamente. “Não posso analisar o posicionamento do presidente. Cabe a ele proceder como deve. E cabe à Câmara analisar e votar o que entrar no plenário. E eu vou apoiar o que for decidido pela reunião de líderes”, frisou.

Derrubada

O relator do PL, Ricardo Barros (PP-PR), afirmou que a relação entre o Legislativo e o Executivo não vai ficar pior com os vetos, pois não existe. “Relação da Casa com o presidente, não tem e não vai ter. Bolsonaro tem seu estilo próprio, e o Maia, uma agenda. Em alguns momentos, isso será convergente, em outros, não. Ninguém está reclamando. Quem está se dando bem é o Congresso. Quem está se dando mal é o Executivo”, alfinetou. “Tem veto acordado: o das algemas. Mas tem uma série de vetos em que não entendo como o Ministério Público não compreende que seja tipo penal. O MP vai querer processar alguém sem motivo? Não vai. Mas ninguém discute derrubada de vetos antes de o presidente vetar.”

O líder do DEM, Elmar Nascimento (BA), e o do PSDB, Carlos Sampaio (SP), colocaram panos quentes. “A Constituição dá a ele (Bolsonaro) direito de vetar, e a nós, o de derrubar. A nossa relação é de respeito. É natural que algumas coisas sejam vetadas. Nunca vi derrubarem tantos vetos quanto com esse presidente. E ele soube lidar. Ele aprendeu a lidar conosco como aprendemos a lidar com ele”, ressaltou Nascimento.

Já Sampaio afirmou que a lei é importante para coibir excessos. “Porém, a lei aprovada pelo Congresso merece reparos que podem e devem ser feitos por meio do veto presidencial. Refiro-me àqueles que corrijam os excessos e, principalmente, suprimam da lei as expressões que, pela total subjetividade, poderiam tolher a função de policiais, juízes e promotores de Justiça.”

Goldman estava internado no hospital Sírio-Libanês e morte foi decorrente do seu tratamento de câncer na cervical

Goldman governou estado de São Paulo em 2010 (Foto: George Gianni/ PSDB)
Goldman governou o Estado de São Paulo em 2010 (Foto: George Gianni/ PSDB)

Laura Lourenço, da Agência Record*

Postado por Marcos Lima Mochila

 

 

O ex-governador de São Paulo Alberto Goldman (PSDB), 81 anos, morreu por volta das 13h30 deste domingo (1) em São Paulo. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês desde o dia 19 de agosto, quando passou por uma cirurgia no cérebro.

Segundo o hospital, o ex-governador tinha um tumor na cervical, de nome neuroendócrino. O problema foi descoberto em novembro de 2018, durante o feriado de Finados, quando Goldman teve um cansaço excessivo subindo uma rampa de areia na Praia do Forte, no litoral da Bahia. Alberto jogava basquete duas vezes por semana, o que impactou na suspeita com sua saúde.

Alberto Goldman fazia tratamento desde janeiro deste ano e tomava remédios muito fortes, o que provocaram a queda das plaquetas e de hemoglobina em seu sangue. Desde o início do tratamento, ele passou por várias internações de transfusão de hemácias e plaquetas.

Durante uma dessas transfusões, Alberto se sentiu sonolento e com dor de cabeça e foi submetido a uma tomografia. No procedimento, descobriram uma artéria rompida em seu cérebro e ele passou por cirurgia no mesmo dia.

Nascido em 12 de outubro de 1937, Goldman era engenheiro formado pela Escola Politécnica, foi deputado estadual por dois mandatos (1971-1978), deputado federal por seis mandatos (1979-1986 e 1991-2006), Ministro dos Transportes (Governo Itamar Franco), secretário de Estado, vice-governador e governador de São Paulo.

Alberto Goldman deixa esposa, cinco filhos e quatro netos.

 

* Estagiária da Agência Record, sob supervisão de Cristina Charão

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