Por Houldine Nascimento, da equipe do Blog
O prefeito de Palmares (PE), Júnior de Beto (foto), do Progressistas, é um dos investigados da operação Background, deflagrada pela Polícia Federal no último dia 5, tendo como principal alvo o Grupo João Santos. O Blog teve acesso à decisão judicial que autorizou a ação da PF e determinou o bloqueio de valores da conta bancária do gestor em até R$ 8,64 bilhões, além do sequestro de dois imóveis: um apartamento no Pina, Zona Sul do Recife, com valor declarado de R$ 179.565,23 e um lote de terreno na Avenida Cruz Cabugá, em Santo Amaro, centro da capital pernambucana, de R$ 426.229,19.
Na sentença proferida pela juíza federal Amanda Torres de Lucena Diniz Araujo, da 4ª Vara de Pernambuco, consta que José Bartolomeu de Almeida Melo Junior – nome completo do prefeito Júnior de Beto – é sócio da BF Fomento Mercantil Ltda. Segundo a investigação da PF, esta companhia “efetuou diversos serviços como se fosse uma instituição financeira para empresas do Grupo João Santos, mediante contratos de trust com o propósito de retirar os valores das contas das empresas que corriam risco de bloqueio judicial”.
De acordo com o processo, Júnior de Beto preencheu em vários períodos cargos de diretor e vice-presidente na maioria das empresas que compõem o Grupo João Santos. Há 11 contas bancárias associadas a ele, que também é proprietário de uma rede de postos de combustíveis.
Segundo a sentença, havia “a operação de omissão de faturamento (sonegação fiscal)”, o que pode ser considerada “lavagem de dinheiro”. Além dele, o cunhado Francisco de Paula Domingues Porto Filho, conhecido como Chiquinho, é apontado como sócio da BF Fomento Mercantil e também se revezava em cargos de diretoria no grupo João Santos. Duzentas e oitenta contas são atribuídas a ele.
A Justiça assegura que a BF Fomento “possui contrato de administração de bens e direitos com praticamente todas as empresas do Grupo João Santos” e apresenta “indicativos” de que foi “utilizada pelos dirigentes do grupo empresarial para justificar a ausência de recursos em suas contas bancárias, impedindo o adimplemento de suas obrigações trabalhistas, fiscais e tributárias”.
A juíza Amanda Torres também destaca que Chiquinho foi investigado pela operação Turbulência, em 2016, e que ele utilizou a BF Factoring “para a prática do crime de lavagem de dinheiro na modalidade comingling, com a mesclagem de dinheiro lícito com ilícito (recursos desviados de obras públicas)”.
A Procuradoria Regional da Fazenda Nacional atestou que o Grupo João Santos deve R$ 8,6 bilhões em impostos e acumula R$ 55 milhões em dívidas trabalhistas, fazendo com que os funcionários ficassem sem receber salários. Ao todo, 240 agentes da PF cumpriram 53 mandados de busca e apreensão em cinco estados: Amazonas, Distrito Federal, Pará, Pernambuco e em São Paulo.
De acordo com Alexandre Alves, delegado regional de combate ao crime organizado, as “investigações tiveram início em 2018, quando a PF foi procurada pelo Ministério Público do Trabalho e pelo Ministério Público Federal”. Houve quebra de sigilos bancário e fiscal, o que fez com que fosse detectada “movimentação em cinco anos de R$ 56 bilhões”.
Ainda segundo a PF, os investigados se organizaram em um sofisticado esquema contábil-financeiro para desviar o patrimônio das empresas do grupo.
O Blog procurou por telefone o prefeito Júnior de Beto para que se pronunciasse sobre o caso, mas ele não atendeu às ligações. A reportagem não conseguiu localizar o empresário Chiquinho.
Em contrapartida, o Blog conseguiu contato com um dos advogados do Grupo João Santos, mas ele se limitou a dizer que não havia “nada a declarar” sobre o tema.

Fonte Blog do Magno Martins

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fechar