Prazo de Bolsonaro chocará com pico de contaminação

Embora tenha aparentemente mudado o discurso sobre a pandemia, o presidente Jair Bolsonaro deu novo recado ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Colocou a próxima semana como prazo final para o isolamento. Mesmo que a volta à atividade econômica seja gradual.

A preocupação de Bolsonaro é similar à de muitos gestores públicos, embora estes não a expressem. A arrecadação de todos os entes federativos despencou em março. Isso porque metade do mês ainda teve funcionamento normal. Abril se iniciou em total isolamento, e caso termine sem alterações, economistas avaliam que o trimestre seja perdido. Assim encaram os otimistas. Para os pessimistas, é o ano que está perdido.

As projeções colocam que o pico ocorrerá no dia 15, portanto em menos de duas semanas. As recomendações do Ministério da Saúde seguem para se manter o isolamento, a despeito da pressão de Bolsonaro, cujo prazo praticamente se choca com o dito ápice da contaminação.

Ontem, o ministério revelou que o vírus já estava no país desde janeiro, portanto no Carnaval já havia contaminados. Bem, se não explodiu ali, quando mais gente está aglomerado na rua, muitos acharão que não será agora. Diferente de chineses e europeus, temos um clima mais favorável, boa parte da população mantém o hábito de tomar banho e se higienizar mais de uma vez por dia. Mesmo assim, quem pagará pra ver no dia 15?

ELEIÇÕES – A ministra Rosa Weber, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, garantiu que o país tem condições de cumprir o calendário eleitoral. Encerra nesta terça a “janela da infidelidade”, na qual vereadores podem mudar de legenda sem perder o mandato. No sábado, é o prazo final para as filiações.

TROCA – A troca de elogios entre o governador de São Paulo, João Dória, e o ex-presidente Lula não desceu bem entre aliados de PSDB e PT. O pragmatismo não é bem visto, mas é aplicado justamente porque seus adeptos julgam que é a melhor forma de se beneficiar, sempre.

POLO TÊXTIL – Um grupo de empresários sugeriu ontem ao governador que o Polo de Confecções do Agreste poderia produzir milhões de máscaras para compensar. Há uma crítica ferrenha à lentidão do estado para conseguir fechar contratos com a China.

CAPITALISMO SELVAGEM – Um navio cheio de máscaras com destino à França já se preparava para dar a partida no porto chinês. Foi quando a encomenda teve mudança de endereço: seguiu para os Estados Unidos. Pagaram quatro vezes mais. Virou rotina no porto. Nem se pode dizer que os franceses ficaram a ver navios, pois terão de esperar mais.

Coluna diária da Revista Total – Política Total
E-mail marcelomesquitart@gmail.com
Telefone: (81)99660-9090 whatsapp

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fechar