Por Márcio Maia

Desde que os pernambucanos se reuniram para lutar contra os holandeses no ano de 1654 e conseguiram a vitória após homéricas batalhas, a semente da liberdade começou a germinar na cabeça de todo o povo. Os pernambucanos nunca aceitaram o domínio português, seguindo os ensinamentos dos caciques da tribo dos Caetés, a única brasileira que não aceitou ser “colonizada” pelos invasores. O ápice do entendimento aconteceu no dia 6 de março de 1817, quando Pernambuco se tornou um País.
Hoje, estamos comemorando a mais importante data do calendário histórico de nosso Estado, quando naquele ano, eclodiu o movimento que se chamou Revolução Pernambucana. A elite intelectual, militares, religiosos, maçons e o povo uniram-se para seguir os ideais libertários e humanitários, que haviam conseguido grande êxito na França, com o lema “Igualdade, Fraternidade e Liberdade”.
Revoltados com o desprezo demonstrado pela Coroa Portuguesa, que gerenciava o Brasil, os pernambucanos faziam uma relação com o período de desenvolvimento iniciado pelo conde Maurício de Nassau, período em que a então província produzia mais da metade das exportações de cana-de-açúcar. Os altos impostos cobrados revoltavam comerciantes e proprietários de terras, que acompanhavam ao longe os luxos da Família Real e os gastos com as construções de imponentes prédios no Rio de Janeiro.
A República Pernambucana nasceu oficialmente, 72 anos antes da existência do Brasil. Naquele 6 de março, nasceu uma nação chamada Pernambuco. A nação durou apenas 75 dias, mas deixou um legado inestimável, o qual inspira os pernambucanos até hoje.
Tudo começou quando naquele dia, o governador Caetano Pinto foi informado de que uma rebelião estava sendo preparada. Preocupado, reuniu o Conselho Militar da Capitania, composto por oficiais portugueses, de onde partiu a ordem para prender os líderes do movimento. De imediato, foram presos os comerciantes Domingos Martins e Antônio da Cruz Cabugá e João Ribeiro Montenegro.
Quando começaram as prisões dos militares, a revolta se ampliou. O brigadeiro português Manoel Barbosa deu a ordem de prisão e foi morto com um golpe de espada, pelo capitão José de Barros Lima, conhecido como o Leão Coroado. Assumindo o comando da tropa, após a fuga dos oficiais portugueses, determinou a soltura dos presos políticos.
O governador Caetano Pinto, ao tomar conhecimento dos fatos, fugiu do Palácio e se refugiou no Forte do Brum, na Ilha do Recife, até ser expulso.
O País Pernambuco era formado pelas terras onde existem hoje os Estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. É importante registrar que as terras ao oeste do Rio São Francisco, faziam parte do território pernambucano.

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