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Por Tonico Magalhães

 

Cuba, a ilha de Fidel Castro, recebeu, em 2018, 4,75 milhões de turistas estrangeiros. Majoritariamente, segundo o Ministério do Turismo cubano, gente rica para apreciar seus resorts, charutos e rum de primeira qualidade. O custo da viagem para o turista classe média ficou alto com a economia dolarizada para os visitantes.

 

Existe uma melhor opção para o Socialista Classe A (SCA) que um dia pensou em visitar a ilha do Caribe, museu vivo do socialismo falido: vir a Pernambuco, ponto de convergência histórica da esquerda socialista de Arraes, Eduardo Campos e Paulo Câmara, que vem detendo o poder estadual há quase 20 anos.

 

Aqui o SCA pode encontrar os fetiches da esquerda, semelhantes a Cuba e em Reais, como o santuário em homenagem à mãe do hoje presidiário (amanhã não se sabe) no Parque Dona Lindu, na praia de Boa Viagem. Projetado pelo comunista Oscar Niemayer e construído pelo prefeito petista do Recife, João Paulo, a um custo de mais de R$ 20 milhões.

 

O Socialista Classe A pode também seguir o roteiro sentimental e ir a cidade de Caetés, onde nasceu o ex-presidente. Ver a casinha onde viveu e uma réplica do caminhão pau-de-arara que transportou sua família para São Paulo.

 

E se impressionar com a trajetória do líder esquerdista, de migrante a presidente da República, milionário, e a condenado na Justiça por ter recebido propina. Impressionante e educativo.

 

Para o SCA saudoso da União Soviética, há possibilidade de visita ao terreno na cidade de Itacaruba, no sertão do São Francisco, onde está planejado a construção de uma usina nuclear, a nossa Chernobil. Já aqueles afeitos do turismo socialista de aventuras pode se embrenhar em nossa Mata Atlântica para brincar de guerrilha rural numa Sierra Maestra cabocla.

 

A praia de Boa Viagem, a mais frequentada do Recife pelo povão não é lugar para o SCA. O bom socialista vai aonde tem gente esclarecida, boa cabeça na esquerda e rica, devendo dar preferência as praias de Toquinho, Carneiros e Muro Alto.

 

Nos jantares inteligentes, no dizer do filósofo Luiz Felipe Pondé, se discutem o destino do povo brasileiro e as opções de derrubada do presidente Jair Bolsonaro.

 

Se o SCA preferir ficar pelo Recife ele pode começar pela Zona Norte da capital, os bairros de Jaqueira, Parnamirim e Casa Forte, este último o mais importante e populoso gueto da esquerda caviar pernambucana, habitada pela elite do funcionalismo federal e estadual com seus polpudos salários.

 

E há o que conhecer: por exemplo, o Jardim do Baobá, árvore centenária africana plantada à margem do rio Capibaribe. Se fosse gente já estaria sufocada pelos abraços semanais dos adoradores politicamente corretos da cultura afrobrasileira.

 

Nesse gueto há também a possibilidade do SCA encontrar-se com o povão. Aos domingos, um rico consultor de empresas lidera caravanas em caminhadas pelo bairro. O Socialista Classe A conhece de perto os obstáculos o cotidiano da maioria dos cidadãos ao andar por calçadas esburacadas com perigo de assaltos.

 

Ao final do passeio pelo Recife real, nada como um chá ou um café com bolinhos nas delicatessen de Casa Forte, onde um mero expresso sai pelo preço de meio quilo de café. Mas para essa turma não é problema.

Na área central do Recife, o Marco Zero é o ponto de concentração de grandes comícios eleitorais e shows.

 

Nessa esplanada a presidenta hoje sem poder e o presidiário prometeram mundos e fundos para os pernambucanos, como a transposição das águas do Rio São Francisco, a Ferrovia Transnordestina e a Refinaria de Suape. Essa última saiu do papel com o calote de Hugo Chávez e distribuição variadas de propinas.

 

E não funciona completamente até agora. Mas a diversão é o que importa para o Socialista Classe A. O restaurante Dom Pedro na rua do Imperador, bairro de Santo Antônio, já foi um reduto de comunista durante os governos militares. De tanta trama oposicionista regada a uísque, só sobrou uma ressaca federal.

 

Hoje, o “quente” é frequentar a uma mercearia/bar, no bairro da Boa Vista. Para o SCA saudosista num dia da semana há apresentação de músicas da oposição aos militares. “Apesar de você amanhã há de ser outro dia”, para os frequentadores é uma versão atualizada de contestação aos tempos atuais. É a resistência.

 

Pernambuco tem o que o resto do Nordeste não tem: a aura do mais esquerdista estado da região. Uma Cuba brasileira, onde ainda existem comunistas, socialistas, petistas. E tem futuro: as “madrassas” universitárias continuam formando militantes para perpetuar esse incômodo destino.

 

*Integrante da Cooperativa de Jornalistas de Pernambuco

 

Fonte Blog do Magno Martins

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