Recife foi salvo de uma catástrofe no dia 12 de maio de 1985, em que um incêndio poderia acabar com o bairro do Recife e mais quatro bairros

Navio petroleiro carregava 1500 toneladas de ''gás de cozinha'' quando um dos seus três tanques entrou em chamas (Foto: reprodução/Internet)
Navio petroleiro carregava 1500 toneladas de ”gás de cozinha” quando um dos seus três tanques entrou em chamas (Foto: reprodução/Internet)

Por Marcos Lima Mochila

 

Só quem tem mais de 50 anos deve lembrar de Nelcy da Silva Campos e de como ele evitou que acontecesse um incêndio catastrófico Recife, em 12 de maio de 1985.

Nelcy da Silva Campos: o "Herói Pernambucano Contemporâneo"

Nelcy da Silva Campos: o “Herói Pernambucano Contemporâneo”

Após seu feito, Nelcy ficou conhecido como o “Herói Pernambuco Contemporâneo”.

O INCÊNDIO

Passava de 1h30 do dia 12 de maio de 1985. O navio petroleiro Jatobá estava atracado no Porto do Recife e carregava 1500 toneladas de gás butano – conhecido como gás de cozinha – quando um dos seus três tanques, na casa de máquinas, explodiu, sendo tomado pelas chamas. O fogo ameaçava explodir cerca de 153 mil m³ de produtos inflamáveis que estavam no Parque de Tancagem do Brum. Uma explosão no local destruiria tudo num raio de cinco quilômetros, atingindo os bairros de Santo Antônio, Recife Antigo, Boa Vista, Brasília Teimosa e Pina, desaparecendo grande parte da cidade que conhecemos hoje.

Segundo um artigo da Fundaj sobre o tema, as chamas chegaram a atingir 20m de altura. Todo o efetivo do Corpo de Bombeiros foi acionado, mas o fogo não cedeu, tendo o Governador Roberto Magalhães na época tomado todas providências que estavam ao seu alcance.

Agindo como herói, Nelcy Campos, prático da barra (um tipo de guia de embarcações), aceitou realizar aquilo que poderia ter sido uma missão suicida: rebocar o navio que estava em chamas para o alto mar, na tentativa de evitar a catástrofe. Mas, ele realizou o feito e saiu ileso.

Nelcy Campos nasceu no Recife no dia 21 de janeiro de 1931 e morreu aos 59 anos, no dia 27 de setembro de 1990, de causas naturais.

Busto é feito de resina com pó de mármore (Foto: divulgação/Porto do Recife)
Busto é feito de resina com pó de mármore (Foto: divulgação/Porto do Recife)

 

HOMENAGEM

Em setembro de 2003, o Prático de Barra foi homenageado pela Marinha do Brasil com a colocação de um busto de mármore junto ao Terminal Marítimo de Passageiros, na Praça do Marco Zero do Recife.

O projeto de restauração dos armazéns tirou a peça do local, mas, no dia 29 de maio de 2015, duas semanas depois do aniversário de 30 anos do acontecimento, a imagem foi colocada de volta ao seu local de origem, em cerimônia realizada pela Capitania dos Portos.

O busto teria ficado guardado em uma sala do prédio administrativo do Porto do Recife desde 2012. A Assessoria de Comunicação do Porto disse que a imagem não era exibida porque estava faltando a manutenção da peça (ela ainda estava com resquícios de quando fora retirada), além de uma base que a sustentasse.

A peça foi restaurada pelo artista plástico Demétrio Albuquerque, o mesmo que, em 2003, fez o busto, que é feito de resina com pó de mármore.

Além de ter esculpido a peça, Demétrio carrega admiração pelo prático da barra pernambucano por sua independência e seu profissionalismo. “Já fiz grandes figuras pernambucanas e eu ligo o caráter delas à pernambucanidade, é algo da região. Eu o admiro pela independência de ter ido resolver a situação sem jogar o problema para um superior, por exemplo. E também por seu profissionalismo, de não só ir trabalhar e fazer o de sempre, mas de ver um problema e ir resolvê-lo”, afirma.

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