JOSÉ NIVALDO JR 2

 DEMOCRACIA NÃO ESTÁ NA BERLINDA

José Nivaldo Júnior (*)

 

A Democracia contemporânea brasileira com pouco mais de 30 anos, é muito jovem. Entretanto, tem raízes profundas, alicerces sólidos.

É resultado de um duradouro e consistente processo de resistência à ditadura instalada em 1964, que oprimiu o país por mais de 20 anos. O fato de não ser dádiva e sim conquista está embutido no inconsciente coletivo. Inclusive dos mais jovens que, felizmente, não sofreram aqueles duros tempos. E, por isso, até podem expressar alguma equivocada simpatia pela época ditatorial. Nesse caso, contaminados pelo saudosismo maléfico de velhos adeptos do também chamado “Regime Militar”. Dos fascistas e direitistas que permaneceram embutidos muitos anos, mas recentemente, na esteira de condutas distorcidas do PT e do ambiente propício ao conservadorismo, trataram de botar as unhas de fora. São minoria, mas não são poucos.

Minha visão contrária à ditadura está expressa em muitos depoimentos, textos, posts. O romance “1964 – O Julgamento de Deus”, que ambientei na Surubim da minha infância, trata o golpe de 64 de forma irônica, picaresca e caricatural. Fui contra, sou contra, morrerei contra. Foram os militares com apoio dos Estados Unidos, da maioria da elite rural e urbana e, é forçado reconhecer, de grande parte da classe média assustada com o fantasma do comunismo, então à solta, que deram o golpe. Romperam a ordem democrática, rasgaram a constituição e estabeleceram um governo que abrigava o terror, a tortura, a censura, a intolerância, a violação dos direitos humanos.

Isso tudo é passado. A democracia, conquistada com sangue, suor e lágrimas, como disse, é árvore frondosa com raízes firmes. Tendo ao lado uma flor tenra, que tem que ser regada todo dia. Se arrancarem a flor, a democracia fica menos bela. Mas a árvore não se abala.

Verdade que o mundo democrático vive uma onda conservadora. A intolerância e o reacionarismo de ideias e costumes prospera sobre uma profunda crise econômica e social. Há um esgarçamento visível do tecido social. Porém inexistem no quadro atual as condições internas e internacionais para um retrocesso capaz de derrubar novamente os pilares da Democracia. Nenhum presidente da República tem poder para revogar a ordem democrática. Podem acontecer novos retrocessos pontuais, somando-se aos que já vêm ocorrendo há tempo.

Escrevo sem saber a decisão dos eleitores sobre o novo presidente. Mas, otimista inveterado, independente de quem ganhar, acredito que daqui a 4 anos o país estará melhor e a democracia mais saudável e vigorosa.

 

(*) José Nivaldo Junior – Publicitário. Historiador. Autor do best-seller internacional “Maquiavel, o Poder”.

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