CLARISSA TÉRCIO

 

A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) aprovou, nesta quarta-feira (31), a extinção da Delegacia de Crimes contra a Administração e Serviços Públicos (Decasp), por 30 votos a favor e seis contra, sem tempo para uma maior discussão. O Projeto de Lei Ordinária nº 2066/2018, de autoria do Poder Executivo, tramitou em regime de urgência. Assim como a primeira votação, realizada no dia anterior, a sessão desta quarta foi marcada por manifestações contra a aprovação da matéria. Representantes da Polícia Civil não concordaram com o fechamento da Delegacia de Crimes contra a Corrupção.

Presente no momento da votação, ainda como expectadora, a deputada eleita Clarissa Tércio (PSC) estranhou a celeridade da apreciação por parte dos parlamentares de uma matéria tão importante e aproveitou para questionar: “não ficou clara a intenção do governador Paulo Câmara (PSB) em querer fechar a Decasp que investiga Crimes contra a administração e serviços públicos. Também não entendi o motivo da necessidade de urgência na votação. A Decasp era eficiente, vinha realizando um bom trabalho e mostrando resultados. Da forma como o projeto chegou, sem discussão prévia e debate, confesso que se já estivesse aqui na Alepe, teria votado contra”.

Para a deputada eleita, que assumirá seu 1º mandato no início de fevereiro/2019, esse tema contraria o amplo sentimento nacional de moralidade, austeridade, justiça e combate a corrupção: “Essa votação teve ampla repercussão negativa na imprensa local e até na mídia nacional. O governador de Pernambuco deveria ouvir os representantes da Associação dos Delegados de Polícia de Pernambuco (Adeppe), integrantes do Fórum Permanente de Combate à Corrupção (Focco/PE) e também discutir com os deputados. Sou filha de um coronel da reserva e sei que a segurança do Estado precisa de mais apoio, estrutura e investimentos, não fechamento de delegacias. Tomara que essa atitude do Governo não comprometa o desbaratamento e investigação de delitos de chamado ‘colarinho branco’ praticados por empresários e políticos no Estado. A sociedade pernambucana vai cobrar resultados das operações que estavam em andamento, entre elas, a ‘Castelo de Farinha’. Temos a responsabilidade e o dever moral de acompanhar os desdobramentos e continuar fiscalizando”, alertou.

A partir de agora, o MPPE passará a comandar as investigações, através do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). A extinção da Delegacia de Crimes contra a Propriedade Imaterial (Deprim) também está prevista na Lei que segue para redação final e sanção do governador.

Posição – Esse é o terceiro questionamento que a deputada eleita faz a condução do governador Paulo Câmara. Ainda durante a campanha, ela já tinha criticado livros (com temática sobre ideologia de gênero) distribuídos pela Secretaria Estadual de Educação. Foi ela também a primeira voz discordante ao incentivo cultural que seria dado pelo Estado na exibição da peça teatral “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”, incluída na programação oficial do Festival de Inverno de Garanhuns. Na época, o alerta feito por Clarissa viralizou nas redes sociais e contribuiu para o cancelamento da exibição.

Curiosamente, a data de hoje ficou ainda mais simbólica: “exatamente neste dia 30 de outubro relembramos os 501 anos da Reforma Protestante de 1517. Nossa missão é continuar protestando, também nos dias atuais, contra arbitrariedades, injustiças e leis equivocadas”, destacou a cristã Clarissa Tércio.

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