COLUNA DO MOCHILA MONTADAELEIÇÕES 2018

 

Reprodução/Google Imagens
(Reprodução/Google Imagens)

Por Andrei Meireles(*)

Para quem não está nas cabeças no páreo para vencer as eleições, o número de votos pode traduzir-se em sabor de vitória ou de derrota. São os casos de alguns presidenciáveis que entraram na disputa sem maiores pretensões e de outros que esperavam vencer e encolheram durante a campanha.

Marina Silva com eleitores gaúchos
Marina Silva com eleitores gaúchos

 

Marina Silva, por exemplo, sem partido e nem tempo de tevê, começou a corrida com bom cacife na campanha, aparecendo nas pesquisas (em que Lula não estava na disputa) na segunda colocação. Quando Haddad, turbinado por Lula, teve uma ascensão meteórica, Marina encolheu a ponto de virar uma candidata nanica. O desempenho da Rede em outras eleições país afora também é fraco.

 

João Amoêdo posa para selfie com fã do partido Novo em Macapá
João Amoêdo posa para selfie com fã do partido Novo em Macapá

João Amoêdo, um ilustre desconhecido, sem tempo na tevê, se cacifou como liderança emergente de uma direita mais moderna. Tem fôlego e discurso para futuras campanhas. Seu partido, o Novo, que hoje não tem nenhum representante no Congresso deve eleger, de acordo com levantamento do Diap, entre 5 e 10 deputados federais.

 

 

 

Henrique Meirelles faz carreta em Aparecida de Goiás. Foto Sérgio Dutti
Henrique Meirelles faz carreta em Aparecida de Goiás (Foto Sérgio Dutti)

 

Henrique Meirelles apostou alto, inclusive muito dinheiro próprio, e vai sair, depois de uma campanha tida por especialistas como bem feita, com bem menos votos do que esperava, mas conhecido em todo o país. Como é um voo solo – o MDB se dividiu no apoio a vários presidenciáveis, de acordo com seus interesses regionais –, seu desempenho nas urnas não causa nenhum impacto político.

 

Paulo Rabello de Castro e Álvaro Dias.
Paulo Rabello de Castro e Álvaro Dias

 

Álvaro Dias entrou e saiu da campanha como uma liderança regional, mas mesmo no Sul a polarização nessa reta final está reduzindo seu cacife eleitoral. Seu partido, o Podemos, foi uma escolha de ocasião porque não havia espaço para a candidatura em siglas de mais peso. Pelas contas do Diap, o Podemos sai das eleições mais ou menos com o tamanho que entrou.

 

 

Geraldo Alckmin em campnha no Nordeste. Foto Divulgação
Geraldo Alckmin em campanha no Nordeste (Foto Divulgação)

Geraldo Alckmin é um fenômeno eleitoral às avessas. Com amplo apoio partidário, um latifúndio de tempo no rádio e na tevê, e a sigla PSDB que com Fernando Henrique venceu duas no primeiro turno e perdeu outras quatro no segundo turno. Uma das explicações é o monumental desgaste tucano com as denúncias contra os seus principais líderes — Aécio Neves, José Serra e o próprio Alckmin. Apesar disso, porém, o PSDB tem chances de vencer eleições para governador em estados do peso de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do.

Alckmin passou a campanha inteira subindo um pontinho em uma pesquisa, perdendo outro pontinho no levantamento posterior, e chega ao fim como principal vítima da sua campanha pelo voto útil. A turma do Bolsonaro assedia os tucanos na expectativa de liquidar a fatura no primeiro turno. O pessoal do Ciro Gomes, que se apresenta como única alternativa viável a uma final entre Bolsonaro e Haddad, também corre atrás dos eleitores do PSDB. Com tantas agruras, pode ser o fim da carreira política de Alckmin e de toda uma geração de tucanos — tem uma turma nova batendo à porta.

Fernando Haddad na Avenida Paulista
Fernando Haddad na Avenida Paulista

 

Fernando Haddad investe tudo em passar para o segundo turno e, lá, tentar reverter o jogo, hoje favorável a Bolsonaro. Se não conseguir, mais do que sua carreira política, ele põe em risco o futuro do próprio lulismo.

 

 

(*) poliarquia.com.br

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