COLUNA DO MOCHILA MONTADA

XP/Ipespe: sem Lula, Marina e Ciro reduzem diferença para Bolsonaro

Marina Silva e Ciro Gomes (Antonio Milena/VEJA.com - Mário Miranda/Amcham/Divulgação)
Marina Silva e Ciro Gomes (Antonio Milena/VEJA.com – Mário Miranda/Amcham/Divulgação)
No cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), inelegível pelo atual entendimento da Lei da Ficha Limpa e que pode ter sua candidatura indeferida nesta sexta-feira pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os candidatos Marina Silva, da Rede, e Ciro Gomes, do PDT, reduziram a vantagem para o líder Jair Bolsonaro (PSL), segundo pesquisa do instituto Ipespe, a pedido da consultoria XP, divulgada nesta sexta-feira 31.
Bolsonaro se manteve com 23% das intenções de voto, a ex-senadora da Rede passou de 12% para 13%, enquanto o ex-ministro, que antes tinha 8%, agora aparece com 10%.
No cenário em que Haddad é apresentado como candidato “apoiado por Lula”, o ex-prefeito passa para 13% e fica em segundo lugar, atrás de Bolsonaro, com 21%. Nesse cenário, Ciro e Marina ficariam com 10%, Alckmin, com 8%, Alvaro Dias e Amoedo com 4% e Meirelles, Boulos e Daciolo com 1% – Goulart, Vera e Eymael não pontuam. Brancos, nulos e indecisos são 27%.

Com Lula
O ex-presidente, se fosse candidato, estaria em primeiro lugar, com 33% das intenções de voto, 1 ponto porcentual acima da semana anterior. Nesse cenário, Bolsonaro teria 21%, Ciro, 8%, Marina, 7%, Alckmin, 7%, Amoêdo, 4%, Alvaro Dias, 3%, e Meirelles e Boulos, com 1%. Vera Lúcia, Cabo Daciolo e Eymael não pontuaram.

Aumento de salário do Judiciário? Nós pagamos a conta

Desigualdade: os juízes do Supremo garantem seu benefício, mesmo numa economia que não cresce e tem 13 milhões de desempregados (Lula Marques / Agência PT/Divulgação)
Desigualdade: os juízes do Supremo garantem seu benefício, mesmo numa economia que não cresce e tem 13 milhões de desempregados (Lula Marques / Agência PT/Divulgação)

A hora do recreio ainda vai demorar muito para chegar no Brasil. Boa parte do tempo, aliás, a impressão é que essa hora não vai chegar nunca, e que o Brasil está destinado a ser um país fracassado para sempre, como é agora. Esqueça um pouco as eleições presidenciais e outros portentos que vêm por aí. São coisas importantes, é claro, e certamente têm um imenso potencial para fazer nosso desastre atual ficar ainda pior do que já é — mas seu potencial para fazer o bem é muito reduzido, pois o país está organizado, planejado e engessado de forma a garantir seu próprio fracasso.

As eleições, com certeza, podem trazer um novo presidente e um novo governo mais qualificados — ou, pelo menos, capazes de dirigir o Brasil de maneira menos ruinosa do que o exército de gafanhotos que ocupou o poder nos últimos 16 anos. Infelizmente, as eleições não têm a capacidade de fazer mágica. As decisões indispensáveis para construir um Brasil com progresso, prosperidade e equilíbrio social dependem, essencialmente, de reformas que os atuais sócios-proprietários do país combatem com empenho de vida e morte — e vão continuar combatendo, seja lá qual for o novo presidente da República. Essa gente, que não abre mão de nada, tem ganhado a disputa até agora. Não há sinais de que venham permitir um recreio aos brasileiros que passam a vida trabalhando para servi-los.

Querem tudo, querem só para eles e querem já
Nada representa de maneira tão admirável essa guerra de extermínio contra a nação do que o grosso do Poder Judiciário brasileiro, que acabam de dar a si mesmos, a partir de decisão do Supremo Tribunal Federal em proveito de seus 11 membros, um aumento salarial superior a 16%. É um ato de saque. Nenhum cidadão brasileiro terá aumento de 16%, sendo que 13 milhões nem sequer têm salário para ser aumentado, visto que estão desempregados. Também não faz nenhum sentido, em nenhum lugar do mundo, dar um aumento salarial desse tamanho numa economia que está crescendo, basicamente, a 0%.

Perversamente, o descalabro é feito mais uma vez “em cascata” — ou seja, como numa epidemia, espalha-se imediatamente para baixo, beneficiando milhares de juízes, em seguida os procuradores, e por aí afora. O aumento decretado para si mesmos por 11 cidadãos vai também para os contracheques da multidão de funcionários instalados nos galhos mais altos da máquina do governo. Esse dinheiro não vem “do governo”. Os beneficiados tiram cada tostão de seus aumentos diretamente do bolso dos brasileiros. É transferência de renda direta de uma classe para outra — ou concentração de riqueza em estado puro.

Num país que vai arrecadar mais de 2 trilhões de reais em impostos neste ano de 2018, o poder público não tem dinheiro para tapar uma goteira — quase tudo é engolido para sustentar o funcionamento da máquina. Enfim: a despesa é absolutamente superior à capacidade física dos brasileiros em pagá-la. O resultado é um déficit permanente nas contas do governo, financiado tomando-se dinheiro a juros — que serão pagos, de novo, pelo contribuinte.

Os inimigos do Brasil são esses — não há outros. Enquanto mandarem no país, podem trocar à vontade de presidente que não vai acontecer nada de bom.

COLUNA DA DENISE MONTADA

Comitê versus OEA

Asamblea General de la Organización de Estados Americanos (OEA) (Foto: EFE/Guillermo Legaria)
Asamblea General de la Organización de Estados Americanos (OEA) (Foto: EFE/Guillermo Legaria)
Já chegou aos ouvidos de autoridades brasileiras que os observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) firmaram o entendimento de que as instituições estão funcionando normalmente no Brasil. Logo, dirão em seus relatórios que não houve golpe e que o país não fere os preceitos democráticos, um contraponto ao documento do Comitê de Direitos Humanos da ONU.

Repetiram o erro

Advogados Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins (Leandro Salgado/Futura Press/Estadão Conteúdo/VEJA SP)
Advogados Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins (Leandro Salgado/Futura Press/Estadão Conteúdo/VEJA SP)
Mais uma vez, os advogados de Lula focaram a defesa, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no Comitê de Direitos Humanos da ONU. Entre os ministros, eram favas contadas que, se os advogados fossem por aí, as chances de vitória do ex-presidente seriam mais remotas.

MINISTRO DO SUPREMO

Cuidado aí!
O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre Moraes só deve levar seu parecer sobre o caso de Jair Bolsonaro para votação na Primeira Turma da Corte depois das eleições. “Lula preso subiu de 20% para quase 40%. Se você levar o caso do Jair Bolsonaro agora, ele vai a 30%”, alertou um ministro.

CURTIDAS

Janot versus Gilmar/JANOT VERSUS GILMARO ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot (foto) não perde a chance de beliscar o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Ontem, no Twitter, ele comentou a segunda prisão do ex-secretário de Saúde do Rio de Janeiro Sérgio Côrtes: “Será que alguém (todo mundo sabe quem) vai soltar também?” E Deltan Dallagnol retuitou.

Temer versus Meirelles/ A insatisfação da turma do Planalto com o fato de o candidato do MDB, TEMER VERSUS MEIRELESHenrique Meirelles, desprezar o governo e ressaltar apenas a própria biografia no programa eleitoral já dá margens a comentários do tipo, “Meirelles ainda não atingiu o nível de aprovação do governo. Quando atingir, vamos passar a levá-lo a sério”.

Por falar em Meirelles…/ Ele vai mesmo desprezar o governo no seu programa de tevê. Não deixará de lado, entretanto, os bons índices de Paulo Skaf em São Paulo. Na terça-feira, estará por lá, pronto a gravar imagens dos dois para exibir no horário eleitoral.

MINISTROS DO TSE

O motivo do mistério/ Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) demoraram para anunciar que o julgamento de Lula estava na pauta. Queriam, assim, evitar que o PT repetisse a mobilização de 15 dias atrás, quando o partido protocolou a candidatura do ex-presidente. Os advogados estavam mobilizados sim, mas esperavam que haveria tempo para análise.

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