Partido reafirmou candidatura em convenção. Nome de vice ainda não foi apresentado

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Em convenção realizada neste sábado 4, o PT decidiu indicar Lula como seu candidato à Presidência. Em meio a negociações com Manuela D’Ávila, do PCdoB, para integrar a chapa do partido e dúvidas sobre a legislação eleitoral, a legenda deixou de fora o anúncio de quem assumirá o posto de vice.

Em tese inelegível com base na Lei da Ficha Limpa e preso há quase quatro meses em Curitiba, Lula quer estender a escolha do vice e esticar sua campanha até sua situação eleitoral ser analisada em definitivo pela Justiça.

 

Apesar da preocupação de sua defesa em apresentar o nome do vice até a segunda-feira 6, Lula quer esperar até 15 de agosto, data limite para o registro das chapas presidenciais.

A lei determina a apresentação dos nomes do candidatos, em qualquer meio de comunicação, 24 horas após o fim do prazo para as convenções partidárias, que termina neste domingo 5.

O PT confia que a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral permite a escolha de um vice apenas no momento do registro, que pode ser feito até 15 de agosto, mas há conversas na legenda sobre adiantar o anúncio. Um nome próprio do partido para assumir o posto também não deve ser descartado.

O objetivo do PT é registrar o nome de Lula ao Planato e travar uma disputa judicial para viabilizá-lo como candidato. Se receber duas negativas, uma no TSE e outra no Supremo Tribunal Federal, o partido terá até 17 de setembro para trocar a cabeça de chapa.

Se Lula não puder disputar, o PT debate nos bastidores um plano B de dentro do partido para assumir no lugar do ex-presidente. Um dos cotados é o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, atual coordenador do programa de Lula.

Em seu discurso na convenção, Haddad afirmou que as eleições serão “um pentacampeonato petista”, em referência aos últimos quatro pleitos vencidos pela legenda. Ele fez ataques a Geraldo Alckmin, do PSDB. “De um lado temos um candidato que representa a continuidade do governo Temer”, afirmou. “Do outro lado, temos Lula, que lidera todas as pesquisas de opinião. O cenário está configurado.”

“Alguns golpistas estão na cadeia, porque tem provas contra eles, alguns desistem da eleição, porque não tem condições de se apresentar ao eleitorado. Hoje não tem um golpista vitorioso”, disse o coordenador do programa do partido.

Bem-humorada, Dilma Rousseff fez piadas com os presentes em seu discurso. Chamada de “rainha” pela militância, respondeu: “A Monarquia já acabou, ó”. Ela lembrou da versão de “Cálice”, cantada por Chico Buarque e Gilberto Gil no Festival Lula Livre. “Eu nunca pensei que a música ‘Cálice’, cantada lá no Rio de Janeiro, ia representar a nossa luta novamente”.

Ela disse que seu impeachment é parte da resistência que continua com a defesa da candidatura de Lula “Queriam (parlamentares) que eu renunciasse, telefonavam e diziam ‘não vá ao Senado, não discuta, renuncia, é mais bonito’. Mais bonito para eles! A mão do algoz não pode ser escondida.”

Marília Arraes

Ao apresentar os candidatos aos governos estaduais, o PT deixou Marília Arraes de fora do anúncio, para protestos da militância presente ao evento, que gritava “Pernambuco” e dizia rejeitar acordo com “golpistas”.

A Executiva Nacional anunciou que apoiará a candidatura de Paulo Câmara, do PSB, ao governo do estado, com base em um acordo nacional com o partido. À época do impeachment, o partido de Câmara votou majoritariamente a favor do afastamento de Dilma.

Os pessebistas aceitaram manter a neutralidade nas eleições presidenciais em troca da retirada da candidatura de Marília. Em Minas, o PSB retirou a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda, que entrou com uma ação na Justiça Eleitoral contra a decisão de seu partido. O diretório do PT em Pernambuco reagiu e, em convenção, confirmou a pré-candidatura de Marília na quinta-feira

Fonte Carta

 

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