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Meus amigos e minhas amigas de São Miguel de Ipojuca, Terra de Nossa Senhora do Ó,
Peço licença para saudar todos aqui, nessa manhã, lembrando a figura de um artista nascido em Ipojuca. O pintor, escultor e escritor José Cláudio.
José Cláudio esculpiu a obra A Mulher de Sargaço, que fica logo em frente da PE-60, na entrada da cidade.
Fez inspirado nos versos do poeta Carlos Pena Filho: “Tu nasceste no mundo do sargaço / da gestação de búzios, nas areias. / Correm águas do mar em tuas veias, dormem peixes de prata em teu regaço.”
Ao fazer a saudação e homenagem a um artista nascido em Ipojuca, quero reverenciar o poder criador de Pernambuco e sua capacidade de sonhar, lutar e vencer dificuldades. O mesmo criador que ao visitar o Benin, na África, disse “Quando cheguei ao Benin, vi que emocionalmente estava na Ipojuca da década de 40”. Na Ipojuca de quando era menino.
Aqui fizemos 6 edições da Fliporto, inclusive duas neste Hotel Armação, porto de diálogos culturais e de reflexão do contemporâneo, que está mais ainda complexo e desafiador.
Plantamos quatro Baobás em praças de Porto de Galinhas e um neste Hotel Armação, em 2009, homenageando um autor brasileiro e um africano, para simbolizar a nossa gratidão a Mãe África, que trouxe a marca da alegria e a força do trabalho para construir esse Brasil, que vive um momento tão difícil, mas que nos chama a responsabilidade de construir o futuro próximo, que definirá o futuro do Brasil. Por nossa sugestão a Câmara de Vereadores tombou os mais antigos Baobás de Ipojuca e criou o dia do Baobá, árvore símbolo da resistência da vida.
Fui buscar na força dos nossos criadores e nas raízes profundas dos baobás, a energia e a inspiração para falar nesse momento tão delicado que vive o Brasil. Aqui, assisti o poeta Thiago de Melo recitar: “Faz escuro, mas eu canto por que a manhã vai chegar”. Fizemos aqui, nesse Hotel, o encontro do mestre Ariano Suassuna com o grande escritor uruguaio Eduardo Galeano. Galeano que fez uma palestra aqui sobre o seu livro Espelhos, uma tentativa de interpretação das Américas.
O poeta Carlos Drummond de Andrade, poeta predileto do meu avô Arraes, que tive a oportunidade de trazer um dos seus dois netos a essa praia de Porto de Galinhas, disse: “O mundo é grande, mas cabe numa janela para o mar”. Essa janela está aqui. Infelizmente, estamos vendo, através dela, uma era de intolerância, ódios, radicalismos. Mas tenho certeza que o amor vencerá. E ao falar do poder da resistência das artes e da energia da natureza venho pregar a necessidade de se unir Pernambuco para fazer a mudança que nosso Estado precisa fazer para voltarmos a liderar o Nordeste na política, nas artes e na economia.
Assim, é que me ponho como um soldado da frente das oposições, mas também lanço aqui um movimento, que ultrapassa as estruturas políticas tradicionais, que é Pernambuco Quer Mais, para termos um projeto que faça as verdadeiras mudanças que o nosso povo necessita. Pernambuco quer mais segurança, quer mais emprego, quer mais arte, quer mais desenvolvimento, quer uma nova liderança para liderar uma nova era econômica e política, abrindo uma nova página de nossa história.
Será do fruto de nossa união, de nossa capacidade de fazer política e de fazer um novo projeto para Pernambuco, que essa frente política de oposição construirá, junto com o povo de Pernambuco, a grande vitória eleitoral e política, que derrotará as forças que se desviaram dos caminhos e legados que dizem defender, mas que só pensam e trabalham para manter o poder.
Pernambuco quer mudar. Pernambuco quer mais. A verdadeira política é um ato de esperança.
Muito obrigado.
Antônio Campos
Ipojuca, 07 de abril de 2018.

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