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Marcio Maia

A cultura popular pernambucana perdeu um de seus grandes baluartes, com a morte do percussionista Marcos Antonio Alves, o Marcos Axé, aos 39 anos de idade. Durante mais de vinte anos, ele participou de trabalhos incríveis e de grande qualidade, inclusive ao participar da gravação de diversos discos do cantor Otto e de inúmeras turnês pelo Brasil e alguns países do Mundo.
Marcos Axé, além de uma capacidade profissional imensa, era uma pessoa muito ligada às questões culturais e sociais e aos problemas vividos pelos moradores da periferia, especialmente seus vizinhos da região ribeirinha do Rio Beberibe. Por conta dessa sua vinculação àquelas comunidades, o prefeito de Olinda, Professor Lupércio, decretou luto de três dias logo após a morte do artista.
Axé nunca teve preocupação com a “normalidade da vida”. Sempre procurou viver intensamente e fazia questão de demonstrar que correr atrás da fama e do dinheiro. No íntimo, ele sentia muito mais prazer ao participar de uma boa roda de forró, samba e rítmos afros ao lado de amigos músicos do que tocar em um grande show em São Paulo ou na Europa.
Durante todo o tempo, brigou por melhores condições de vida para seus irmãos das periferias, usando seu prestígio para conseguir benefícios para as comunidades. Nunca pediu nada para si. Era um homem solidário e disposto a enfrentar os poderosos, dentro de sua filosofia de vida.
Infelizmente, não tive a sorte de conviver com ele em muitas ocasiões, mas nas poucas que tive, aproveitei bastante em todos os aspectos, tanto como um ouvinte privilegiado de sua extraordinária qualidade como músico e como de suas teorias em defesa de um Mundo mais humano, solidário e igual, onde todos pudessem viver felizes.

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