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Por Roziane Fernandes

“Amélia não tinha a menor vaidade, / Amélia é que era mulher de verdade”. Com música de Ataulfo Alves e letra do ator Mário Lago, a canção Ai, que saudades da Amélia, de 1942, é um dos grandes símbolos sonoros de como a mulher foi durante muito tempo, representada na Música Popular Brasileira (MPB). Pode-se afirmar que, 75 anos depois do lançamento dessa canção, e após as profundas transformações que o Mundo viveu, a realidade feminina também experimentou consideráveis mudanças, tanto na esfera concreta como no campo da música popular.

Foi buscando responder a perguntas como essas que o radialista, jornalista e advogado pernambucano Alberto Lima está lançando pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) o livro Quem é essa mulher? A alteridade do feminino na obra musical de Chico Buarque de Holanda.

Originado numa tese que recebeu a menção trés bien (ótima) na Universidade Paris III, Sorbonne Nouvelle, na conclusão do mestrado em Língua, Literatura e Civilizações Estrangeiras. O livro, segundo o próprio Alberto Lima, pretende analisar de que forma a mulher é observada por Chico Buarque de Holanda e de que maneira ele a representa na sua obra musical.

Segundo o escritor, parte expressiva desse trabalho artístico Chico Buarque dedicou “a dar a palavra às mulheres, e também a ouvi-las, reproduzindo, em canções, os sentimentos, os medos, as agonias e as angústias delas”. Ao todo, de uma produção musical quantificada em mais de 300 canções, o compositor destinou 190 à temática feminina.

O livro é dedicado à memória de Zuzu Angel, brasileira que ficou conhecida nacional e internacionalmente, por seu trabalho inovador como estilista de moda e por sua procura pelo filho, Stuart Angel, assassinado pela Ditadura Militar. Zuzu também morreria tragicamente, num acidente de automóvel que, segundo dados da Comissão da Nacional da Verdade, foi planejado pela repressão.

Foi para ela que Chico Buarque escreveu Angélica, cujo verso inicial inspirou o título do livro de Alberto Lima: ?Quem é essa mulher / que canta sempre esse estribilho? A obra tem prefácio de uma filha de Zuzu, a jornalista Hildegard Angel, que diz: “Do entusiasmo ao encantamento. Da revelação à euforia. A leitura de Quem é essa mulher? inspira um jorrar de sentimentos intensos e múltiplos, o que não seria de esperar de um texto acadêmico.

Durante o lançamento do livro, às 19 horas desta quarta-feira (27), na Mercearia do Braz (Rua Visconde de Goiana 139, Boa Vista, Recife), a cantora Larissa Lisboa interpretará várias canções que mostram porque Chico Buarque é considerado grande intérprete da alma feminina. Cada exemplar será vendido a R$ 20,00.

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