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IMG_79A cultura da valorização das avaliações externas na educação do Brasil teve início com a criação do Ideb, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, que teve a sua primeira divulgação no ano de 2007. Quem trabalha com Educação sabe que esse não é o único dado referencial para decretar se um trabalho está ou não sendo bem realizado, mas não há como deixar de considerar que, de lá para cá, a cada publicação do ranking com os melhores desempenhos do Brasil e dos estados, ter o nome entre os primeiros colocados transformou-se em uma referência relevante para as escolas. Um sinal de prestígio e de trabalho bem feito. Em Pernambuco, estado que utiliza a gestão por resultados como uma ferramenta importante para a sua bem sucedida política educacional – 4º melhor colocado no Ideb 2014 –, não há como não dar peso aos desempenhos das avaliações externas. O Estado, inclusive, criou o seu Índice de Desenvolvimento da Educação de Pernambuco, o Idepe, que auxilia no monitoramento e tomada de decisões por parte da Secretaria de Educação, das Gerências Regionais e das escolas. E a cada resultado divulgado, seja pelo Idepe, seja pelo Ideb, ou mesmo em provas como o Enem, fica cada vez mais claro que as escolas que hoje contam com o regime de educação em tempo semi-integral ou integral, são as que dominam a participação nos rankings dos melhores desempenhos.

Basta olhar os resultados do Ideb 2014, aqueles que colocaram Pernambuco entre os melhores do Brasil. A média nacional da educação pública é de 3,40. A menor média de Pernambuco é justamente a das escolas que ainda funcionam no regime regular, com horas em somente um turno. Está apenas três centésimos acima da média nacional: 3,43. A média geral pernambucana, somando todos os tipos de escolas, já é um pouco melhor, de 3,75. Quando checamos os resultados das Escolas de Referência no Ensino Médio (EREM), o desempenho já é bem superior. As semi-integrais têm 4,20 de média, as integrais têm 4,71. As Escolas Técnicas Estaduais (ETE), que também trabalham em regime de jornada escolar estendida, têm o desempenho mais expressivo: 5,19.

Para o secretário executivo de Educação Profissional da Secretaria de Educação do Estado (SEE), Paulo Dutra, que cuida das EREM e das ETE, a jornada em tempo integral é um caminho sem volta. Não somente no estado, mas no Brasil. E ele cita como exemplo deste novo paradigma o fato de que mesmo as escolas regulares da rede estadual que obtêm boas notas, funcionam em um formato muito parecido com o das EREM. “Tem muita gente que está em escolas regulares que faz um trabalho fantástico. Mas são escolas que dão certo porque têm reforço no contra-turno. E isso pra mim é educação integral. Quando você pensa em política pública, eu não acredito mais em escola de quatro horas. Não dá tempo”, afirma. E cita, como exemplo, a Escola Tomé Francisco, em Quixaba, no Sertão, que tem conseguido se colocar entre as melhores do País por anos. “Você percebe que está em uma escola integral. As práticas dela de contra-turno, de aulão, são de escola integral. É muita coisa que eles fazem para quatro horas”.

Outro exemplo citado por Dutra é a realidade dos estudantes de escola particular. Mesmo aqueles que não frequentam colégios que oferecem jornada estendida, de certa forma, possuem uma rotina de aluno de escola integral. “Eles vivem de forma integral. Em casa, de manhã, chega o jornal. As programações são diferenciadas, pois os pais têm um nível intelectual diferenciado. Têm aula de inglês, de música, fazem cursinho pré-vestibular. Muitas vezes é mais do que integral”, avalia.

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