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Ex-ministra nos governos Lula e Dilma Rousseff, a senadora paulista Marta Suplicy filiou-se neste sábado (26) ao PMDB, pouco mais de um mês depois do anúncio de sua adesão ao partido pelo líder no Senado, Eunício Oliveira (CE), em 18 de agosto. A filiação foi formalizada em cerimônia no Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Tuca), e contou com a presença das três principais lideranças nacionais do partido: o presidente da República em exercício, Michel Temer, e os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), e do Senado, Renan Calheiros (AL).

Uma das figuras históricas do PT em São Paulo, Marta deixou a legenda em meio a muito mal estar não só com a cúpula petista e a presidenta Dilma Rousseff, mas com setores do Ministério da Cultura, pasta que comandou entre setembro de 2012 e novembro de 2014. Na referência ao novo partido, fez menção indireta ao PT.

“O PMDB soube devolver a nós o que há de mais valioso na vida; a liberdade, o direito de ir e vir, de mudar de ideia. Isso já foi mencionado, e foi uma das coisas que eu mais gostei do PMDB. Eu senti que eu caibo por causa disso, é um partido amplo”, declarou. “Vocês sabem que tem algumas decisões na vida que são muito difíceis, não são fáceis de serem tomadas. Mas eu sempre tive como norma que diante de relações conflituosas sem a menor perspectiva de melhora, e que ferem os nossos princípios, o melhor caminho a se tomar, por mais doído que seja, é o do rompimento.”

Marta revelou que sua decisão de se filiar ao PMDB foi resultado de uma conversa com Temer, a quem Marta classificou como liderança conciliadora. No discurso para os novos correligionários, Marta criticou a corrupção e fez alusão à frase em que Temer, em um dos momentos mais agudos da crise político-econômica do segundo mandato de Dilma, disse que o Brasil precisa de alguém para reunificá-lo. Naquela ocasião, como o Congresso em Foco revelou em primeira mão em 6 de agosto, o vice-presidente cogitou “jogar a toalha” da articulação política, como o faria menos de 20 dias depois.

“A gente quer um Brasil livre da corrupção, livre das mentiras, livre daqueles que usam a política como meio de obter vantagens pessoais. Afinal, estou no PMDB do Doutor Ulysses [Guimarães, ícone peemedebista], que democratizou o país. E no PMDB do doutor Michel, que vai reunificar o país”, pronunciou a ex-prefeita de São Paulo.

Segundo a Agência Brasil, Marta disse que dará seguimento à defesa das bandeiras sobre as mulheres e os desassistidos. Nesse instante, pediu apoio a Cunha para a aprovação do projeto de lei que estabelece cotas para mulheres no Legislativo, já aprovado pelos senadores. “Sem a cooperação do presidente da Câmara, nós não conseguiremos”, argumentou.

Marta esteve filiada ao PT de 1981 a abril deste ano. Além de ministra da Cultura e prefeita de São Paulo, foi deputada federal e ministra do Turismo durante o segundo mandato do governo Lula. A senadora é cotada para disputar não só a Prefeitura de São Paulo, mas o próprio governo estadual, hipótese menos provável. Reportagem do jornal Folha de S.Paulo deste sábado informa que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), apelou a vereadores do PMDB local para boicotar uma eventual candidatura de Marta.

Desfiliação anunciada
As especulações sobre o desgaste entre Marta e o PT ganharam força em novembro do ano passado, quando ela renunciou ao comando do Ministério da Cultura. Na ocasião, a senadora passou a disparar críticas à gestão de Dilma Rousseff e, em sua carta de demissão, disse que a pasta tem inúmeras carências.

Dias depois, Marta voltou a atacar o governo e seu próprio partido em entrevista veiculada em 11 de janeiro no jornal O Estado de S. Paulo. Sem poupar Dilma, a parlamentar – que, em 2014, engrossou as fileiras do movimento “volta, Lula” – declarou que não reconhecia mais o PT. “Ou o PT muda, ou acaba”, sentenciou.

No dia seguinte à publicação da entrevista, em 12 de janeiro, Marta encaminhou à Controladoria-Geral da União documentos que sugerem irregularidades em contratos de R$ 105 milhões firmados pelo ex-ministro Juca Ferreira, que retornava ao comando do Ministério da Cultura naquela segunda-feira (12). Também de acordo com o jornal O Estado de S.Paulo, as suspeitas recaem sobre a relação do ministério com uma entidade que presta serviços à Cinemateca Brasileira, órgão vinculado à pasta com sede em São Paulo. Juca reagiu no mesmo dia dizendo que Marta foi melhor prefeita de São Paulo do que ministra da Cultura.

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