BRUNO VILLAS BÔAS/FOLHA DE SÃO PAULO
DO RIO

Uma combinação de maior procura por trabalho sem a criação de novas vagas aumentou o número de desocupados no país para 8,35 milhões de pessoas e pressionou a taxa de desemprego para 8,3% no segundo trimestre deste ano.

No mesmo período do ano passado, a taxa havia sido de 6,8%. No primeiro primeiro trimestre deste ano, a taxa era de 7,9%.

O número de desempregos no país cresceu 23,5% no segundo trimestre deste ano, na comparação ao mesmo período do ano passado, um incremento de 1,587 milhão de pessoas. Frente ao primeiro trimestre, o aumento foi de 5,3%, mais 421 mil.

Os dados são da Pnad Contínua e foram divulgados pelo IBGE na manhã desta terça-feira (25). Os cálculos seguem a nova metodologia, em que resultados trimestrais são apresentados mensalmente.

Um sinal de que a maior procura foi a responsável pelo aumento do desemprego é o crescimento da força de trabalho, formada por pessoas empregadas ou desempregadas que estavam efetivamente procurando emprego.

Esse contingente de trabalhadores cresceu 1,8% no segundo trimestre deste ano, em 1,747 milhão de pessoas. São 100,5 milhões de brasileiros formando a força de trabalho do país.

A procura por emprego cresce, entre outros fatores, com a chegada de jovens ao mercado de trabalho. São pessoas que adiaram a chegada ao mercado apoiadas na renda familiar e que agora precisam trabalhar para complementar o orçamento de casa.

O rendimento real habitual dos trabalhadores foi de R$ 1.882 no segundo trimestre deste ano, queda de 0,5% na comparação ao primeiro trimestre deste ano. Frente ao mesmo período do ano passado houve alta, de 1,4%.

Assim, o pessoal fora da força de trabalho —que tem idade para trabalhar, mas não está empregada e nem procura emprego— encolheu em 307 mil no segundo trimestre deste ano, para 63,5 milhões de pessoas.

A procura por emprego é frustrada, no entanto, pela menor geração de vagas. A população ocupada foi de 92,2 milhões de pessoas de abril a junho deste ano, um incremento de 159 mil pessoas na comparação ao mesmo período do ano passado, ou 0,2% de alta.

SETORES

Das atividades que cortaram postos de trabalho no segundo trimestre deste ano, o setor de construção cortou 673 mil, na comparação ao mesmo período do ano passado, redução de 8,6%.

Outros setor com corte de março a junho, em relação ao mesmo período do ano passado, foi o de agricultura, pecuária, produção florestal, com perda de 207 mil postos, baixa de 2,1%.

Em relação ao primeiro trimestre deste ano, os cortes foram sobretudo na construção, com a perda de 509 mil empregos, uma queda de 6,7%.

REGIÕES

A taxa de desemprego cresceu em todas as regiões brasileiras no segundo trimestre, na comparação ao mesmo período de 2014: Norte (de 7,2% para 8,5%), Nordeste (de 8,8% para 10,3%), Sudeste (de 6,9% para 8,3%), Sul (de 4,1% para 5,5%) e Centro-Oeste (de 5,6% para 7,4%).

Entre os estados, Bahia teve a maior taxa de desemprego do país (12,7%) e Santa Catarina, a menor (3,9%).

Em quatro estados a taxa de desemprego chega a dois dígitos: Bahia (12,7), Alagoas (11,7%), Rio Grande do Norte (11,6%) e Amapá (10,1%).

Em São Paulo, a taxa foi de 9%, acima de 8,5% do primeiro trimestre deste ano e de 7% no mesmo período do ano passado. No Rio de Janeiro, a taxa é de 7,2%.

 

 

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